sábado, 19 de setembro de 2015

Enterrar a cabeça na areia nunca foi inteligente!...


Encruzilhada no Sporting

«A estrutura do Sporting — que ainda não existe e tenta adaptar-se aos efeitos do turbilhão que constituiu a entrada de Jorge Jesus em Alvalade — está cheia de nós e, para os desatar, vai ser necessário um trabalho de muita paciência e, como se sabe, paciência é uma coisa que, historicamente, em termos de consolidação de estruturas e meios, não abunda em Alvalade desde os tempos de João Rocha.

Com quatro jornadas da Liga realizadas e três jogos disputados fora de ‘casa’, o Sporting encontra-se no topo da classificação e, no final da jornada 5, considerando que existem três candidatos ao título e um FC Porto-Benfica este domingo no Dragão, a situação desportiva dos ‘leões’ até pode ficar ainda mais desanuviada. Mas, para isso, necessita de vencer na segunda-feira o Nacional e, como aconteceu na época passada com Marco Silva, o calcanhar de Aquiles deste Sporting de Jorge Jesus começa a revelar-se: os jogos disputados em Alvalade, entre os quais se destacam, precisamente, os dois pontos perdidos para o Paços de Ferreira e esta derrota com o Lokomotiv Moscovo, no arranque da Liga Europa, depois do desaire (duríssimo) que constituiu o falhanço da entrada na fase de grupos da Champions. É, pois, preciso perceber por que razão o Sporting não consegue aproveitar o ‘factor-casa’…

Quer isto dizer que as ondas de choque provocadas pelas alterações organizacionais promovidas em Alvalade, com a decisão de Bruno de Carvalho em contratar Jorge Jesus para ser não apenas o treinador da equipa principal mas o ‘cérebro’ do futebol sportinguista, não conhecerão impacto negativo e ambiente de pré-ruptura enquanto o Sporting se mantiver no comando do campeonato. Se isso deixar de acontecer e se porventura a equipa e o plantel começarem a dar sinais de que não são capazes de suportar a concorrência de Benfica e Porto, cada qual também com os seus problemas internos, o Sporting entrará num corredor escuro, cuja travessia poderá ter consequências absolutamente dramáticas…

Como sempre, no futebol, os resultados mandam. E se o Sporting não conseguir resultados, principalmente no campeonato, o projecto é posto em causa, serão Bruno de Carvalho e Jorge Jesus na berlinda… ‘e tudo o vento levou’.

É só nesse plano que se pode entender a obsessão de Jorge Jesus em capitalizar todos os recursos do plantel para o campeonato. Já era assim no Benfica. É assim, também, no Sporting, com a agravante de — em Alvalade — se estar a lutar por um título que foge aos leões há 14 temporadas. A decisão voluntária de reduzir, desportivamente, a importância da estreia do Sporting na presente edição da Liga Europa teve consequências brutais neste jogo de quinta-feira com o Lokomotiv Moscovo, que não passa de uma equipa razoável e não é, definitivamente, um papão. A escolha do onze e o próprio reconhecimento público de Jesus de que as alterações profundas na equipa-base 'foram a pensar no campeonato' já podiam explicar muito do que (não) se viu sobre o relvado de Alvalade. Mas se acrescentarmos os efeitos decorrentes da forma como o Sporting geriu o caso Carrillo — assumindo a sua exclusão — mais se percebe a ideia de fragilidade que os leões deixaram passar ao longo de quase todo o jogo. E a conclusão principal, para além da forma quase desleixada como a equipa e o treinador abordaram o embate com os russos, quase dizendo "ganhem lá isso que a gente não se importa", é que o Sporting, depois de tantas tentativas, ainda não resolveu o seu problema central: a defesa. Tem bons médios e avançados, mas a defesa continua a ser medíocre, como atesta a profusão de golos sofridos pela equipa leonina – consequência das debilidades do processo colectivo, mas também das insuficiências individuais dos jogadores do sector mais recuado. Quando se capta a sensação de que o melhor central do plantel é Ewerton… parece estar tudo dito.

Parece evidente que a decisão de Jorge Jesus em deixar Carrillo de fora, no meio (ou no fim?!) de uma negociação difícil com o seu representante, entronca na desvalorização assumida deste jogo com o Lokomotiv. Se na quinta-feira o calendário indicasse, por absurdo, um Sporting-Benfica ou um Sporting-FC Porto para o campeonato, a decisão seria a mesma?… As declarações de Jorge Jesus, no final do jogo, sobre a exclusão do peruano causaram alguma polémica, mas ao dizer que se tratou de uma decisão exclusivamente desportiva não estaria ele a querer dizer que a decisão foi dele e só dele, independentemente daquilo que for o sentimento e o desfecho ditado pela Administração?…
(Rui Santos, Pressão Alta, in Record)


Penso que valerá a pena aos sportinguistas que o hábito ou o acaso trouxerem a este cantinho de leoninidade, debruçarem-se com atenção sobre este texto de Rui Santos, sem sofismas e sem nele pretenderem ver fantasmas ou objectivos inconfessáveis. Este jornalista será o que todos dele conhecemos e mais aquilo que cada um possa pensar, mas é um profundo conhecedor do futebol português e será um grave erro desprezar ou menorizar a sua opinião.

Concorde-se ou não com aquilo que de uma forma geral explana nesta sua crónica, penso que constituirá uma contribuição importante para a compreensão da actualidade do Sporting Clube de Portugal....

Enterrar a cabeça na areia nunca foi inteligente!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Mas que crédito merece o Rui Santos para alguém se debruçar sobre o que diz? Por ser sportinguista? O crédito de alguém obtém-se quando esse alguém é consequente nas suas opiniões. E o RS não o é. Na época passada o que ele dizia do Jesus. O gozo que fazia do "pretoguês" do JJ. Portanto, o que diz ou escreve o Rui Santos vale o que vale.
    Fora do contexto: - Uns dias atrás alguém aqui comentava que a contratação do argentino Cervi, foi uma jogada de mestre de Bruno de Carvalho, para inflacionar o valor da transferência para o Benfica, já que o Sporting nunca esteve interessado no jogador. Ontem o Expresso online mostrou o documento que mostra o contrário. O Sporting até ofereceu 6 milhões já depois do jogador estar apalavrado com os lampiões. Isto serviu sim para o Carrillo assinar brevemente, já que assim o clube tem mais 6 milhões a acrescentar àquilo que estava disposto a pagar pela renovação do peruano. Valha-nos isso. Há por aqui muitos opinadores a idolatrarem o BC. Vamos lá ver onde ele vai conduzir o Sporting. O clube não tinha dinheiro, despediram-se trabalhadores. reduziram-se vencimentos, venderam-se jogadores e por aí adiante. Agora aparecem milhões. Sabe-se que não são de fundos, porque o presidente é contra os fundos, (vamos lá ver o que vai dar o processo com a Doylen), e que quando acordarmos ou o Bruno der às de Vila Diogo vamos dar conta que o clube afinal já não é dos sócios.

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  2. ""A direção do Sporting vai pedir aos associados, na assembleia geral (AG) de dia 27, autorização para contrair um empréstimo de 77,1 milhões de euros,""

    Fico preocupado

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