quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pode ser que a Gala nos traga novidades!...


Nas últimas horas parecem confirmar-se os rumores que têm vindo a apontar para o iminente regresso de Octávio Machado a Alvalade e ao Sporting, se bem que o pendor sensacionalista do tablóide que avança com tal confirmação, nos obriguem a colocar os dois pés atrás. Mas, como não há fumo sem fogo...

Ainda à espera de uma confirmação mais fidedigna, não pude no entanto, de deixar de recordar uma entrevista de Octávio Machado que li há quase sete anos no semanário Expresso e de que vos deixo por aqui um curioso excerto:

Expresso - Voltemos ao seu livro, onde assume que o maior erro da sua carreira foi ter saído do Sporting. Sabendo-se dos muitos anos passados no FC Porto e da forte ligação que sempre teve com o clube, esta sua afirmação tem a ver com a forma como a sua relação com Pinto da Costa se degradou ou é apenas uma análise do ponto de vista desportivo?

OM - No Sporting não acabei aquilo que tinha iniciado. Eu não estou muito vocacionado para as lutas internas, estou mais vocacionado para as lutas externas. Lutar com aqueles que fazem parte do meu grupo é algo muito difícil de acontecer. E que me custa muito. Por vezes, há posições que têm de ser tomadas e não há outra opção... O José Maria Pedroto disse-me uma vez que andar no futebol muitos anos acaba por nos tornar uns bichos insensíveis. E eu fiz muitas vezes períodos de retirada, de rejuvenescimento, de purificação se quiserem, para não perder a minha sensibilidade. Quando estive no Sporting, eu devia ter assumido claramente que tinha de ficar. Eu não estava em causa dentro do clube, mas tinha feito um grande trabalho ao Sporting se tivesse corrido muito mais cedo com Norton de Matos e companhia. Tinha poupado ao Sporting milhões de contos e o Sporting teria ficado muito mais perto de chegar ao título de campeão.

Expresso - Quer explicar melhor porquê?

OM - Em termos de história do Sporting, o que aconteceu depois da minha saída? O desperdício que houve nos anos seguintes... Mas eles sabiam que eu era assim e conhecendo-me como me conhecem criaram as condições para que eu, como sempre fiz, para não querer incomodar ninguém, para não participar em lutas internas, abandonasse Alvalade. Daí eu dizer que foi um grande erro, porque deixei aqueles jogadores à mercê deles. Estou a lembrar-me de um Oceano, de um Pedro Barbosa, de um Pedro Martins, de um Luís Miguel, de um Marco Aurélio, de um Naybet, de um Amunike... Eu devia era ter tomado duas ou três decisões de grande impacto, de grande força, e tenho a certeza de que o Sporting não teria passado aquele momento. Assumo que esse foi o maior erro da minha carreira.

Expresso - Era indispensável, para si, 'correr' com o Norton de Matos?

OM - Entrei no Sporting, um clube de risco para qualquer treinador, com um contrato de prestação de serviços. Ficaram todos muito admirados, mas era assim que eu queria. Sentir-me livre. Mas perante tanta irresponsabilidade deveria ter assumido claramente essa guerra e correr com eles. E tinha feito um grande serviço ao Sporting. Teria contribuído para que o Sporting não tivesse de esperar três anos para ser campeão nacional. Aquele grupo de jogadores que eu deixei era um grande grupo. Tinha duas ou três situações para gerir e era preciso correr com o Norton de Matos. E rapidamente. Aí não cumpri o meu papel para com o Sporting e peço desculpa por isso aos sportinguistas. Era impossível ao Sporting ou a qualquer clube ter êxito ou de estratégia futura com alguém com aquele pensamento e aquela forma de estar e de ser. O Sporting pagou uma factura elevadíssima e eu podia ter evitado tudo isso. Mas, insisto, nunca estive vocacionado para as lutas internas...

E com as palavras então ditas por Octávio Machado a martelarem o meu pensamento, terei confidenciado para os meus botões:

1 - Se Octávio Machado foi convidado para regressar ao Sporting, tal não aconteceria se a indicação não viesse de Jorge Jesus e se Bruno de Carvalho não tivesse dado a sua concordância!...

2 - Nesta condição e a confirmar-se o regresso do "palmelão" a Alvalade, quais as razões que o terão levado a aceitar o convite?

E não é que os meus botões me responderam?! Claro que responderam e posso assegurar-vos que não me pediram essa coisa que agora parece estar muito em voga por aí e que se chama de confidencialidade, pelo que aí vai:

a) - Razões afectivas que, por motivos, não de confidencialidade, mas de respeito, entendo não dever fazer qualquer especulação.

b) - Razões que se prenderão com a sua afirmação categórica e transparente na entrevista: "Eu não estou muito vocacionado para as lutas internas, estou mais vocacionado para as lutas externas. Lutar com aqueles que fazem parte do meu grupo é algo muito difícil de acontecer. E que me custa muito."

c) - Razões que serão consequência do seu profundo desejo de ressarcir o Sporting, daquele que Octávio Machado continua a classificar como o "maior erro da sua carreira."

d) - Finalmente porque Octávio Machado nunca tentou, nem alguma vez conseguirá esconder, a terrível saudade que lhe causa estar longe do futebol, um dos grandes amores da sua vida.

Fim de papo com os meus botões! Deixo-vos porque vou ver a II Gala Honoris! Amanhã continuaremos a nossa conversa!...


Pode ser que a Gala nos traga novidades!...

Leoninamente, 
Até à próxima

1 comentário:

  1. Obrigado pelo serviço que prestou. Da parte que me toca aprendi bastante com a entrevista!
    SL
    Basco "O Leão"

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