domingo, 26 de julho de 2015

Máximo de rigor e transparência nas nomeações e classificações dos árbitros!...



Sorteio sim, sorteio não

"... Pela manhã, na sede de FPF, discutiu-se e votou-se a proposta que visava o regresso ao sorteio dos árbitros nos campeonatos profissionais. Apesar de a Liga ser favorável a tal mudança (foi esse o sentido do voto que saiu da última reunião), a maioria dos delegados chumbou a mesma e assim os árbitros continuarão a ser nomeados.

Há coisas difíceis de explicar aos mais desatentos nas questões do futebol. Creio que a mais simples é esta: o senhor Mário Barbas, delegado em representação dos jogadores amadores, tem o mesmo peso nas decisões que Luís Duque, presidente da Liga, em representação da vontade maioritária dos clubes profissionais. Ambos valem por um. Não sei, nem me interessa, em que sentido foi o voto do senhor Barbas (na verdade, nem sei se esteve presente, uma vez que faltaram 13 dos 84 delegados). O exemplo serve apenas para mostrar o nível de democracia a que chegaram as decisões que afectam o futebol profissional, por força do disposto na Lei de Bases. O futebol que move milhões vale 21 votos em 84 possíveis. Bruno de Carvalho podia ter reflectido nesta questão antes de culpar o ainda presidente da Liga pelo resultado."
(José Ribeiro, Entrada em Campo, in Record)

Quase sempre estou em sintonia com as crónicas de José Ribeiro. Desta vez apenas subscrevo parte do seu pensamento, aquele em que refere o absurdo transposto para a Lei de Bases do Desporto no que ao orgão máximo do futebol português, a AG da FPF, diz respeito, na medida exacta que manifestei em post anterior.

De facto o legislador, no momento em que estabeleceu uma pretensamente justa representatividade na AG da Federação Portuguesa de Futebol, deveria estar com uma tremenda bebedeira, para atribuir, o mesmo peso decisivo - 1 voto -  ao senhor Mário Barbas, com o devido respeito, delegado representativo dos jogadores amadores e a Luís Duque, também com o devido respeito, presidente da Liga, em representação de todos os clubes profissionais.

É certo que a Lei de Bases do Desporto, justa ou injusta, está em vigor, depois de promulgada pelos orgãos competentes e publicada no DR e todas as decisões que ao seu abrigo forem tomadas, deverão portanto ser respeitadas. Mas isso nunca significará que a justiça, o equilíbrio e a equidade lhes assistam. É por isso que ao longo dos tempos todas as leis vão sendo aperfeiçoadas à medida que a prática revela os seus pontos fracos e fracturantes da justiça que todos pretenderão ver aplicada.

O caso vertente será paradigmático. "Os clubes deram um sinal claro que pretendiam mais rigor e transparência nas nomeações e classificações dos árbitros" - Luís Duque dixit. E propuseram o sorteio como alternativa, sem que isso tenha significado, a meu ver, que fosse a melhor solução. Essa seria, obviamente, a substituição das pessoas responsáveis pela "falta de rigor e transparência nas nomeações e classificação dos árbitros". Mas, corporativamente, a grande maioria dos restantes interesses representados na AG da FPF, passou por essa óbvia aspiração dos clubes como cão por vinha vindimada e ninguém falou na questão central durante os trabalhos, inclusivamente, ao que já transpirou para o exterior, o próprio presidente da Liga. Importante foi que o sorteio tenha sido chumbado  e que às moscas e à merda fosse permitida a extensão do seu mandato.

E é neste ponto que surge a minha total discordância com o pensamento com que José Ribeiro remata a sua crónica: "Bruno de Carvalho deveria ter reflectido nesta questão antes de culpar o ainda presidente da Liga pelo resultado". Porque a meu ver, só ao ainda presidente da Liga, pelo seu comportamento de aceitação "democrática" da derrota e pela sua completa demissão na defesa dos legítimos interesses do organismo que representava, deverão ser assacadas as culpas.

Talvez porque a lei, para os clubes representados na AG da FPF pelo delegado da LPFP, Luís Duque, é... "dura lex, sed lex": a lei é dura mas é lei.

Já para os múltiplos interesses do futebol representados na AG da FPF pelos restantes 83 delegados, com o senhor Mário Barbas incluído, é... "dura lex sed latex": a lei é dura mas estica.

E a lei desta vez, sendo dura, esticou. Até que a corda partiu, "democraticamente", para o lado dos clubes e Luís Duque, calou-se. E quem cala consente, quando os clubes não delegaram nele a responsabilidade do silêncio.

Não foi Bruno de Carvalho que deveria ter reflectido nas incongruências contidas na Lei de Bases do Desporto. Ele tentou demonstrar, juntamente com a grande maioria dos clubes, que o "rei ia nu"! Para que na AG da FPF se debatessem as questões fundamentais tendentes a tapar a nudez do rei. Mas Luís Duque, qual alfaiate da fábula, sobre a nudez do rei disse... NADA! Por razões que se adivinham facilmente e há décadas são conhecidas! Quando deveria ter dito, na posse dos resultados da rejeição do sorteio, não a desprezível inocuidade que afirmou aos jornalistas no exterior do local onde havia decorrido a AG, "vamos agora traçar um caminho de diálogo para podermos mudar", mas na tribuna da AG, afirmar em nome dos clubes que "ainda" representava, que a Liga tinha sido vencida, mas não convencida e que por tal facto, recorreria a todos os meios de luta que entendesse por mais convenientes, enquanto não assistisse à reposição do...

Máximo de rigor e transparência nas nomeações e classificações dos árbitros!...

Leoninamente,
Até à próxima

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