quinta-feira, 23 de julho de 2015

E no entanto foram eleitos...


De pequenino

"O Ministério Público acusou 18 arguidos, incluindo Paulo Pereira Cristóvão, de associação criminosa, roubo qualificado, sequestro, posse e detenção de arma proibida, abuso de poder, violação de domicílio por funcionário e falsificação de documentos. Segundo o Ministério Público, o ex-vice-presidente do Sporting e três agentes da PSP recolhiam informações e decidiam quais as pessoas e locais a assaltar por um grupo de operacionais. A semana passada o humorista britânico Lee Nelson atirou um monte de notas falsas a Joseph Blatter, garantindo um bom retrato do que foram 17 anos de FIFA. Quando as notas falsas caíram no chão Blatter disse: "Temos que limpar isto. Isto não tem nada a ver com futebol." Temos mesmo que limpar isto, e isto tem tudo a ver com futebol. O futebol mexe com muito dinheiro e tudo o que mexe com muito dinheiro tende a atrair o pior da humanidade. O problema não está nem no futebol nem no dinheiro. O problema está nos homens e mulheres sérios que não impedem que os menos sérios tomem as rédeas do poder.

Parecerá um pouco absurdo juntar Cristóvão e Blatter na mesma crónica. Um é um pilha-galinhas, outro um barão de uma gigantesca rede de corrupção. Um está a ser facilmente apanhado pelas malhas da lei, outro apenas tem de passar por humilhações públicas. Só os junto para sinalizar a nossa culpa. Todos sabíamos quem era Pereira Cristóvão quando foi eleito vice do Sporting. E no entanto foi eleito. Aos Blatter deste mundo corta-se-lhes a carreira quando ainda são pequeninos. E se não os travamos quando ainda é fácil e tão evidente a massa de que são feitos, não nos podemos queixar da ganância e descaramento quando chegam a grandes.
(Daniel Oliveira, Verde na Bola, in Record)

Os Tribunais não condenaram Luís Godinho Lopes dos crimes de que foi acusado no Processo dos paquetes da Expo98, apenas e tão só por... INSUFIÊNCIA DE PROVAS! Houve provas desses crimes, mas alguém as terá entendido, com critérios que só a sua própria consciência julgará, como... INSUFICIENTES!...  

Mas ninguém terá ficado com dúvidas sobre a prática de todos essses crimes, sobre o prejuízo causado ao erário público e sobre os directos ou indirectos beneficiários dessas acções criminosas! Os crimes perfeitos não existem. O que poderá existir na Justiça é gente que prefere aplicá-la com óculos de Sol!...

Todos sabíamos quem era Luís Godinho Lopes quando foi eleito presidente do Sporting. E no entanto foi eleito...

Leoninamente,
Até à próxima

12 comentários:

  1. será mesmo que Godinho Lopes foi eleito? foi declarado como vencedor, sim. Mas, ao que parece, os boletins de voto sumiram misteriosamente. E se sumiram será que se vai saber o que foram as tais «afinações» na noite dessa eleição? Será que se vai tirar algum dia a limpo se Godinho Lopes foi realmente o vencedor dessa eleição?

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    1. As provas foram, obviamente destruídas, queimadas, na própria noite fatídica!...

      Talvez um dia, quando as comadres se zangarem, alguma meta a boca no trombone! Até que isso aconteça, o crime continuará... PERFEITO!...

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    2. é por isso, caro Álamo, que o «foi eleito» é força de expressão. Digamos que «foi dado como eleito», isso sim. SL

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  2. Antes de assumir o cargo de vice-presidente, sabia-se que Pereira Cristóvão era ex-inspetor da Polícia Judiciária e (tal como Daniel Oliveira) colaborador ou ex-colaborador da SIC televisão. Sabia-se que Cristóvão tinha cerca de 20 anos de PJ. Durante anos e anos, a Polícia Judiciária foi apresentada, na SIC e noutras televisões e jornais, como «a melhor polícia do mundo» e arredores. Até cair em desgraça já depois de ser vice-presidente do Sporting, Pereira Cristóvão era visto como o competente inspetor que tinha desvendado um caso bem mediático. Portanto, será mesmo que Daniel Oliveira tem algum pingo de razão quando diz que «Todos sabíamos quem era Pereira Cristóvão quando foi eleito vice presidente do Sporting»? Se todos soubéssemos quem Cristóvão era será que poderia Cristóvão ter concorrido às eleições do Sporting? Será que poderia ele ter sido cerca de 20 anos inspetor da Polícia Judiciária? Será que poderia ter sido alguns bons anos colaborador da SIC? Será que chega realmente a haver algum momento em que podemos travá-los, tal como diz Daniel Oliveira, «quando ainda é fácil e tão evidente a massa de que são feitos»?

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    1. O caro "anónimo das 23:17" é que não terá um pingo de razão quando apresenta como dado adquirido no seu comentário, que Daniel Oliveira e tanta gente mais, teriam apenas o conhecimento que o caro confessa ter sobre quem era e o que era Pereira Cristovão. A qualquer pessoa atenta parecerá exagerada essa sua convicção, quiçá presunção. Se o caro não sabia quem era e o que era PPC, não julgue os outros por si, nem lhes coloque o pouco elegante anátema que pretendeu colocar em Daniel Oliveira, cujo perfil, grau de conhecimento, concepção de mundo e carácter revela desconhecer completa e totalmente! Ás vezes perdemos ocasiões soberanas de estarmos calados...

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    2. Não quis colocar nenhum anátema em Daniel Oliveira. Percebo que, na frase, quando Daniel Oliveira diz Todos» se está a referir a algo como «Todos» nós que não emprenhamos pelos ouvidos e pelos olhos. Porque me creio parte desse «Todos» do Daniel Oliveira, também eu não via Pereira Cristóvão tal como era apresentado (da mesma forma que nunca acreditei na imagem impoluta da Polícia Judiciária). Mas, infelizmente, o «Todos» de Daniel Oliveira não é o "Todos nós que votamos e votámos". Nem todos dos que votamos e votámos saberíamos tanto de Pereira Cristóvão quanto sabia Daniel Oliveira e "todos" nós que não vamos na conversa que nos dão. Para ficar claro: gostava muito que Daniel Oliveira tivesse razão e gostaria mais ainda de que houvesse o tal momento em que «ainda é fácil» travar alguém como Pereira Cristóvão ou como Blatter. A verdade é que fica sempre muito difícil de travá-los a partir do momento em que vão a votos. É que, tal como Pereira Cristóvão contra JEB, podem perder eleições por uma diferença 10-90% mas arranjam sempre forma de entrar em novas eleições até se infiltrarem nas "estruturas" dirigentes ou governantes.

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    3. Apreciei a reflectida moderação que o "anónimo das 00:21" introduziu neste seu segundo comentário e mais ainda porque me trouxe a "deixa" que eu necessitava para lhe trazer o meu pensamento sobre aquilo que Daniel Oliveira terá pretendido dizer-nos ao falar em "travar os PPCs e Blatters" desta vida. Quando o caro anónimo afirma, "... podem perder eleições por uma diferença 10-90% mas arranjam sempre forma de entrar em novas eleições até se infiltrarem nas "estruturas" dirigentes ou governantes", coloca exactamente o dedo na ferida! Não me interessam para nada as eleições noutros clubes e noutros países, mas os sportinguistas e os portugueses, ou serão, permita-me o termo, tremendamente burros ou particularmente distraídos. A tradição oral do nosso povo, trouxe-nos aquela verdade insofismável, "na primeira qualquer cai, na segunda cai quem quer". Pois meu caro, no Sporting e no País, até dói o coração constatar que milhões e milhões acabam por cair na terceira e na quarta e quantas vezes na quinta!... Ou somos muito burros ou tremendamendamente distraídos!...

      Creio que os sportinguistas, tal como o gato escaldado, passaram a ter medo até de água fria: hoje sabem a importância das escolhas, puderam estabelecer diferenças!...

      Oxalá que os portugueses em 4 de Outubro, possam seguir o exemplo dos sportinguistas!...

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  3. Não, eu não sabia quem era PPC. Até tinha uma boa ideia do sujeito, fundamentada no seu passado na PJ. Já no que diz respeito a GL a conversa é bem outra.

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    1. Subscrevo inteiramente o seu comentário, amigo Helder Mestre. Comigo aconteceu exactamente o mesmo. Mas isso não me dá o direito de colocar em causa o conhecimento de Daniel Oliveira. A sua palavra, há muitos e bons anos que é uma escritura. Faz parte de um infelizmente restrito escol de pensadores, de concepções, pensamentos e colunas de insuspeita verticalidade.

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  4. Quem, atento a todas as notícias, recordava o “caso Paquetes” e o “caso Joana”, como, por certo, foi o caso de Daniel Oliveira, já tinha tirado a “pinta” aos dois.

    Navios Expo 98: Relação mantém absolvição de Godinho Lopes do crime de corrupção que teria lesado o Estado em 20 milhões de euros.
    http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/julgamento/navios-expo-98-relacao-mantem-absolvicao-de-godinho-lopes

    Paulo Pereira Cristóvão: De segurança da PJ a dirigente do Sporting
    http://www.sol.pt/noticia/126223

    Estavam os dois já “cadastrados” como pouco recomendáveis em 2009, quanto mais em 2011 …

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    1. Na notícia do Jornal Sol que o amigo Almano mostra, note-se o foi «absolvido» na frase: «No caso Joana, no qual foi acusado - e absolvido»... Recordo-me bem da "campanha" feita (sobretudo nos programas televisivos dos quais era colaborador) de que um "herói" da PJ estava a ser vítima de infâmia e calúnia. Têm bons advogados e são absolvidos sabe-se lá como e com que meios. Têm bons conhecimentos mediáticos ou dinheiro para conseguir conhecimentos mediáticos e são branqueados aos olhos de todos. Já agora lembro também que temos um vice-presidente da FPF que, para lá chegar, nem sequer precisou de ser absolvido de um processo por fraude fiscal. O mesmo para o presidente da Liga de Clubes. Para não fugir ao texto de Daniel Oliveira talvez a verdade seja que quando são pequeninos ninguém lhes liga nenhuma porque são pequeninos e vêm ou de Boliqueime ou de Santa Comba Dão (sem menosprezo para as duas terras portuguesas). Só quando viram «Blatters desde mundo» é que "todos" nos lembramos que já eram e sempre foram uns «pilha-galinhas». No caso de Pereira Cristóvão não deixo de notar que só depois de ser vice presidente do Sporting é que Pereira Cristóvão começou a deixar de ser "absolvido" e de ver "as queixas retiradas", etc. tal como está na notícia do Sol que o amigo Almano mostrou.

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  5. Claro que sim, caro "anónimo das 01:56"!...

    Os sportinguistas, ou são burros ou andavam muito distraídos!...

    Por outro lado, tal como os sportinguistas, os portugueses, ou são burros ou sempre andaram e continuarão a andar muito distraídos, e dou exemplos:

    1 - Cavaco Silva este ligado a um - e ninguém sabe se a mais! - dos processos financeiros mais tenebrosos que o país conheceu, enriqueceu como se tornou público e contudo foi eleito e reeleito como se nos céus tivesse lugar reservado quando um dia morrer.

    2 - Passos Coelho foi protagonista de um dos mais escabrosos processos de fraude e incumprimento fiscal e, que se saiba, terá protagonizado uma das maiores vigarices que lesou o estado em dezenas de milhões - Tecnoforma - e contudo foi eleito 1º ministro de Portugal e está a caminho de o voltar a ser.

    3 - Paulo Portas terá estado no centro do furacão dos submarinos, que levou ministros alemães que com ele constituíram o "gang", à cadeia, mas foi eleito vice-primeiro ministro e voltará sê-lo, pelo andar da carruagem.

    4 - Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Rendeiro, Ricardo Espírito Santo, Marco António Costa e centenas de outros, andam todos por aí em liberdade e ainda os hei-de ver eleitos como deputados deste país! Não faltará muito...

    Nesta condição, não será uma questão de distracção: OS PORTUGUESES SÃO MESMO BURROS!!!...

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