quinta-feira, 9 de julho de 2015

Foi para ser amado que Jorge Jesus voltou ao Sporting! Tão simples como respirar!...


Desejar Jesus

«Gostei da estreia mediática de Jorge Jesus como treinador do Sporting. Gostei que não tivesse dado a ideia de que vem aí uma lista tresloucada de contratações, incompatíveis com a situação do clube. Sabendo que "são as vitórias que fazem as estruturas" e a do Sporting precisa urgentemente de vitórias. Também gostei da forma como tratou a sua relação com o presidente do Sporting, ao afirmar que o presidente está, na estrutura sportinguista, "acima de toda a gente" e ao deixar claro que ir ou não ir para o banco é uma decisão que apenas cabe a Bruno de Carvalho. Coisas óbvias que acabam com equívocos do passado, alimentados por muitos sportinguistas. Ao dizer que ele e o presidente são parecidos na paixão com que se entregam às coisas fez-me, pela credibilidade da afirmação, acreditar que a relação entre os dois até pode mesmo, contra todas as probabilidades, resultar.

Mas o que gostei mesmo foi o que virou piada. Jesus acha-se um dos melhores treinadores do mundo. Acha que se quisesse estaria a treinar o Milan, o Inter, o Nápoles ou a Roma. E provavelmente até estaria e é a sua pouca vontade de abandonar o simpático quotidiano nacional que o impede de outros voos. Diz que não saiu do Benfica por razões financeiras: "Sempre me senti apoiado pela estrutura do Benfica e sempre foi um clube que me deu tudo. Ao longo desta última temporada não me senti desejado e decidi sair." Esta explicação mereceu muita troça desdenhosa dos benfiquistas. Pois a mim parece-me que, com a opinião que tem de si mesmo (parte dela justa, outra parte um pouco exagerada) e sem grandes ambições internacionais, Jorge Jesus não ambiciona mais do que ser amado. Tanto como julga merecer. E acho que foi por isso mesmo que partiu. Serei ingénuo? A ingenuidade é uma boa forma de olhar para Jesus.»
(Daniel Oliveira, Verde na Bola, in Record)


Ninguém alguma vez se atreverá a colocar em causa a força brutal dos afectos!... E tanto assim é, que haverá milhões de casos em que, tendo-se a vida encarregado de trocar os caminhos da felidade aos respectivos protagonistas, essa força brutal a que chamarei de "fascínio do primeiro amor", acaba por reconduzi-los ao ponto da partida, ao seu primeiro amor, na procura das suas mais altas, legítimas e profundamente humanas ambições: "Não mais do que serem amados! Tanto como julgam merecer"!...

Como Daniel Oliveira, penso que Jorge Jesus foi por não se sentir amado que partiu! É um homem de afectos, de emoções! São o seu oxigénio!... 

E foi para se sentir amado que voltou ao Sporting! Tão simples como respirar!... 

Leoninamente,
Até á próxima

4 comentários:

  1. Caro Álamo:
    Como disse Alfred Hitchcock, todos necessitamos de afecto, aprovação, encorajamento e, ocasionalmente, uma boa refeição!
    Um grande Abraço,
    José Lopes

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    1. Não conhecia essa, amigo José Lopes, mas cai como sopa no "mel" que nos entrou pela porta dentro, Se não, veja:

      - Alvalade dar-lhe-à todo o afecto do mundo!
      - Alvalade já o aprovou em delírio!
      - Alvalade sempre o encorajará!
      - Alvalade apenas lhe pedirá quatro refeições por ano!

      Um grande abraço

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  2. Caro Álamo:
    Vou entrar em despique consigo: cada vez que citar o Daniel, eu colocarei um poema do pai dele, o grande Herberto Hélder!
    À semelhança da semana passada, em que foi sobre as crianças, aqui vai um sobre a amizade, com a devida vénia:
    Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
    Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
    com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
    Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
    dentro do fogo.
    — Temos um talento doloroso e obscuro.
    Construímos um lugar de silêncio.
    De paixão.

    Um grande Abraço do seu amigo,
    José Lopes

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    1. Permita o meu amigo José Lopes, que lhe corrija apenas um pequeno pormenor: recuso-me a entrar em despique com o meu amigo, nas muitas vezes que hei-de trazer aqui Daniel Oliveira. Porque eu sempre farei coro consigo! E nada mais acrescentarei, por respeito a Herberto Helder: ele não gostava de elogios, medalhas, condecorações, estátuas e de repousar em sítio diferente daquele que pediu. Não fora isso e talvez pudesse ficar para sempre junto de Sofia, com muito mais merecimento que outros...

      Um grande abraço.

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