quinta-feira, 30 de julho de 2015

Fiuza, meias, peúgas, jornalistas e pontos com nó!...



Muito tem sido especulado em toda a comunicação social portuguesa, sobre as polémicas declarações - vídeo acima -  de António Fiúza, presidente do Gil Vicente Futebol Clube, no exterior das intalações da LPFP, no final do acto eleitoral que viria a consagrar Pedro Proença como Presidente do organismo para o próximo quadriénio, cuja tomada de posse ocorreu ontem a meio da tarde.

E a única conclusão que, a meu ver, poderá ser retirada dos múltiplos relatos de jornais, estações de rádio e televisão e sites ligados ao futebol, prima pelo deselegante rótulo colocado ao industrial e co-proprietário da empresa A. Fiuza & Irmão, Lda, que emprega há várias décadas, bem mais de uma centena de trabalhadores e se dedica ao fabrico de meias, peúgas e similares de malha.

Deselegante terá sido a designação mais suave que vi por aí colada na testa de António Fiuza, porque o lugar comum para o caracterizar vagueou entre arruaceiro, desordeiro, turbulento, truculento, estúpido, grosseiro, espalha-brasas, inculto, boçal e por aí adiante.

Como o mais comum adepto de futebol, apenas sei o que todo o mundo sabe: o mundo de futebol em Portugal habita num pântano escabroso, senão mesmo mafioso, onde todo o tipo de ilegalidades gozam do espúrio privilégio de beneficiar, no mínimo, da complacência das autoridades competentes nas mais diversas matérias, a começar no governo central e a desaguar na Autoridade Tributária, passando obviamente, pelas instâncias judiciais, com a PGR e o Ministério Público à cabeça.

Considero portanto, sem alguma vez colocar as mãos no lume por António Fiuza, que não conheço, em tudo o que concerne à sua actividade, tanto de industrial, quanto de dirigente há tempo suficiente para merecer algum crédito, que perante a sua indignação e coragem, caberia aos jornalistas uma postura diferente que a parcialidade exibida.

Primeiro porque, como ensinou Aleixo, "não sou estúpido nem bruto, nem bem nem mal educado, sou apenas o produto do mundo em que fui criado". Colar-lhe todos os rótulos que por aí encontrei e julgá-lo como "animal singular", numa fauna sem adjectivação possível, será a negação pura e dura do jornalismo, cujos intérpretes jamais poderão escamotear que as acusações de António Fiuza, serão bem mais que fundadas. Mas o jornalismo de investigação, mais do que impreparação e incompetência, terá um inaudito e tremendo pavor a qualquer incursão no pântano. É bem mais fácil chamar grosseiro e estúpido a António Fiuza do que investigar as suas indignadas denúncias. 

Mas o que me levou a tecer esta considerações, centra-se nas atribuições que, nesta matéria, os clubes erradamente terão conferido à LPFP. No meu simples e modesto entender, a Liga jamais se deveria substituir à Autoridade Tributária e muito menos, fazer depender o acesso dos clubes às competições que organiza, de declarações forjadas, capazes de ilibar um primeiro-ministro de alegadas fugas e incumprimentos fiscais, quanto mais um "humilde clube de futebol"! Que qualquer clube condenado pelos tribunais, com trânsito em julgado, fosse afastado das competições que se encontrasse a disputar e fosse relegado para o escalão inferior, seria a única sanção que entendo como justa. Para além disso, "a César o que é de César, aos deuses o que é dos deuses"!...

Já um tratamento diferente, substancialmente diferente e extremamente rigoroso, deveria ser dado aos clubes incumpridores no pagamento dos salários aos seus atletas. Em duas penadas os clubes, se assim o pretendessem, poderiam resolver a questão para sempre, com o natural apoio e aclamação do Sindicato dos Jogadores:

1 - Obrigatoriedade do pagamento de salários ser feito através de transferência bancária para a conta do jogador, nos prazos já estabelecidos.
2 - Obrigatoriedade do envio para a Liga, pelas entidades bancárias responsáveis pelas transferências, a solicitação dos clubes, dos comprovativos das mesmas.
3 - Fortes penalizações para qualquer infracção aos prazos estabelecidos, consubstanciadas exclusivamente em pontos perdidos pelos clubes infractores, consoante a natureza e a reincidência das prevaricações. 

À atenção do novel Presidente da LPFP!...

Leoninamente,
Até à próxima

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