sexta-feira, 1 de maio de 2015

E ainda há quem fale do mérito do eventual campeão!...


Nomeação de Capela atentado ao bom senso

"A nomeação do árbitro João Capela já fez correr muita tinta e, na verdade, é um atentado ao bom senso.

O nomeador tem obrigação de definir um critério e esse critério deve ser "razoável" à luz dos consumidores do futebol, embora saibamos que as "famílias clubísticas" estão muito habituadas a ver apenas um lado da questão — o lado que protege os "seus" interesses.

O nomeador não tem apenas a obrigação de definir um critério, como tem a obrigação de conhecer muito bem o perfil dos nomeados.

O nomeador, quando faz as nomeações, sabe muito bem "que tipo de árbitro" está a nomear para o jogo X, Y, Z. Sabe se ele é afecto ao clube A, B ou C; sabe se ele é mais permissivo aos ambientes; sabe se ele é mais ou menos receptivo a "relações promíscuas"; sabe qual é a visão oficiosa que os clubes têm em relação a cada árbitro e, finalmente, conhece os detalhes dos desempenhos de cada qual para poder fundamentar (perante si próprio e não perante a opinião pública) as suas escolhas.

É por isso que Vítor Pereira, o responsável máximo pelas nomeações, detém um grande poder e é por isso que os clubes colocam sobre ele uma grande pressão.

A pressão feita pelos clubes não deve ser observada como algo normal, mas, a existir, como existe, deve ser contrariada. Isto é válido para as pressões que os clubes fazem, visível e invisivelmente, junto do sector da arbitragem — porque as arbitragens valem pontos, não há forma de o negligenciar —, mas também junto da comunicação social e dos jornalistas. As pressões existem sobre quem tem o poder de influenciar. Cabe aos respectivos responsáveis defender, intransigentemente, as suas autonomias e independência e repudiar qualquer tipo de ingerência.

Faz agora dois anos que João Capela dirigiu um Benfica-Sporting. A arbitragem foi tão incompetente e tão parcial que, a partir desse momento tão infeliz e considerando os efeitos que produziu, baptizei esse campeonato com a designação de "Liga Capela". Não estão em causa os contendores, quem foi efectivamente prejudicado e beneficiado, porque o que está em causa, verdadeiramente, perante as actuais Leis do Jogo e os mecanismos que não existem para evitar em pleno jogo a validação de erros grosseiros, é a integridade do futebol e das suas competições.

O "sistema" não foi construído para combater a parcialidade e os favorecimentos. Se estamos convictos disso, então ataquemos o "sistema". Mas quem está disposto a atacar o "sistema", nas suas raízes mais profundas, se todos, aqui e ali, com uma ou outra excepção, parecem alimentá-lo?

Vítor Pereira e o sector da arbitragem são um produto desse "sistema". Um "sistema" patrocinado pela FIFA e pela UEFA, as "donas disto tudo". O que fizeram nos espaços nacionais será compensado nas instâncias internacionais. O objectivo é a protecção dos mais fortes. As migalhas calam os mais fracos.

Não seria necessário recuperar a realidade daquele Benfica-Sporting tão marcante para desde logo retirar João Capela do lote de nomeáveis para este Gil Vicente-Benfica. Bastava olhar para o perfil. Para afastar questões de natureza subjectiva, bastava a objectividade do desempenho de Capela no Benfica-Gil Vicente (da primeira volta). Teve influência no resultado.

O campeonato, apesar de aparentemente decidido, ainda mexe. Há dois contendores que ambicionam e podem ganhá-lo. Apesar das tentativas feitas por Vítor Pereira para pacificar as relações entre Capela e o FC Porto, a verdade é que, ainda recentemente, houve incidentes entre os adeptos azuis e brancos e o árbitro de Lisboa. A APAF, recorde-se, condenou as ameaças feitas por adeptos do FC Porto, no Funchal.

Esta é uma das principais razões a desaconselhar a nomeação de Capela para o Gil Vicente-Benfica. A nomeação não é, como aparenta, a favor do Benfica e contra o FC Porto. É uma nomeação contra Capela. É uma nomeação contra os princípios de independência e equidistância que deveriam presidir às nomeações. Vítor Pereira colocou João Capela numa situação muito difícil – e sabe-se que o árbitro não é exactamente um grande exemplo em termos de solidez psicológica.

Havia outras soluções bem mais credíveis e Vítor Pereira desprezou-as. Porquê?

Este campeonato demonstra que o FC Porto perdeu o poder a partir da FPF.

Este campeonato demonstra que o Benfica conseguiu sair de um plano de subalternidade para se afirmar nas franjas de poder.

Este campeonato demonstra que o tema da arbitragem está para durar.

Este campeonato demonstra que as arbitragens continuam a tirar e a dar muitos pontos. E isso é que é dramático..."
(Rui Santos, Pressão Alta in Record)

E ainda há por aí quem fale no mérito de quem, eventualmente, possa sagrar-se campeão!...

Leoninamente,
Até á próxima

3 comentários:

  1. Este é um dos poucos jornalistas que ainda vai vendo com claridade o que se passa nesta selva futebolística. Com os pontos dados aos galinácios e os que foram tirados ao Sporting, certamente que ainda poderíamos ser campeões.

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  2. Limpinho limpinho, mais palavras para quê?...

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  3. Estou boquiaberto... BBAHHH...!!!

    Pensava eu que era tão faccioso..., tão faccioso, tão faccioso que só eu pensava que afinal o campeão não o deveria ser... ou pelo menos, acreditava eu..., que o meu SPORTING tinha sido tão mal tratado, tão mal tratado, tão mal tratado, designadamente no inicio da época... que nos tinham sonegado, logo ali, as hipóteses de o vir a ser...!!!

    E mais convencido fiquei do meu louco e faccioso facciosismo, ao longo da temporada..., quando vejo estes, e outros, "caracolinhos" a enaltecerem as capacidades dos outros... o seu perfil investidor com qualidade e que só assim se conseguem atingir objectivos maiores... E que só, com os da casa, a coisa é curta... E que há dois emblemas num determinado patamar e os outros estão muito longe... E que as arbitragens não desculpam tudo... e patati patatá...

    E agora isto... Estou boquiaberto...

    Mas a minha boca fechar-se-á, seguramente, e voltarei ao meu facciosismo primário quando este e outros "caracolinhos", que por ai se vendem ad eternum, se "desdisserem" com a BOCA TODA (pena que não entre mosca... porque asneira é certo que sai) quando, numa qualquer praça ou rotunda reservada, alguém estiver a fazer a apologia de um campeão justo justissimamente e justamente justiçado pelo ceptro que o há-de guindar ao 34-3º título...

    Mas pronto... Lá estou eu outra vez... com o meu mau feitio!!!

    O que é dramático é NINGUÉM confrontar estes gajos com as contradições das suas palavras... Isso é que é DRAMÁTICO....!!! MUITO MAIS dramático QUE LEVAR UNS AÇOITES numa qualquer estação de televisão...!!!

    SL

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