quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Já não chegará uma CS adversa e de pá na mão abrindo-nos a sepultura?!...


VOLTO JÁ

«Não conheço pessoalmente o médico do Sporting, mas não tenho a mínima dúvida sobre duas coisas, a sua competência profissional e o seu sportinguismo.

O médico do Sporting foi expulso no último jogo contra o Porto, por protestos contra a arbitragem e arrisca-se a sofrer uma sanção das instâncias disciplinares. Mas não são as sanções que interessam para o caso, outrossim a ausência em si.

O médico do Sporting, quando está no banco, não pode ter estados de alma, tem obviamente de meter o seu sportinguismo na gaveta, porque há momentos em que não pode, nem deve, acumular os seus dois estatutos. Fazê-lo, dá, como se vê, mau resultado.

Um médico não pode, em nenhuma circunstância ser expulso, porque isso enfraquece a equipa, que fica amputada de um elemento insubstituível e precioso.

Eu sei que, noutros clubes, até há médicos que transmitem para o campo as instruções dos treinadores a jogadores que simulam lesões, mas, no Sporting isso não pode acontecer.
Estas considerações valem, mutatis mutandis, para todos os que se sentam no banco, em especial, para o treinador.

Não percebo, mas não percebo mesmo, porque é que há quem considere legítimos e justificados, os protestos do treinador contra a arbitragem; não é para isso que ele está no banco, não é essa a sua função, nem é para isso que o clube lhe paga.

Em segundo lugar, um treinador fora do banco faz falta. O Jaime Pacheco dizia, com propriedade, no ano em que o seu Boavista foi campeão, que o Martelinho corria mais, quando jogava do seu lado, e era capaz de ter razão.

Os jogadores podem não ouvir o que o treinador lhes diz, mas o simples facto da sua presença, dá uma confiança reforçada, sobretudo nos momentos críticos.

Jorge Jesus foi expulso contra o Porto e contra o Real Madrid, e, neste último caso, como ele bem reconhece, se não tivesse ido para a bancada, os últimos dez minutos podiam ter sido diferentes.

Justificar-se-ia assim um acto de contrição, não uma promessa de reincidência. Há deslumbres que se não aceitam, mesmo provindos de alguém que legitimamente sente que tem valor.»
(Carlos Barbosa da Cruz, o Canto do Morais, in Record)

Entre o direito à opinião e a sua expressão em termos publicos, pese embora o facto de vivermos, felizmente, num estado democrático e a Liberdade ser um valor supremo a considerar, desde que da vida retirei os ensinamentos suficientes, entendo que pelo meio deveremos semear outros valores, menos importantes decerto, mas jamais desprezáveis. A elegância e a conveniência derão dois deles, entre muitos outros!...

Nesta condição nada me fará compreender o "esquecimento" de CBdC, como sportinguista naturalmente, desses dois predicados, passada uma longa semana dos acontecimentos que afastaram JJ do banco em Madrid e apenas a 48 horas de um jogo importantíssimo para a possibilidade de o Sporting recuperar o estímulo e o conforto de que tão carenciado andará depois de dois desaires consecutivos, embora distintos em todos os prismas que os observemos.

Já por aqui bati inúmeras vezes a tecla do dever de omissão, a que agora acrescento a elegância e a conveniência, que uma enorme maioria de sportinguistas privilegiados com o acesso aos domínios da CS - jornalistas incluídos -, se revelam incapazes de articular entre o seu modo ou governo de vida e os afectos clubísticos que proclamam e são de todos conhecidos.

Mas até que a "voz me doa", hei-de continuar a lançar o desafio à multidão de cronistas e jornalistas afectos ao Sporting - se calhar em número superior ao que muitos julgarão: quantos casos de comportamentos semelhantes serão capazes de encontrar entre os seus seus pares, afectos ao Benfica e ao Porto?!...

Em remate e na convicção de que muito facilmente os dedos de uma só mão chegarão e sobrarão para os contar, deixo a questão de sempre: ser deselegante, inconveniente e incontinente, sob a estafada capa de falsa isenção, será "ser diferente" e motivo de orgulho para tantos sportinguistas?!...

Já não chegará uma CS adversa e de pá na mão abrindo-nos a sepultura?!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Caros eu estou atento, registo os nomes e não dou eco a estes "notáveis" mesmo acreditando (ingenuamente?) que até pensam que estão a defender o sporting.
    Será que estão à procura de protagonismo?
    Se querem ajudar, que se envolvam com o Sporting oferecendo os seus serviços em prol do clube e não de interesses próprios ou de terceiros...

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  2. O Carlos Barbosa da Cruz não é figura pública nenhuma e não tem nenhum passado ligado ao futebol. Existem tantos ex-jogadores que poderiam falar muito melhor de futebol porque percebem do assunto ou famosos que poderiam com as colunas de opinião atrair mais leitores para o jornal. Mas não, o único critério para o record dar espaço a este idiota é ele ser "sportinguista" e estar sempre a atacar o "seu" clube.

    Fui googlar o nome dele e só me apareceu páginas dele a falar mal disto ou daquilo, ou seja quando um "famoso" Advogado, repito Advogado é mais conhecido pelas suas opiniões disparatas sobre futebol do que pelo seu trabalho, isto diz tudo sobre a qualidade dele.

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