sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Está na hora de JJ trocar o seu estafado disco "rígido" por um SSD!...


AS DUAS FACES DO SPORTING... REAL

«O futebol está cheio destas ‘estórias’: quem joga pouco ou nada e consegue pontos; quem joga muito e não consegue pontuar.

Por isso, o futebol também é, estratégica e tacticamente, dilemático. O que pesa mais: 90% do tempo regulamentar em superioridade sobre o adversário, em quase todas as situações do jogo, ou os 10% em que a equipa que está por cima se deixa surpreender pelo antagonista?

O Sporting, em Madrid, comportou-se como ‘equipa grande’, bateu o pé ao Real, impôs-se e dominou, fez até, em certos momentos, o papel de uma equipa ‘à Guardiola’ e chegou a deslumbrar o Bernabéu. Não há equipas perfeitas – e a prova é a de que, neste mesmo jogo, no melhor pano caiu a nódoa –, mas o Sporting chegou a parecer uma equipa perfeita, tal era a dimensão do seu equilíbrio táctico, entre a tarefa de anular as principais referências do Real e a capacidade de estender o jogo e instalar-se no meio-campo do adversário. Um meritório trabalho de Jorge Jesus e dos seus pupilos, culminado com um golo justíssimo no começo do segundo tempo. O que se viu o Sporting fazer em 85 minutos, no Bernabéu, não é para todas as equipas, revela qualidade e conhecimento, embora aquilo que se seguiu, também por culpa própria, represente a ‘outra face’, natural, de um conjunto a reflectir um número razoável de défices, que são decisivos nestes momentos: falta de maturidade e equilíbrio emocional; falta de ‘estofo europeu’, o que não deixa de ser uma consequência do atraso a que o Sporting se submeteu nos últimos anos, quer na competição nacional, quer no domínio internacional.

Se o Sporting atingiu momentos de brilhantismo (João Pereira muito bem na vigilância a Cristiano Ronaldo; Coates imperial na defesa; Adrien fundamental no ‘miolo’; Bruno César decisivo nos seus movimentos interiores; Gelson irrequieto e galopante na direita), excelente na tarefa solidária de anular o meio-campo do Real (Casemiro, Modric e Kroos nunca respiraram) e as suas unidades da frente (Bale, Benzema e CR), a verdade é que acabou por baquear, não tanto por influência de uma arbitragem caseirinha, sem dúvida, mas, repito, por culpa própria.

Quais foram então esses erros?

1. EXPULSÃO DE JESUS – Escusada e despropositada e que teve um reflexo muito negativo, reconhecido aliás pelo próprio treinador do Sporting, que terá colhido a sensação de que, com ele no banco, as coisas poderiam ter sido diferentes. Não há que culpar o árbitro por não ter ‘fechado os olhos’. Jesus tem de meter a mão na consciência e perceber que os maiores prejuízos de protestos gratuitos são ele próprio e a equipa que dirige.

2. SUBSTITUIÇÕES – É sempre mais fácil falar depois, mas durante o jogo fomos colhendo algumas sensações… Jesus esteve soberbo na escolha do onze e na forma como preparou os jogadores para as tarefas fundamentais, um grande trabalho, sem dúvida, que nada me surpreende, e se percebo que um Adrien ‘amarelado’ aos 38 minutos é uma espada de Dâmocles em permanência sobre a cabeça e, portanto, um risco enorme; todavia, a influência do capitão e o enorme jogo que estava a realizar e a ausência de um jogador que assegurasse uma intensidade similar sobre a bola e sobre o adversário que Adrien estava a proporcionar (Elias anda tem muito a melhorar…), talvez aconselhassem a correr o risco… Por outro lado, a saída de Gelson também pareceu prematura, porque ele vinha sendo a figura, estava a dar cabo da cabeça a Marcelo e ao Bernabéu… Markovic também empresta velocidade, mas também ainda não está ‘no ponto’, e foi isso que se viu, as primeiras soluções muito mais de acordo com os ‘padrões de Jesus’, padrões exigéticos, já se vê, e as outras a marcar alguma diferença para pior… Ao longo do jogo, fui sempre colhendo a sensação de que o primeiro jogador a ser sacrificado, na segunda parte, depois do golo de Bruno César, deveria ser o ponta-de-lança Bas Dost, porque tivera uma missão de sacrifício no primeiro tempo (importante também nas bolas paradas defensivas) e a entrada de André ou mesmo de Markovic para a frente de ataque talvez não produzisse um efeito tão evidente no colectivo…

3. GUIÃO... REAL – Jorge Jesus deu sinal de ter preparado muito bem o ‘guião’ para este jogo, menos a parte das substituições do Real. Quando Zidane meteu Lucas Vázquez e Morata (em muito melhor forma do que Benzema, mas foi óbvia a intenção de dar minutos ao francês), meteu velocidade mais mobilidade e a saída de Adrien (rendido por Elias) ainda evidenciou mais a "perda das referências". Não sei se (não) houve tempo para preparar os cenários que se colocariam com hipotéticas substituições de Zidane, mas a verdade é que o Sporting, perante uma equipa fortíssima como o Real (é bom nunca esquecer isso), só nesse período perdeu o controlo do jogo. Era preciso meter a bola no ‘quintal’, jogar feio, se necessário, porque o jogo estava mesmo no fim, e aí funcionou a inexperiência de alguns jogadores do Sporting, a maturidade da equipa do Real e a tensão do próprio jogo. Tudo normal, afinal.

Feitas as contas, uma grande exibição e zero pontos – e a dúvida é se a equipa, em Vila do Conde, vai entrar de cabeça levantada ou se ainda pode projectar o peso da enorme frustração que é morrer na praia, depois de uma tarefa tão ‘heróica’. A verdade é que, na estreia desta edição da Champions, três jogos de equipas portuguesas e dois empates… caseiros, perante equipas acessíveis. Esperava-se no mínimo 6 pontos em 9, porque a derrota em Madrid acaba por ser ‘normal’; os empates frente a Besiktas e Copenhaga não estavam ‘no programa’… E se Cristiano Ronaldo estava, Talisca não…

JARDIM DAS ESTRELAS (4)

Gelson vale mais...

Escrevi aqui, no Record, antes do Europeu, que achava Gelson um jogador diferente, reservado para grandes voos e que, por isso, talvez fosse importante estar na fase final do Euro. Não foi preciso, porque Portugal bateu-se estoicamente contra todas as teses, como não foi necessária a presença de André Silva, que também defendi. Fernando Santos no pós-Europeu já chamou André Silva e, estou certo, acabará por chamar Gelson à equipa principal. Gelson que acaba de realizar um grande jogo no Bernabéu e onde ganhou grande valorização. O Sporting não pontuou em Madrid, mas saiu de lá prestigiado. Jogadores e treinador valem, agora, muito mais. E é assim que se entra num novo ‘estádio de desenvolvimento’.

O CACTO

Mal amanhado

As relações entre os clubes e os jogadores nem sempre são pautadas por respeito mútuo. Há determinados momentos em que, debaixo de contrato, clubes e jogadores defendem interesses diferentes. Se um jogador não conta para um treinador (Aboubakar/Nuno Espírito Santo), não há nada como arranjar soluções céleres. O problema é que os empresários complicam ainda mais o que já é complicado e tudo se tornou mais difícil quando os clubes, na aquisição de parte dos passes dos atletas, ficam cada vez mais dependentes de terceiros. A complexidade aumenta e os potenciais conflitos também. No caso de Talisca, falhou a venda e depois tudo se complicou, com queixas de parte a parte. Não foi bonito e a humilhação a que Talisca quis sujeitar o Benfica, na Luz, é um episódio triste. Quando os jogadores estão de saída ou já mal integrados, não é bonito também tentar-se poupar dinheiro, sobretudo quando se está a falar de um jogador (a emprestar) que é um activo da sociedade. No caso de Luisão, as coisas foram mal feitas e o jogador não pode estar contente. Jorge Mendes não tem mãos para tudo e não consegue resolver tudo. Tudo muito mal amanhado.»
(Rui Santos, Opinião, in Record)


Não me caem os parentes na lama se confessar que aguardava esta crónica de Rui Santos desde que o famigerado Tagliavento apitou para o final do jogo em Madrid. E mais ainda quando o tempo foi passando e de Rui Santos... nada!...

Mas o que é vivo e ainda vai tendo algum crédito no panorama da análise e comentário desportivo deste pobre lugar com tão triste gente e tão tristes labirintos no futebol, sempre aparece e ao fim de quase dois dias de espera, não fiquei defraudado na minha espera, porque sei de muitas coisas para além das entrelinhas que transparecem da crónica e tudo acabou por bater certo com o cenário que antes conjecturara e quase me levara a deixar por aqui, quiçá de forma dura e desabrida, aquilo que agora Rui Santos nos trouxe de forma calma e poderada, com a maior naturalidade do mundo!...

Houve erros em Madrid, sim senhor! Que deverão ser assumidos por todos nós, mas mesmo todos, com o único e exclusivo objectivo de que não mais se repitam. Pronto, já sabes que estou a falar contigo, Jorge Jesus!...

Se queres ser campeão pelo Sporting, está na hora de trocares o teu estafado disco "rígido" comportamental por um SSD!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Gostei do jogo do sporting
    mas atenção que o real esteve
    a jogar pouquinho

    quando o real se assustou e carregou
    no ultimo quarto de hora

    o sporting encostou às cordas

    jogamos bem mas nada de exageros

    o real jogou pouquinho

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  2. O Real jogou aquilo que o Sporting deixou.

    "a verdade é que acabou por baquear, não tanto por influência de uma arbitragem caseirinha, sem dúvida, mas, repito, por culpa própria." - parece normal desvalorizar-se uma 'arbitragem caseirinha' porque não houve expulsões, penalties, golos mal anulados; ridículo. A equipa ficou condicionada a defender com os amarelos desproporcionados a Adrien e William, os tampões do Sporting.

    Haviamos de fazer o seguinte teste: todas as equipas começariam com os médios defensivos e defesas amarelados; aí veriamos quantos golos essas equipas sofreriam.

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