terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A pedir renovação contratual!...


O anti-herói prático

O futebol português adora heróis clássicos: treinadores que falam como generais, prometem cruzadas, exigem mundos e fundos e explicam o fracasso com conspirações e arbitragens. Nesse teatro, Rui Borges é uma anomalia quase indecente. Não porque falhe – mas porque ganha sem cumprir o ritual


«O herói clássico do futebol é fácil de reconhecer: fala alto, promete revoluções, pede contratações, cria epopeia. Rui Borges, o treinador do Sporting, pelo contrário, aproxima-se mais de outra linhagem – a dos anti-heróis que resolvem problemas sem alarde, com soluções que parecem banais, até funcionarem. Há treinadores que precisam de épica como oxigénio. Carecem de guerras, de discursos inflamados, de inimigos declarados e de compras milionárias que sirvam de álibi. E depois há o técnico do Sporting, que parece cometer um pecado capital no futebol moderno: resolve problemas sem espetáculo.

Treinador leonino há pouco mais de um ano, Rui Borges começou por resolver, num ápice, o sintoma de alienação provocado pela deserção do magnético Ruben Amorim, conquistando para os leões uma inaudita dobradinha. Esta época, o Sporting até soma mais pontos do que há um ano (de facto, regista a sua segunda melhor pontuação dos últimos cinco anos), mas a carreira extraordinária e recordista do FC Porto tem-no mantido no segundo lugar da liga portuguesa, a uma distância segura, complicando em muito o sonho do 'tri'. Mas essa ilusória menor resplandecência caseira tem sido muitíssimo bem compensada por uma fabulosa carreira na Champions, que já rendeu 67,09 M€.

O reconhecimento mediático dessa proeza acabou, esta semana, por ser mitigado por força do épico e 'Trubinado' triunfo do Benfica sobre o Real Madrid do desenxabido Arbeloa. Mas o facto de o rival da Luz ter tido uma histórica noite de gala europeia e de, com isso, ter evitado, contra a lei das probabilidades, a prematura eliminação da Liga dos Campeões, não deve apequenar a luminescência do vizinho de Alvalade. Ao fim de 17 jogos da sua histórica memória, o Sporting conseguiu em Bilbau finalmente o seu primeiro triunfo em Espanha, somando 16 pontos (fruto de cinco vitórias e um empate) num calendário em que teve de defrontar PSG, Bayern de Munique, Juventus, Nápoles, para além de Brugge, Marselha, Kairat e Athletic Bilbao. Tão ou mais significativo, ganhou ao campeão europeu (boa resposta a quem diz que só é forte frente aos fracos) e terminou no sétimo lugar de uma classificação em que ficou à frente do City e em que Real Madrid, Inter de Milão, PSG, Newcastle, Juventus e At. Madrid serão obrigados a jogar o playoff. Foi um enorme feito e outros no lugar de Rui Borges teriam mercantilizado sem grandes pudores o facto de, esta época, ser o treinador português com mais vitórias na Europa.

O Sporting vai no quarto jogo a ganhar nos descontos e no domingo acusou o desgaste europeu e deixou muito a desejar frente ao Nacional do promitente Tiago Margarido. Mas nem isso impede que Rui Borges deva ser visto com uma ave rara, quase uma excêntrica mistura de Lucky Luke (o cowboy da banda desenhada que dispara mais rápido do que a própria sombra), Columbo (o detetive mais bem educado das séries policiais) e Mark Watney (o astronauta herói no filme Perdido em Marte – The Martian, no original inglês).

O seu lado Lucky Luke é talvez o mais irritante para quem vive do ruído. O cowboy do oeste selvagem não entra em todos os duelos, não reage a cada provocação, não acelera quando o ambiente pede fogo. Espera. Observa. Deixa o campeonato revelar as suas fragilidades, deixa os adversários cometerem excessos, deixa o ruído gastar-se sozinho. Enquanto os outros disparam para o ar para provar que estão vivos, ele deixa-os falhar sozinhos.

Há também nele o lado mais subtil, quase invisível: Columbo. Há uma ausência quase total de pirotecnia intelectual, mas a aparência de simplicidade, até de normalidade excessiva, é enganadora: discurso simples, frases diretas. Parece tudo demasiado normal para ser brilhante. E é exatamente aí que mora o erro de quem o subestima. Como no detetive de gabardina amarrotada (os símbolos em Rui Borges são o colete sem mangas e o módico relógio Casio), a força está na persistência, no detalhe. Um jogador fora de posição aqui, uma pequena alteração ali, uma insistência que parece teimosia – até que o adversário se contradiz em campo e o jogo cai sozinho. Não há humilhação pública, nem 'checkmate' teatral. Há apenas a prova suficiente para ganhar.

Finalmente, como o astronauta Mark Watney, ele raramente tenta vencer o impossível de uma só vez. A resposta nunca é o desespero nem o discurso grandioso, mas a redução do problema. Ajusta aqui, simplifica ali, reaproveita o que existe. Onde outros veem limitações, ele vê material disponível. Não transforma o Sporting num clube diferente – transforma o dia seguinte num pouco mais viável. Tal como Watney (no filme dirigido pelo premiado Ridley Scott), ele trabalha com recursos finitos e margem de erro mínima. A diferença é que, no futebol português, isso devia gerar drama – e não gera. Em vez de proclamações sobre injustiça estrutural ou perseguições cósmicas, há, como no filme, batatas plantadas em solo impróprio ou fita adesiva para resolver uma calamidade. O lema de ambos parece ser sempre o mesmo: “Usar o que há”, sejam jogadores reaproveitados, sistemas ajustados ou soluções que parecem demasiado simples para serem respeitadas. O treinador do Sporting não tenta vencer o impossível; limita-se a não falhar o próximo passo. O que, ironicamente, é muito mais eficaz.

Como os anti-heróis, não muda o mundo; contorna-o

Tal como Watney, Lucky Luke ou Columbo, Rui Borges vence não porque seja mais forte, mais rico ou mais brilhante – mas porque gasta menos energia do que o problema exige. Numa Liga onde muitos treinadores lutam para parecer grandes, ele limita-se a ser eficaz – e isso, convenhamos, é uma afronta. Porque nada ofende mais um sistema do que alguém que consegue provar, semana após semana, que afinal não era assim tão complicado. Num país onde se confunde intensidade com inteligência e barulho com liderança, isso quase soa quase a sabotagem cultural.

O treinador do Sporting não alimenta a indústria do heroísmo. Não promete redenções históricas, não encena sofrimento, não se coloca acima do clube nem abaixo dele. Trata o futebol como aquilo que ele é: um problema sucessivo para ser resolvido com o menor custo possível. Não promete revoluções, não dramatiza limitações, não pede aplausos pelo sofrimento. Rui Borges não quer mudar o sistema; quer fazer o sistema funcionar, apesar de tudo. Não quer ser símbolo; quer ser incómodo. Não quer mudar o futebol português. Quer apenas ganhar nele. E isso, para muitos, é imperdoável. No futebol, como na vida, nada irrita mais do que alguém que ganha sem fazer grande alarido…»

A pedir renovação contratual!...

Leoninamente,
Até à próxima

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

sábado, 24 de janeiro de 2026

E... Aconteceu!!!...


O inimaginável acontece

"Hoje conto-vos a história daqueles que, em primeira mão, dizem, que os desafios são impossíveis, impensáveis e fora de qualquer cenário lógico. E contagiam todos em seu redor a concordar com a cabeça, muito seguros dessa certeza. Até ao dia em que o inesperado acontece. No início era o choque, o desconforto, e aquele silêncio insuportável, e depois de acções muito assertivas, as teorias resvalaram, e o impensável aconteceu. O mundo - e a bola - continuaram a girar e, para surpresa geral, venceu-se o monstro. E foi então que as convicções caíram uma a uma, sem pedir licença, e no fim ficou a ironia perfeita de que o inimaginável não só aconteceu, como ainda teve a ousadia de, a posteriori, parecer óbvio.

Quando soou o início, o mundo encolheu num retângulo verde e o coração começou a bater mais alto do que a multidão. A vitória nasceu então muito antes do triunfo, nas frias sessões matinais, nos músculos cansados, nas derrotas que ensinam silêncio e carácter. Há instantes em que o tempo parece parar, nos apitos ensurdecedores, no sprint final e no golo impossível. É aí que o sonho deixa de ser uma ideia e passa a ser lembrança eterna. Vencer não é apenas erguer troféus, é também levantar-se quando ninguém vê, porque a vitória chega muitas vezes, suada, feia, mas sempre justa. O herói falha oportunidades, mas marca no fim - e a memória colectiva faz o resto.Porque ganhar é simples: joga-se sofrido, sofre-se jogando e festeja-se exuberando.

O futebol voltou a provar que não é ciência exacta, é teimosia bem organizada. Noventa minutos depois, o marcador contou uma história melhor do que o jogo. Uns golos meio acidentais, umas defesas 'milagrosas' e um herói improvável, que antes não calçava. A estatística dirá que foi justo, o adepto dirá que foi batalhado, e os leões, esses guerreiros, desfilaram no final pelo túnel triunfal. Grande noite leonina."

E... Aconteceu!!!...

Leoninamente,
Até à próxima

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Mais uma "fera" para Borges!...


Salvador Blopa, jovem extremo de 18 anos, acaba de renovar contrato com o Sporting. Num processo que estava há algum tempo em fila de espera, o jovem futebolista que esta temporada se estreou na equipa principal dos leões sob a batuta de Rui Borges, terá rubricado um vínculo válido por cinco temporadas, ou seja, ficará ligado à SAD até Junho de 2030.

Tal como já antecipado, era uma questão de agenda até que o camisola 70, também presença habitual em alguns jogos da equipa B dos verdes e brancos, fechasse aquilo que há muito desejava, tanto como o clube que o formou e lançou no futebol profissional. Ao que se conseguiu perceber, a cláusula de rescisão do internacional sub-19 deverá ter ficado nos 80 milhões de euros.

Mais uma "fera" para Borges!...

Leoninamente,
Até à próxima

Medida justa e correcta!!!...



Medida justa e correcta!!!... 

Leoninamente,
Até à próxima

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

"Chama-lhe p... filha, antes que ela te chame a ti"!!!...

Tito Arantes Fontes responde a Mourinho: «Teve o despudor de falar de Hjulmand mas saiu-lhe o tiro pela culatra»

Antigo presidente do grupo Stromp também critica a transmissão do dérbi na BTV

«Tito Arantes Fontes analisou, na sua habitual coluna de opinião no jornal 'Sporting', o dérbi com o Benfica (1-1) que considerou "sensaborão". Lamentando o facto do encontro só ter sido transmitido na BTV, o antigo presidente do grupo Stromp virou baterias à "agressividade" permitida aos jogadores do Benfica pelo árbitro António Nobre e ainda criticou José Mourinho por ter criticado Hjulmand.

"Corolário do encontro da Luz é a extensa onda de lesões que o Sporting agora enfrenta. A agressividade foi patente nos jogadores adversários, em vários. Trincão sofreu uma entrada duríssima. Quenda partiu o pé. Catamo salvou-se de lesão muito grave. Pote ficou novamente 'tocado'. Várias lesões, vários jogadores impedidos de ir a Munique defender as cores do Sporting, o clube mais bem classificado na Champions e que segue honrando o futebol português. No saldo disciplinar e final da partida foram cinco cartões amarelos para os jogadores do Sporting e apenas dois para o Benfica. De adicionar, claro, a única expulsão do jogo, uma bárbara entrada de um jogador encarnado, em autêntico 'voo picado', por trás, a Geny Catamo", assinalou o antigo dirigente antes de apontar a José Mourinho: " Teve o despudor de – no final do jogo – vir falar de Hjulmand… mas saiu-lhe o tiro pela culatra! Na verdade, Mourinho foi logo – e bem! – desmentido de modo brutal pela generalidade da comunicação social portuguesa! Afinal Hjulmand não é o tal de 'intocável', mas isso sim o jogador mais causticado com amarelos na Liga portuguesa! Com a verdade se calam atoardas que são autênticas falácias sem qualquer sustentação na verdade, nomeadamente na verdade desportiva! O treinador encarnado merece ainda nota claramente negativa pela defesa, até o elogio, que fez do seu jogador que fez a tal entrada duríssima sobre Geny Catamo, a que acima nos referimos. É uma falta antidesportiva! Não deve nunca merecer qualquer elogio. É anti-futebol!".

À margem do jogo, o colunista leonino também lamentou o facto de milhões de adeptos - onde se incluiu - terem ficado impedidos de assistirem ao dérbi. "É uma singularidade bem lusitana, esta, a de se permitir que haja um clube – sempre o mesmo – que tem direito a 'excentricidades' deste quilate. Enfim, coisas do nosso Portugal! Falo, pois, nesta coluna com base nos excertos que consegui apanhar nos telejornais e nalguns programas desportivos dos 'canais normais', não 'engajados', em sinal aberto ou mediante subscrição", sublinhou. 

"Chama-lhe p... filha, antes que ela te chame a ti"!!!...

Leoninamente,
Até à próxima

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A Alma Criativa do Bi quer o Tri!!!...


Cada vez mais e melhor Trincão

«A primeira grande contribuição da universalidade no futebol aconteceu com o sublime Ajax de Rinus Michels, a que Stefan Kovacs deu a plasticidade de uma das mais fabulosas criações da história do jogo – sempre à volta do génio de Johan Cruyff. Essa expressão inovadora encerrava a complexidade, hoje trivial, de ninguém se sentir desconfortável em qualquer zona do terreno, perante situações exigentes de capacidades técnicas e tácticas não consideradas essenciais. Jogadores polivalentes sempre houve – em Portugal, Germano Figueiredo, central de topo mundial, foi médio, avançado e até a guarda-redes teve de jogar (e bem) na final da Taça dos Campeões de 1965. Elevar essa virtude ao colectivo é muito mais raro e difícil.

Como força motriz da máquina e meio de fortalecê-la pela via da abrangência funcional de cada elemento, a capacidade de dominar mais do que uma tarefa constitui um modo de potenciar a qualidade global. George Bernard Shaw (1856-1950), dramaturgo irlandês e Prémio Nobel da Literatura (1925), não pensava em futebol quando assumiu a paternidade de um conceito suficientemente profundo para nos fazer pensar: “O especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos e, por fim, acaba sabendo tudo sobre nada”.

Trincão, extremo imprevisível, instintivo, rápido nos deslocamentos, com perfeita articulação motora e facilidade em eliminar adversários, abandonou a vida junto às linhas laterais e passou a jogar no meio, como alma criativa do bicampeão nacional. Joga cada vez mais e melhor, aumentando a preponderância de um jogo colectivo dimensionado em larga medida pela sua contribuição.

Junto à linha lateral na direita, flanco mais adequado à sua natureza de esquerdino, Trincão era um desestabilizador encartado, que descobria e inventava espaços, definia bem e decidia em prol da equipa: altruísta quando devia ser ou assumindo ele próprio a óptima relação mantida com o último toque – nas três primeiras épocas em Alvalade somou 34 golos e 30 assistências. Rui Borges assumiu o desígnio de colocá-lo mais próximo do centro de decisão do jogo, na pele de motor do processo ofensivo. O resultado tem sido excepcional, porque transportou para o eixo as qualidades de extremo e acrescentou-lhes os atributos de quem, por visão, técnica, influência e sentido táctico, se tornou um potencial desbloqueador de situações delicadas.

Trincão tem sido o melhor atacante da Liga, o mais brilhante e decisivo; o mais influente no rendimento dos outros e o mais preponderante na qualidade da produção. Por estilo, confiança e momento, impõe-se pela forma como acelera o jogo e lhe dá intensidade, com e sem bola (é um importante defensor em zonas adiantadas); cumpre todos os requisitos que lhe permitem esperar pela inspiração trabalhando como operário; funciona como denominador comum da manobra, contribuindo em larga escala para a vertigem que caracteriza a aproximação à baliza. E nada disso lhe retira clarividência, nem a noção de equilíbrio e demais responsabilidades inerentes a quem pisa terrenos centrais.

Com cinco golos e três assistências, em 17 jogos, Trincão caminha para uma época estatisticamente ao nível das anteriores. Há cerca de dois anos, em entrevista a Record, Vicktor Gyökeres disse estar fascinado pelo tiro fácil e certeiro do companheiro: “Tem uma finalização espantosa a longa distância”. Quando aperfeiçoar o que faz melhor longe dos nossos olhares (nos treinos) tornar-se-á um craque universal.»

A Alma Criativa do Bi quer o Tri!!!...

Leoninamente,
Até à próxima