segunda-feira, 11 de julho de 2016

Valha-nos ao menos o título de Portugal não ser imerecido!...


TÍTULO DE PORTUGAL NÃO É IMERECIDO

«É claro que a França dispôs das melhores oportunidades para marcar no jogo da final do Europeu, mas Portugal não é um campeão imerecido. A selecção portuguesa começou por tirar o melhor proveito do novo sistema competitivo, que lhes permitiu a qualificação, mesmo depois de ter ficado em terceiro lugar na fase de grupos. Mas, já nos oitavos-de-final, venceu no prolongamento a Croácia, que era, em meu entender, uma das equipas favoritas ao título. Agora, derrotou a França, numa partida em que Portugal se foi encontrando no decorrer do jogo, dando depois a impressão que se encontrava melhor fisicamente do que o seu rival.

Podemos discutir, por outro lado, a razão de a final ter girado tanto em redor de um jogador – Cristiano Ronaldo – que não esteve mais de 25 minutos em campo. Foi uma entrada indiscutivelmente dura de Dimitri Payet, mas não creio que tenha sido suja. É a típica infracção que pode ocorrer numa final. A verdade é que, desde esse momento e até ao fim da partida, as câmaras de televisão estiveram todo o tempo com Cristiano Ronaldo: para vermos como estava sentado no banco e como chorava de dor.... Acabou por ser ele o primeiro a levantar a taça – com toda a lógica, pois era o capitão –, depois dos seus companheiros vencerem a partida. Jogou pouco tempo na final, é um facto, só que , contra a Hungria e o País de Gales, Ronaldo fez a diferença. Aliás, o seu cabeceamento frente aos galeses fará, seguramente, com que muitos seleccionadores votem nele para a eleição da Bola de Ouro. Quanto aos seus companheiros, também têm todas as razões para estarem felizes, porque demonstraram que podem resolver um jogo sem a sua estrela.

Não creio, em rigor, que tenha havido uma única equipa, das 24 em competição, capaz de convencer plenamente. Este não foi um torneio para os amantes do ‘futebol gourmet’. Muitos jogadores surgiram fisicamente esgotados, por força de uma longa temporada com muitas competições.

Será mesmo difícil formar uma equipa ideal do torneio. Por exemplo, no Mundial de 1990, podia colocar-se lá muitos alemães, em 1986 alguns argentinos e, em 2002, um par de brasileiros. No Europeu de 2016, não creio que haja muitos franceses nem muitos portugueses.... Portugal ganhou apenas um jogo nos 90 minutos, o 2-0 frente ao País de Gales, nas meias-finais. Isso diz bem da mentalidade desta selecção, bem como do modo como foi melhorando de produção ao longo da prova, algo que também só aconteceu com a Alemanha, embora esta nada pudesse fazer diante de França, nas meias-finais. 

Se Bastian Schweinsteiger não confundisse futebol com andebol, no encontro contra França, como aliás também aconteceu com Jêrome Boateng, nos quartos-de-final, frente a Itália, talvez a equipa germânica não tivesse consentido um único golo durante o torneio. Schweinsteiger privou a sua equipa da merecida recompensa. Quando queres jogar em todo o campo sem teres adquirido ritmo de jogo durante a temporada, então chega um instante em que fazes coisas que normalmente não farias... Logo de seguida, Antoine Griezmann marcou o segundo golo, o único que a Alemanha sofreu sem ser de penálti, e a partida ficou decidida.

Paul Pogba, o jogador francês da Juventus, parecia estar destinado a ser a estrela desta competição, só que não é um Messi nem um Cristiano Ronaldo, apesar de ter só 23 anos. Não deixou a melhor impressão, mas tem agora a possibilidade de chegar ao Manchester United de José Mourinho, a troco de 130 milhões de euros. Aí está o dinheiro dos direitos televisivos em Inglaterra...

Houve, na realidade, duas estrelas apenas neste Europeu. Uma foi Griezmann, e não só por ter apontado seis golos pela França. Foi também um perigo à solta na final. Além de tudo isto, a precisão no passe que demonstrou tornaram-no no melhor jogador do torneio. Atrás dele, surgiu o galês Gareth Bale. Eles foram , afinal, os principais rostos do Euro’2016.

Mas Éder também me surpreendeu. Substituiu Renato Sanches e apontou o golo do título com um disparo de longa distância. É forte no jogo aéreo, no drible, e é rápido. Gostava de tê-lo na minha equipa, apesar de actuar no Lille e, antes deste golo, ter um valor de mercado de 5 milhões de euros.»
(Lothar Matthäus, Crónica, in Record)


A crónica de Lothar Matthäus sobre o Euro'2016 não engana ninguém: é a crónica fria de uma "pedra de gelo alemã", com apenas uma leve e surpreendente nuance quando elogia Éder de forma pouco germânica.

Valha-nos ao menos o título de Portugal não ser imerecido!...

Leoninamente,
Até à próxima

1 comentário:

  1. Boa possibilidade de negócio para o Éder...

    O Lothar pode comprar o passe...e depois não se venha queixar de está à espera que ele meta um golo...!!

    Os comentários acerca de Portugal...

    Bem...há um "dito" em português que eu não sei dizer em alemão...
    Que é a chamada "dor de c..."
    Eu ainda podia ir ao traductor...mas pode sair alguma coisa simpática e "não me apetece ser simpático" para quem...é antipático para nós...

    SL

    E vivam os nossos "Aurélios"...!!

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