segunda-feira, 17 de outubro de 2016

São lixadas as dores de lumbago!...


De Xanana Gusmão a Luís Filipe Vieira

O presidente do Benfica desceu das montanhas, tomou o palácio e agora quer boas maneiras à mesa

«A semana que acabou foi a dos cortes anunciados. O Porto quer cortar na despesa, o Benfica quer cortar na injúria. São dois tipos muito diferentes de economia. O primeiro faz-se, normalmente, quando se perde; o segundo faz-se quando se ganha. Se estamos escondidos no mato, vestidos de camuflado e em acções de guerrilha, as maneiras à mesa não interessam, mas quando se ocupa o palácio e se começa a receber embaixadores, já chateia muito, perdão, apoquenta muito que um antigo camarada mastigue de boca aberta e pique o faisão com o garfo do peixe. Luís Filipe Vieira é uma espécie de Xanana Gusmão. Teve a sua fase Che Guevara, não muito diferente daquela em que está Bruno de Carvalho, nem menos ofensiva para quem se lhe atravessou no caminho, mas já assaltou o trono há três anos e até se emancipou dos poderes miraculosos do Rasputine Jorge Jesus. Um estadista não pode dar-se com um bombista, pelo menos em público. Foi assim que o ideólogo do Benfica animal feroz (não foi só ele, atenção, e nem todos saíram da Luz), Rui Gomes da Silva, acabou recambiado para a floresta e reduzido à pequena esperança de que, um dia, apeteça a Vieira assinar um cessar-fogo com as FARC. Não sei se há adeptos que nasceram para perder, mesmo quando ganham, mas sei que há adeptos cujo habitat é o da derrota, tal como o cabelo é o habitat do piolho. Percebe-se a comichão do presidente do Benfica, embora fique no ar a pergunta: e quando não ganhar, onda parará a etiqueta? Talvez dependa do tempo que passar, entretanto. No Porto, a etiqueta foi tudo o que sobrou. Pinto da Costa desceu das montanhas há trinta anos (e terraplanou-as para construir um condomínio), a ferrugem levou-lhe a Kalashnikov e deixou no lugar dela um grosso livro de cheques, que era suposto não enferrujar também, mas nenhum Gomes da Silva que saiba o caminho volta ao mato.»
(José Manuel Ribeiro, Opinião, in O Jogo)

Tomates! Tudo gira à volta deles na pasquinada que se dedica a enganar os "papalvos da bola" e a viver à custa disso.

Uns cultivam-nos, mas na hora da monda e da poda - termo erudito do acto de os capar! - desculpam-se com as dores do lumbago para justificarem a proliferação das ervas daninhas e os tomates, consequentemente, acabam por desaguar numa natural condição de raquitismo, estiolam, fenecem e acabam num monte nauseabundo no meio da seara, que os tractores mais tarde hão-de sepultar na preparação para nova safra.

Outros arriscam a construção de estufas e o recurso à monda química e ao condenado e forçado crescimento por processos pouco naturais e ortodoxos, também químicos, e acabam por ser capazes de rechear as prateleiras das grandes superfícies... 

E nesta estranha dicotomia vão vivendo a bola indígena mai-la porca da política nacional, numa manifestação de folclore rasca, onde predominam os bombos, os adufes, os cântaros com abanadores, as gaitas de foles, as concertinas e os ferrinhos...

José Manuel Ribeiro lá vai conseguindo uma produção razoável de tomates, ainda que a qualidade deixe por vezes a desejar. Facto que muito dificilmente ocorrerá com os seus homólogos Serpa e Magalhães...

São lixadas as dores de lumbago!...

Leoninamente,
Até à próxima

3 comentários:

  1. Esta prosa peripatética é um monumento à lisonja e à sabujice do mais reles que há. Sem maneiras nenhumas. À grande e à pasquineira.

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    1. Oh noureddine e se contactasses o Alexandre Soares dos Santos. É que o homem talvez esteja interessado nos teus tomates p'ró Pingo Doce!...

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  2. Amigo Álamo, JMR vai escapando com as suas crónicas mais ou menos razoáveis, por entre os pingos da chuva, mas considero, a analogia que fez entre Filipe Vieira e Xanana Gusmão, como uma forma de branqueamento do passado tenebroso do rei dos peneus, teria sido mais justo utilizar a saga dos "Corleones italianos" como comparação....

    SL

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