quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Ninguém alcança a perfeição!...


A história da participação do Sporting na presente edição da Liga dos Campeões ficará para sempre ligada àquele protesto de Jorge Jesus no jogo de Madrid, iam decorridos 58 minutos, sobre o cartão amarelo mostrado por Paolo Tagliavento a William Carvalho. A ausência do treinador leonino do banco acabou por concorrer, quiçá decisivamente, para a derrota naquela partida e o seu posterior afastamento por dois jogos, devido ao castigo imposto pela UEFA, continuaria  a ser determinante em ambos.

Contra o Legia de Varsóvia Raul José, com alguma dificuldade, lá conseguiu levar a nau leonina à vitória: o grau de dificuldade era substancialmente menor. Já ontem contra o Borussia a presença de JJ no banco talvez não tivesse permitido que a "soneca do leão" se prolongasse por toda a primeira parte e, mais grave do que isso, que o Sporting continuasse a jogar com 9 até à entrada de Bruno César aos 60' e Campbell aos 65'.

Claro que o jogo viria a revelar o tremendo erro estratégico de Jorge Jesus ao entregar a titularidade a Elias e Markovic. E isso aconteceria muito provavelmente também, se estivesse no banco. Só que conhecendo JJ será difícil de admitir que  ele no banco tivesse permitido que o Sporting continuasse a jogar com 9 unidades muito antes o intervalo.

Mas não terá sido apenas a incorrigível falta de control de Jorge Jesus a ditar os acontecimentos em que a presente época tem sido fértil, particularmente nos três jogos até agora disputados na Liga dos Campeões. Haverá uma vertente no trabalho do treinador leonino desde a preparação ao arranque da época, que se vem revelando bem mais desastrosa. Refiro-me naturalmente à política de contratações em que o dedo de JJ foi determinante e que infelizmente se traduz neste momento, no facto incontornável de entre 11 atletas contratados - Beto, Douglas, Petrovic, Elias, Meli, Markovic, Campbell, André, Castaignos, Alan Ruiz e Bas Dost, apenas este último ser títular indiscutível. E este facto tem pesado até ao momento e muito dificilmente não continuará a pesar até final da época. 

Julgo que será o perfeccionismo perseguido por JJ que poderá estar na origem da irrazoável e excessiva vertigem que há muito parece demonstrar e para a qual acaba por arrastar os corpos dirigentes dos clubes a quem serve. Jorge Jesus parece não ter sido capaz até ao momento, apesar de toda a sua incontestada experiência e saber específico, de interiorizar que o bom sempre será inimigo do óptimo. Vive num estranho e utópico universo de estrelas, sem se lembrar sequer que cometas e planetas também gravitam nesse  mundo e que, particularmente no futebol, sempre haverá talento misturado com carregadores de piano.

Ironicamente, parece ainda não ter sido capaz de compreender e concorrer para que nos clubes por onde tem passado, tão importante como alcançar o êxito desportivo, será a sua decisiva contribuição para a busca incessante da redução dos chamados "flops", de braço dado com o consequente equilíbrio económico e financeiro que daí resulta.

Jorge Jesus será, muito provavelmente, um dos melhores treinadores do mundo, mas ai dele se alguma vez esquecer que...

Ninguém alcança a perfeição!...

Leoninamente,
Até à próxima

7 comentários:

  1. Ninguém é o melhor treinador por aquilo que os seus admiradores pensam que ele poderia ser... É-se o melhor treinador através do único método de aferição: os resultados. Não quero saber do futebol vertiginoso. Quero resultados e títulos. Não me importo de para alcançar esse desiderato ter de jogar na retranca. É aqui que temos de dar valor a Fernando Santos, que consciente das limitações da nossa seleção. adaptou-se às outras equipas Quanto a Jesus: já não é compreensível nem aceitável a forma como sofre golos em catadupa.. Ele diz que é o maior, ganha como isso, mas não obtém resultados correspondentes.

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    1. "É-se o melhor treinador através do único método de aferição: os resultados."

      Os resultados nem sempre espelham o trabalho completo do treinador. No futebol (sem falar nas "ajudas") o factor "sorte" tem um peso importante. E é melhor nem recorrer aos clichés do género "a sorte não se tem, faz-se", pois não estamos a falar de algo previsível nem de algo em que se pode garantir resultados mediante planificação adequada.

      Zinedine Zidane ganhou a CL na época que passou sem que a equipa alguma vez tenha denotado verdadeira segurança e pujança (a não ser frente a adversários de menor valia). Já na Liga Espanhola, o RM acumulou exibições pobres com exibições com alguma qualidade. No final, ficar a 1 ponto do Barça foi tanto resultado do labor da equipa e de Zidane como foi da paupérrima forma em que o Barça chegou ao ultimo mês.

      Nem sempre ganha o melhor. Logo, o resultado nem sempre espelha quem é o melhor, quem planifica melhor.

      O que é inegável, isso sim, é que a um Sporting majestoso em Madrid se seguiu um Sporting incerto, medroso, carregado de falhas no plano ofensivo e defensivo. Algo se passou a partir de Madrid.

      Dir-lhe-ei uma coisa: ao contrário de muitos, nunca meti na cabeça que JJ era infalível. É fácil ser-se (quase) infalível num clube em que se juntam (a) uma equipa comprada com milhões e (b) uma estrutura extra-futebol montada para proteger clube e equipa sénior.

      Ora, se é verdade que este ano o Sporting gastou bastante mais do que o seu normal para dar a JJ o que ele pretendia, a verdade factual e inegável é que no Sporting é inexistente (felizmente) a tal estrutura extra-futebol que garante resultados quer se jogue bem ou mal. Por alguma razão a PJ, UMA VEZ MAIS, voltou ao estádio desse clube para recolher evidencias ou fazer mais averiguações devido a "caso dos vouchers". Não sejamos ingénuos, não pensemos que no clima actual se pode ganhar frente à maquina encarnada - impossível.

      Quanto a JJ e a Europa: RM é o maior colosso europeu. Ponto final. Borussia de Dortmund é um pequeno colosso europeu (já ganhou uma Champions, e tem mais experiência do que qualquer equipa portuguesa). O futebol espanhol foi campeão europeu 2 vezes, e campeão mundial 1 vez. O futebol germânico foi multiplas vezes campeão do mundo e da europa. As equipas portuguesas dificilmente podem competir contra estes colossos. PONTO FINAL.

      Quer isto dizer que a equipa do Sporting esteve bem no jogo contra o BD? Não. Amedrontou-se. Não correu. Não foi fisicamente forte. Não foi rápida. Não foi precisa nas marcações, não foi precisa nos passes, e não foi precisa frente ao guarda-redes adversário. E isso é responsabilidade, sem duvida, de JJ.

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    2. Se o Álamo me permitir que acrescente só isto:

      a propósito de Fernando Santos. Veja o curriculo dele. Até á vitória no Euro (a forma como o conseguimos diz muito mais do que o jornalixo nos vende) ninguém o considerava um treinador ao qual se pudesse aplicar o rótulo de "melhor", "forte", "ganhador". Agora que ganhou, já se sabe, serve de exemplo...pois.

      Até ao jogo de Madrid, ninguém, no universo do Sporting levantava a voz contra a defesa da equipa do Sporting ou a sua capacidade goleadora. Agora que as coisas não correm bem, a crítica sai fácil.

      E curiosamente, a critica que agora sai fácil a muitos é EXACTAMENTE A MESMA que os lampiões usam para intoxicar o universo Sportinguista.

      Acho ainda menos aceitável a crítica de tom pessoal, com traços de azia/raiva encarnada, que alguns fazem ao JJ. "Ele diz que é o maior" é algo que os encarnados passaram a usar depois de JJ se ter mudado para o Sporting. Percebo esse tipo de crítica vinda dos lampiões, custa-me a aceitar que Sportinguistas verdadeiros se colem a esse discurso demagogo e traiçoeiro oriundo dos lados de carnide.

      Caro Helder...vejo também que a sua critica não menciona (por que será?...) um facto que o Álamo refere e é fulcral para o que se passou em Madrid e ontem em Alvalade: a falta de JJ no banco.

      Críticas como a sua casam muito bem com as críticas dos "anonimos" (o mesmo aliás) das 20:08 e 20:09, que, obviamente, provêm do universo encarnado.

      Os Sportinguistas verdadeiros não são cegos e estão atentos. Tal como o BdC está atento e sabe o que se passa.

      Não devemos, nem podemos permitir que "reflexos patelares" nos façam dar tiros nos próprios pés.



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  2. JJ no vencimento é dos melhores do mundo

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  3. Se não ganhar o campeonato pode ir

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  4. Ninguém alcança a perfeição mas sei que os há que dela mais se aproximam!
    Com o Barça-Man City hoje para mim foi uma espécie de 3 em 1!
    Primeiro o abraço fraterno entre dois amigos que hoje se defrontavam num estádio que lhes foi comum!
    Segundo e eu, (de tão habituado) até pensava que não: assisti ao jogo pela TV (que sempre é muito melhor que o livestreaming)!
    Last but not the least: este tipo de futebol encanta-me! Sei que há quem lhe chame "boring footbaal" mas só pode ser gente que não aprecia a arte que se pode encontrar num rectângulo de futebol! Quanto ao jogo o melhor é tentar vê-lo de noovo!

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  5. Todos cometemos erros, mas se o arbitro não anulasse o golo ao coates e empatássemos a 2 estaríamos a ter esta conversa?

    António

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