sábado, 15 de novembro de 2014

Dramaticamente nu !!!...



Há já algum tempo, que se me impôs o desejo de clarificar uma questão, nesta minha relação com aqueles que me dão o privilégio de acompanharem o que por aqui vou escrevinhando. Por um lado, pela contenção nos comentários a que de todo não estava habituado. Por outro, pelas mensagens que me têm chegado através do contacto pessoal, desde sempre disponível e nunca escondido no blog.

Obviamente que não precisei que me assobiassem, para perceber o cerne da questão que justificará uma certa e silenciosa animosidade, que naturalmente compreendo, mas da qual não me creio minimamente merecedor.

Todos me conhecem há tempo suficiente, para que não restem dúvidas em ninguém, sobre o que penso de Bruno de Carvalho, em boa hora eleito Presidente do Sporting Clube de Portugal, com a contribuição da insignificância dos meus votos. Mas inferir daí, que eu estaria obrigado a prosseguir com uma obrigatória aspersão de água benta, sobre todos os actos que tem protagonizado desde a sua tomada de posse, será uma conclusão precipitada e tremendamente injusta para mim, apenas possível nos espíritos que não me conheçam. Tive a felicidade e a alegria de me libertar em 25 de Abril de 1974, do espartilho do unanimismo a que fui forçado ao longo de 28 anos da minha vida. E jurei solenemente nessa madrugada redentora, que… NUNCA MAIS!...

Por intuição, apenas por mera intuição, sempre julguei ver em Bruno de Carvalho, o “vulcão de sportinguismo” que desde João Rocha deixara de ver em Alvalade, sem alguma vez colocar em causa o sportinguismo de todos os lideres leoninos, que se perfilaram entre os dois. Estes quase vinte meses de mandato, apenas confirmaram, na prática, a assertividade do que havia intuído.

Bruno de Carvalho é, realmente, um “vulcão de sportinguismo”! Mas como todas as tremendas forças da Natureza que determinam qualquer erupção, comportará benefícios surpreendentes e até inimagináveis, e riscos que deverão ser seriamente avaliados, ponderados e inteligentemente amenizados, ou melhor, mesmo anulados, se apenas tivermos em conta o glorioso e nosso grande amor, Sporting Clube de Portugal.

Qualquer vulcão, independentemente da zona onde ecluda, poderá dar origem a novas ilhas e terras, novas espécies, novas riquezas minerais, novas rotas e proventos turísticos… Porém, o reverso da medalha estará incontornavelmente preenchido com sangue, suor, lágrimas, morte e desespero, se o Homem subestimar as forças da Natureza.

Aqui do meu canto, ao longo destes 20 meses do mandato de Bruno de Carvalho, adquiri já a certeza de que para que o Sporting Clube de Portugal possa vir a ser apenas beneficiário do poder quase sobrenatural deste “vulcão de sportinguismo”, terá que estar atento e criar defesas, também quase sobrenaturais, aos efeitos que poderão vir a revelar-se terrivelmente nefastos, de uma erupção desta natureza.

E meus amigos, aquilo que porventura, nos últimos tempos, vos terá decepcionado em mim, nos meus textos, nas minhas reprovações, nas minhas críticas e condenações, não será a exorcização do “espírito mau” que entre nós se instalou. Nada disso. Será apenas a minha contribuição, para que os danos da erupção seja reduzidos ou mesmo eliminados, numa tentativa, quiçá quixotesca, de que apenas os benefícios possam ser contabilizados pelo “nosso grande amor”!

A minha admiração pela força quase sobrenatural que emana de Bruno de Carvalho, continua intacta. Mas seria hipócrita perante mim mesmo e perante todo o fantástico universo leonino, e em particular perante quem me lê, se não afirmasse, com a coragem que queiram ver na minha atitude, que o rei, podendo ser um modelo de virtudes e imprescindível ao futuro do reino, por vezes esquece-se e sai de casa… nu!...

DRAMATICAMENTE NU !!!...

Leoninamente,
Até à próxima

9 comentários:

  1. Os meus sinceros parabéns pelos seus comentários.
    Tenho seguido os mesmos já algum tempo por sentir neles as palavras de um bravo e culto leão, que a muitos tem dado muitas lições de brio e educação. Não votei no actual presidente, o que não me impede de ver o bem que ele tem dirigido o destino do clube, embora com entradas em certas curvas da longa estrada que ele se obrigou a percorrer, que podem originar perigos graves à sua pessoa, e logicamente a todos os que amam o Sporting Clube de Portugal. SL

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    1. Ao caro leão Phidalgo012, o meu sensibilizado obrigado, pelo seu comentário. Penso que tenho feito o que está ao meu alcance, para ajudar a "temperar o aço", que também reconheço estar no actual presidente.

      Fortes Saudações Leoninas

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  2. Já o disse mais do que uma vez e volto a dizê-lo...: não votei em BC...mas tenho-o apoiado na maior parte das acções que tem desenvolvido em defesa do Sporting...

    BC é aquilo de que se diz...ser talvez "politicamente incorrecto"...

    É um homem "que pensa com o coração e atropela muitas vezes a razão" em defesa da "sua dama...: o Leão..."...!

    Normalmente as pessoas esperam que estes lugares "sejam ocupados" por pessoas capazes de dizer sim, mesmo quando pensam não...e o inverso...

    BC já demonstrou que não é assim e se não fosse o seu amor ao Sporting, quase que se poderia dizer que "não servia" para presidir aos destinos do "nosso comum amor"...dentro dos parâmetros a que nos vínhamos (inflizmente) habituando...

    BC é uma força da natureza, "um vulcão" como lhe chama o amigo Álamo...e tal como um vulcão, muitas vezes faz aquilo que em bom português o povo diz..: "arranja com as mãos e estraga com os pés..."

    Às vezes, ao ouvi-lo, quase nos dava vontade de "atrasar o registo" para concluirmos "que sonhámos" e ele não disse isso...

    Mas a verdade também é que BC tem "muitos inimigos"...

    Tem-nos na CS, que se habituou a "malhar" nos interesses do Sporting...sem que alguém os defendesse capazmente...
    Situação que deixou de acontecer com BC...é verdade que eles dizem mal de nós na mesma, e aproveitam as acções do Presidente...para enraivecidos ainda atacarem mais...
    Mas contra esse já nós estamos vacinados...

    Tem inimigos entre alguns dos seus antecessores...porque teve o desplante de "lhes descobir a careca..."...

    E se até às vezes devesse ter um pouco mais de cuidado, como "não teve" recentemente ao referir-se ao dr Dias da Cunha, talvez fosse melhor...mas também não é menos verdade que Dias da Cunha "se pôs" a jeito...
    Dizer que este Presidente tornou o Sporting num Clube "rasca" depois da pesada herança que ele e outros lhe deixaram para resolver..."exigia" no mínimo que Dias da Cunha se tivesse remetido ao silencio...ou também ele, mais comedido no palavreado...

    Depois "tem inimigos", entre alguns daqueles que faziam parte "das gorduras" que iam aos poucos definhando o Sporting e é ver como espalhados por diversos blogs, se atiram a BC...como gato a bofe...depois de terem deixado de ter lugar assegurado como VIP's...de meia tigela...

    Não diria que BC às vezes "vai nu"...mas admito que muitas vezes" salta a terreiro em cuecas", quando nós o desejávamos ver de fato e gravata...

    Mas o homem é assim e parece não haver nada a fazer, por isso, da minha parte...enquanto continuar a fazer o melhor pelo Sporting...tem o meu apoio...

    Mesmo que de vez em quando...salte dos cariis...!!

    Mas é claro que também não direi sim a tudo...se "nesse tudo" houver um prejuizo maior do que um beneficio para o Clube...

    Bom fim de semana...

    Abr e SL

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    1. Estmado amigo Max, permita que lhe diga que o meu grau de exigência para com o Presidente do Sporting de Portugal, face a tanto bem que ele trouxe ao Clube, será muito, muito reduzido!...

      Repare que eu apenas desejo ver nascer o dia em que ele não "salte a terreiro em cuecas", ou porventura não "salte dos carris"!...

      Acha que sou exigente?!...

      Abraço e SL

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  3. Natureza (psicológica), instinto, emoção, sentimentos, experiência e estudo, memória, raciocínio.

    A todos nós, humanos, sem a omnisciência de Deus, falta-nos informação.
    Não só a nunca obtida ainda pela observação, pelo estudo e pela ciência universal, mas mesmo, a grande maior parte da que já é património da humanidade.
    Que falta nos faz ler e reler a tetralogia de António Damásio, avalizada pela sua base científica e experimental.
    Que sedimentam e credibilizam o que tantas introspecções e teorizações já intuiam.

    As experiências de vida (vivências) interagindo com a natureza psicológica e instintiva dos indivíduos provocam-lhes reacções emotivas.
    A sucessão de emoções relativas aos mesmos temas ou objectos conduzem à criação e instalação de sentimentos.
    Os sentimentos instalados vão interagindo no futuro com novas emoções e experiências que, serão agora, umas vezes causa e outras efeito desses mesmos sentimentos, agora sujeitos, como é natural, a variações de tonalidade e de grau, também por interferência dalgumas interpretações racionais.
    Talvez estejamos agora a entrever a evolução do que chamamos o carácter do indivíduo

    A razão (racionalidade ou raciocínio), é apenas a capacidade do indíviduo pôr ao serviço daquelas (emoções e sentimentos), todas as capacidades intelectuais do raciocínio e da memória.
    O raciocínio e a memória vão trabalhar com todas as experiências e aprendizagens obtidas através da observação e do estudo, desde o nascimento.
    Obras e atitudes decorrentes vão condicionar, por elas e pelos seus efeitos, novas emoções e modelar velhos e novos sentimentos.

    Em todas as elaborações obtidas com o estudo, a memória e o raciocínio, estão subjacentes, como fermentos e catalizadores, a natureza, o instinto, as emoções e os sentimentos.

    Todas as obras e atitudes estando desta forma condicionadas, como não estarem de igual modo condicionadas quer a interpretação, quer a avaliação quer o julgamento, dos atingidos, dos companheiros de causas, dos adversários e até dos observadores ?
    Só uma combinação milagrosa de carácter, características e experiências, permitiria a concordância absoluta de opinião entre dois indivíduos e, por conseguinte, a atribuição da perfeição de um ao outro.

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    1. Quem se atreverá a negar, uma vírgula que seja do comentário do caro Almano?!...

      Eu, por certo que não. Mas sempre me atreverei a perguntar-lhe, qual a "combinação milagrosa de carácter, características e experiências", que levará milhões e milhões de indivíduos comuns a revelarem "concordância absoluta" com Martin Luther King, Mahatma Gandhi ou Nelson Mandela?!...

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    2. Só poderei concordar na existência de “concordâncias absolutas” com citações, discursos e opiniões das personalidades que citou.
      Duvido que pudessem ser tão “absolutas” para todo o conjunto das suas “obras e atitudes”, se conhecidas completamente e em pormenor.

      O caro Álamo fez bem em lembrar “emoções e sentimentos” que podem levar à nossa humana veneração por personalidades que, de tanta impacto que nos causaram pelo que delas conhecemos de admirável (com públicas virtudes mas por certo com vícios privados…), nos chegam obliterar a clara observação e o normal espírito crítico.
      Eis uma consequência do sentimento, de humilde e talvez ingénua, mas sentida, admiração do outro.
      Que, como tenho visto censurar veementemente, até têm atingido o pobre do BdC.

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    3. Direi ao caro Almano, que apenas citei a "concordância absoluta", por terem sido palavras suas, acepção afinal com a qual não concorda e eu naturalmente secundo.

      Estaremos portanto em perfeita sintonia, no reconhecimento incontornável de que será pura utopia a "concordância absoluta". Já o mesmo não acontecerá com a "humana veneração", por "públicas virtudes", manto magnânime que poderá, quiçá esconder "vícios privados", desaguando até, naturalmente, na obliteração da "clara observação e normal espírito crítico"

      Penso que aqui ambos estaremos de acordo. Porém se recentrarmos de novo o tema desta nossa interessante troca de pensamentos, depararemos com Bruno de Carvalho, a quem o caro Almano pretendeu colocar o "selo" de pobre. E aqui, estalará de novo entre nós uma saudável discordância. Aceitaria sem pestanejar o seu pensamento se, utlizando palavras suas, "os vícios fossem privados"! Não o foram, como penso que comigo concordará, logo, de pobre, o "nosso Presidente" não terá nada!...

      Apenas o considerarei "pobre", na exacta medida em que para merecer a minha "humana veneração", e já agora, de milhares e milhares de correlegionários leoninos, deveria seguir os cânones que o caro Almano sublinhou para as personlidades que da lei da morte já se libertaram: exibição de publicas virtudes e absoluta camuflagem dos vícios privados.

      Creia-me encantado com esta inesperada mas agradável, polémica leonina.

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    4. Pois a mim parece-me que Almano gosta muito de se ler a si mesmo

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