terça-feira, 11 de novembro de 2014

Assim foi temperado o aço em Alvalade !!!...



"... Levantou-se do banco de suplentes e, sempre acompanhado por Augusto Inácio, director-desportivo do Sporting, ficou a olhar para os jogadores que tentavam minimizar o efeito do resultado ao aplaudirem os adeptos que se deslocaram a Alvalade. À medida que os futebolistas iam entrando para o túnel de acesso aos balneários, Carvalho olhava para eles mas não lhes dirigiu qualquer comentário. Foi, assim, o último a abandonar o relvado..."

"A vida é aquilo que de mais valioso possui um homem, só lhe é dada uma vez e há que saber vivê-la de modo que no final dos dias não se sinta o pesar pelos anos passados em vão, para que não haja angústia sobre os anos perdidos e seja possível dizer no momento da morte 'toda a minha vida e todas as minhas forças foram dadas à causa mais nobre deste mundo, a luta da libertação da humanidade'."
(Nikolai Ostrovski)

Relembro o herói proletário e combatente da cavalaria vermelha Pavel Korchagin, da notável obra autobiográfica de Nikolai Ostrovski, Assim foi temperado o aço. E sem que o deseje ou alguma relação por pequena que seja, possa ser estabelecida entre o heróico Pavel, desaparecido aos 32 anos, cego e paralítico devido aos inúmeros ferimentos que recebeu na guerra civil russa e a imagem do último homem a abandonar o relvado de Alvalade, acabo por estabelecer uma terrível analogia com os ombros caídos e a mão direita cofiando a barba rala do queixo, do Presidente do Sporting.

Aos 42 anos, Bruno de Carvalho ainda estará na fase de aprendizagem de que "a vida é aquilo que de mais valioso possui um homem, só lhe é dada uma vez e há que saber vivê-la de modo que no final dos dias não se sinta o pesar dos anos vividos em vão"!

E parece ter chegado a hora de Bruno de Carvalho tomar consciência de que a guerra, ou as guerras, ou todas as guerras, causam sofrimento e dor. Voam balas e estilhaços por todo o lado, que perfuram ou se alojam na pele e na alma. Mil vezes a paz e a vida, enquanto ninguém pretender obrigar-nos a negociar a nossa dignidade.

Firmeza sim. Sempre! Mas para quê a arma aperrada, a bala na câmara e o dedo afagando em permanência o gatilho?! Sim para quê?! Verdade sim. Sempre! Mas para quê a língua afiada e um tão pronunciado ranger de dentes?! Sim para quê?!...

Foi através da "satyagraha" - firmeza e verdade -, caldeada com paz e inteligência, que o frágil Mahatma Gandhi conseguiu fazer a revolução e alcançar a independência da sua pátria! Porque não poderá Bruno de Carvalho fazer e alcançar as suas?! Sim, porque não?!...

Talvez valha a pena copiar Gandhi. Nunca envergonhará ninguém copiar tão Grande Homem, tão Sublime e Eterna Figura! E talvez depois "não haja angústia sobre os anos perdidos" e seja possível dizer no fim, valeu a pena, "porque toda a minha vida e todas as minhas forças foram dadas à causa mais nobre deste mundo, a luta por um grande amor".

Pensem de mim o que quiserem! Escolham para mim os nomes que entenderem por mais convenientes e adequados! Mas deixem-me sonhar, que antes de partir, ainda ensinarei aos meus netos, que:

Assim foi temperado o aço em Alvalade!!!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Interessante esta analogia. Só que peca pelo posicionamento das personagens. BC estaria no lado oposto a Pável Kortchaguine, na realidade o próprio Ostróvski.

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    1. Por isso lhe chamei "terrível analogia", exactamente porque haverá uma grande diferença entre a realidade dos termos comportamentais de BdC e a outra realidade, sentida e vivida por Pavel na guerra civil russa. A analogia que me interessa e que deixei transparecer no texto, apenas existirá entre o que se passou há um século e aquilo que eu desejaria que se passasse hoje em Alvalade. Deixem-me sonhar...

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