quarta-feira, 20 de abril de 2016

E então o último parágrafo da crónica, nem me lo digam!...


COLCHÕES AO ALTO

«Desde que Mourinho levou o bando de trintões do Inter, que nunca tinham ganho nada, à conquista do Scudetto e da Champions em 2010, que não se notava tanto o dedo do treinador nos sucessos na sua equipa.

Estou a falar deste Atlético de Madrid de Diego Simeone. Este Atlético joga à imagem do seu treinador e do que ele foi enquanto jogador: olhos nos olhos com o adversário, solidário, rigoroso, corajoso, pragmático e durinho quanto baste... A verdade é que, contra todas as expectativas e desafiando a lógica do dinheiro, Simeone pode aspirar a ganhar a Champions e a Liga, com nomes muito menos sonantes, mas moldados à sua imagem e semelhança, guerreiros em campo, todos sabendo em cada momento o que fazer e compensando o menor talento individual com enorme coesão colectiva e clarividência táctica ímpar.

Como sportinguista sempre senti muito mais afinidade pelo Atlético do que pelo Real; este, à semelhança de outros, acha que é sempre o maior, que tudo lhe é devido, favorecido pela política e pelo sistema (mesmo assim os árbitros marcam mais penáltis contra o Real que contra o Benfica). O Atlético andou pela segunda divisão, comeu o pão que o diabo amassou, sobreviveu às megalomanias de Gil y Gil, mas ergueu-se sempre, porque instituições como esta nunca morrem e, afinal, está aí para as curvas, pujante, sempre apoiado pela sua fantástica afición.

O Atlético ainda não ganhou nada e não é seguro que o consiga, mas uma coisa fica demonstrada; é que há – alguns, poucos – treinadores como Diego Simeone, que ainda conseguem fazer a diferença. Este mesmo Atlético, que começou mal, perdeu em casa com o Benfica na fase de grupos, soube, mais uma vez, dar a volta, desforrar-se na Luz e arrancar para uma campanha europeia que, para já, descartou só e mais nada, o Barcelona, campeão em título. 

E, para que fique clarinho, clarinho, mesmo que desagrade ao Rui Gomes da Silva, Jorge Jesus está também e por direito próprio, neste núcleo restrito. No mais, só espero que os merengues não saiam da pastelaria, que a Catalunha engula a arrogância do seu tridente milionário e que, merecidamente, voem colchões em Madrid.»
(Carlos Barbosa da Cruz, O Canto do Morais, in Record)

Ao contrário de CBdC já vibrei intensamente com as vitórias do Barça e do Real, quando Luís Figo por lá deixou a sua fabulosa marca. Hoje vou torcendo pelo Real, apenas porque Cristiano Ronaldo e Pepe vestem de branco. Mas verdadeiramente nunca me senti "colchonero": o vermelho, mesmo que às riscas, sempre fez torcer o nariz do meu coração. Até na selecção nacional portuguesa essa cor determina em mim uma inexplicável azia! Ai a alegria que senti neste último jogo em Leiria!...

Mas subscrevo com satisfação e prazer tudo o que CBdC escreveu sobre Diego Simeone. E sempre que tenho o privilégio de ver a sua equipa actuar, confesso aos meus botões que, depois de Jorge Jesus e se ainda por cá andar, irei na procissão a Alvalade agradecer a quem cometer a loucura de o ir buscar!...

E então o último parágrafo da crónica, nem me lo digam!...

Leoninamente,
Até à próxima

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