sábado, 1 de agosto de 2015

Mas, aqui do meu canto, continuo a acreditar que o aço pode ser temperado!...


Um duro teste ao novo leão

"A Roma é o primeiro grande teste ao Sporting de Jorge Jesus. A formação italiana tem um plantel apreciável, vem a Lisboa com os melhores e a estreia do técnico em Alvalade será em noite de gala. Os leões parecem estar a trabalhar bem. A equipa tem dado boas indicações, na África do Sul evoluiu a ganhar e JJ é um homem satisfeito com o que os jogadores têm produzido. Também em termos de mercado já não são muitos os temas a resolver, apesar das dificuldades criadas pelas lesões de William Carvalho e Ewerton. Chegaram os centrais desejados e o trinco foi escolhido, falta agora que se desenrole a Libertadores para que Pizarro seja convencido a assinar. Um ponta-de-lança poderá também ser realidade, mas com Slimani, Montero e Teo já há garantias de qualidade.

Também Bruno de Carvalho tem tarefas duras pela frente. A renovação de Carrillo, por exemplo, um osso duro de roer. Se a de Slimani é uma questão apenas salarial e o argelino tem sido feliz no Sporting, tendo até mais dois anos de contrato pela frente, já o peruano tem muito que se lhe diga. É um dos talentos mais promissores da liga, cresceu muito com Marco Silva e um jogador importante nas ideias de Jesus.

Pior é que tanto FC Porto como Benfica poderão estar atentos à negociação. Com Maxi percebeu-se que os dragões não perderão oportunidade de dar uma bicada nos rivais quando se fala em jogadores livres e a forma como Jesus trocou a Luz por Alvalade deixou uma ferida que Vieira poderá ajudar a sarar com uma pérola do vizinho.

O presidente do Sporting está a fazer um esforço para dar a Jesus todas as armas. Ter o plantel focado e pilares como Slimani e Carrillo de cabeça limpa um mimo importante. Não é fácil, mas Bruno já surpreendeu mais vezes."
(Bernardo Ribeiro, Entrada em Campo, in Record)

À primeira vista poder-se-à pensar que Bernardo Ribeiro terá pretendido ver no jogo de logo à noite, "um duro teste ao novo leão"! Tenho a certeza que isso não correponderá ao pensamento central, ao mote fundamental, que terá servido de base à sua crónica de "Entrada em Campo". O que não lhe sairá da cabeça e bem assim de todos os adeptos sportinguistas, dará pelos nomes de André Carrillo, Pini Zahavi e, consequentemente, Leiston Holding...

Bernardo Ribeiro julga que, não sendo fácil a missão de Bruno de Carvalho, ele possa voltar a surpreender, uma vez que já o conseguiu mais vezes. Eu comungo do seu pensamento.

Bruno se Carvalho, desde que tomou posse com presidente do Sporting Clube de Portugal,  já surpreendeu muitas vezes. Em grande parte delas, pela positiva. Outras, nem por isso. Mas na matéria que aqui e agora importará abordar, a renovação de Carlos Mané, trouxe-nos a prova insofismável de que o realismo, se nele entendermos os superiores interesses do Clube a que preside, parece ter amenizado ou mesmo subvertido, de forma que alimenta as mais legítimas esperanças dos sportinguistas, o seu cego e quase incontrolável preconceito narcísico e a sua presumida concepção de detentor de verdades absolutas. Terá ganho "calo no cu" como o macaco, numa acepção simples, directa, precisa e concisa!...

A jovem esperança peruana, terá custado no Verão de 2011 cerca de 1.5 milhões de euros, com a Sporting Futebol, SAD a ficar detentora de 30% do passe do jogador,  a Leiston Holding de Pini Zahavi com o correspondente a 50% e o Sporting Portugal Fund a ficar na posse de 20%, cedidos posteriormente, em finais de 2014, à Sporting Futebol, SAD.

Facilmente se conclui que na transferência de Carrillo do Club Alianza Lima para Alvalade, a Leiston Holding terá investido cerca de 750 mil euros, sendo irrelevantes para a análise do "negócio", a forma como o clube peruano chegou a acordo com o fundo cujo rosto era Pini Zahavi, a quantia com que foi ressarcido e de onde terá chegado o dinheiro. Apenas importará neste momento o que está redigido contratualmente e as novas disposições da FIFA nesta candente matéria, que estabelecem e permitem que a Leiston Holding seja detentora de 50% do passe do jogador, até 30 de Junho de 2016, conferindo a este e ao fundo a que pertencem 50% do seu passe, o direito de, a partir de 1 de Janeiro de 2016, negociarem livremente e o jogador assinar um novo contrato com quem lhe apetecer.

Face a toda esta problemática, Bruno de Carvalho está proibido de repetir o erro que Luís Filipe Vieira cometeu com Maxi Pereira. Porque só os tolos não saberão ainda, qual o muito provável destino de Carrillo. Exactamente o mesmo, ou ainda pior!...

E será ainda possível reverter a "camisa de onze varas" em que se meteu Bruno de Carvalho, quando cometeu o colossal erro estratégico de assinar a carta que foi enviada pelo Sporting a Pini Zahavi, há largos meses atrás, não reconhecendo ao fundo que o mesmo controla, a propriedade dos 50% do passe de Carrillo?! Obviamente que sim! Como?! Com dinheiro! Ponto final. Quando se cometem erros como aquele que o presidente do Sporting Clube de Portugal cometeu, quase sempre eles custam caro!...

Mas como antes deixei subentendido, a renovação de Carlos Mané, terá aberto portas que se julgavam fechadas. O ambiente cordial estabelecido nas negociações da Mané, entre Nir Zahavi, sobrinho do poderoso empresário israelita, e Bruno de Carvalho, pode ser fulcral para que Carrillo possa continuar em Alvalade. Bastará que sejam aproveitados os poucos trunfos que ainda restam ao Sporting, sendo um deles absolutamente decisivo: os afectos que o jogador naturalmente criou ao longo de quatro anos em Alvalade.

Mas que em ninguém subsista a mais pequena dúvida: Bruno de Carvalho terá de oferecer ao jogador, no mínimo, o mesmo que ofereceu à estrelas sul-americanas que acabaram de chegar a Alvalade e pagar, com língua de palmo, à Leiston Holding, duas ou três vezes o dinheiro, real ou fictício será sempre irrelevante, que esta dispendeu em 2011 na aquisição dos 50% do passe do jogador.

Com um mandato recheado de reconhecidas boas decisões e consequentes bons resultados,  proficuo trabalho e um sportinguismo à prova de balas de canhão, é uma pena que Bruno de Carvalho suje e chamusque as mãos com as "bombinhas de Carnaval" de que apenas se ouvem, o estampido seco e fugaz do momento e as gargalhadas de riso dos seus adversários, externos e internos.

Mas, aqui do meu canto, continuo a acreditar que o aço pode ser temperado!...

Leoninamente,
Até à próxima

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