segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O resto é conversa fiada!...


"Há várias imagens que marcam a decisão da Supertaça e delas ressalta uma que resulta obviamente do desfecho do jogo mas que é sobretudo transmitida pela atitude demonstrada em campo pelos jogadores do Sporting: uma enorme vontade de ganhar.

Além de todo o impacto mediático e polémica associada, a chegada de Jesus a Alvalade teve esse efeito mágico. Durante muitos anos, o Sporting teve bons jogadores, chegou a ter boas equipas e também teve bons treinadores. Não conseguiu, no entanto, conciliar no tempo essas valências.

Os primeiros minutos da final do Algarve revelaram uma nova face do leão. A entrada forte sustentada numa grande dinâmica colectiva – que impressionou, atendendo a que estamos agora a iniciar a época e Jesus não está há mais de cinco semanas a treinar a equipa –, é fruto não apenas de um trabalho de campo meticuloso e persistente de Jesus mas também dessa plena confiança leonina que a expressão "yes we can", que Barack Obama popularizou, é talvez aquela que a melhor traduz.

Foi o Sporting quem começou por ditar as leis de um jogo que, provavelmente, o Benfica preferia que fosse menos frenético e menos intenso.Rui Vitória, aliás, montou a equipa de acordo com princípios mais conservadores. A dupla Fejsa/Samaris visava dar solidez ao sector para proteger a última linha onde a ausência de Luisão a juntar às alterações feitas (o verdinho Nélson Semedo promovido a titular e Sílvio a relegarEliseu para o banco) aumentou os riscos.

A cavalgada leonina inicial obrigou o adversário a entrar na dança sob pena de ser asfixiado, atropelado, amassado, quiçá humilhado. Mas expôs as suas fraquezas ao mesmo tempo que se percebeu claramente qual era a equipa que tinha argumentos para levar o jogo pelo caminho que mais lhe convinha.

O Sporting foi uma equipa organizada, decidida e virtuosa que trouxe para o jogo soluções. O Benfica, pelo contrário, trouxe problemas. A aposta em Talisca foi particularmente infeliz. O brasileiro foi engolido pela cadência do jogo e quando por alguns minutos passou para o lado esquerdo abriu caminhos que acabaram por conduzir o Sporting ao golo.

É verdade que o Benfica teve momentos em que conseguiu equilibrar os pratos da balança e dividir o jogo graças à arte de Gaitán, à inteligência de Jonas e às iniciativas de Ola John (posteriormente, também, devido ao jogo mais linear de Pizzi), mas ficou sempre perceptível que ao jogo do Sporting estava associado um espírito muito mais aventureiro capaz de fazer a diferença. Em muitos momentos, o Sporting de ontem fez lembrar o Benfica do primeiro ano de Jesus na Luz. Um futebol de vertigem ofensiva sem, no entanto, ser irresponsável na manobra defensiva. Tivesse Jesus à sua disposição William Carvalho e o Sporting seria seguramente uma equipa que se sentiria mais segura para se projectar ainda mais para o ataque.

Impressiona, todavia, a forma como o Sporting em tão pouco tempo já construiu bases tão sólidas que lhe permitem ter toda esta dinâmica. É o dedo do mestre, claro, que faz muita diferença.

É nisso que certamente muitos benfiquistas estarão a pensar, começando a lamentar, logo ao primeiro jogo, a perda de uma taça para o clube rival e para o treinador que lhes deu tantos títulos nos últimos seis anos.

É seguramente a sonhar com mais conquistas que os adeptos leoninos vivem este novo ciclo."
(António Magalhães, Análise, in Record)

"É seguramente a sonhar com mais conquistas que os adeptos leoninos vivem este novo ciclo." Ciclo este, em que a tão propagada "estrutura" e a categoria do plantel terão importância significativa, mas onde o mais importante de tudo não deverá ser nunca escamoteado, jamais menorizado, como de forma jactante e narcísica aconteceu do outro lado da rua: a ideia de jogo. A prova aconteceu ontem no Algarve.

Jorge Jesus, ao longo de seis anos, retirou o Benfica da falência, com a sua ideia de jogo! Mas o maior de todos os erros de gestão, somado à argúcia de Bruno de Carvalho, fizeram com que essa ideia de jogo se passasse de armas e bagagens para Alvalade. E aí está o início de um novo ciclo, que nem a melhor das estruturas, o mais categorizado plantel ou as loucuras de contratações milionárias, conseguirão impedir.

Haverá no mundo actual do futebol universal, apenas meia dúzia de técnicos cujo reconhecido êxito é consequência de uma ideia de jogo. Jorge Jesus é um deles!... 

O resto é conversa fiada!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Essa é que é uma verdade indesmentível...: o Sporting teve ao logo das últimas decadas bons jogadores...
    Perante o que nos é agora apresentado eu interrogo-me é se alguma vez esses jogadores "funcionaram" como uma equipa...

    Para já, uma coisa eu sei...é que uma equipa com a raça que vimos ontem e já antes se vislumbrava...isso não tinha concerteza...!!

    Neste momento o Leão mostra a sua verdadeira raça..."construída" por um treinador que é um homem com ideias e que "constroi" as equipas que dirige, aliando a classe dos jogadores ao desejo de vencer...

    Eu sempre acreditei no Sporting...porque é o Sporting...

    Agora acredito com muito mais razão...porque este é o Sporting com que eu sempre sonhei...!!

    Um Sporting pro-activo, que nos dá a imagem de que o jogo só acaba...quando o autocarro já está de volta a Alvalade...!!

    Força Sporting...!!

    Mostra a raça do Leão...!!

    Abr e SL

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    1. Exactamente como e sente e diz o Grande Leão e Amigo MaxMartins!...

      Abraço e SL

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