sábado, 13 de agosto de 2016

Uma andorinha não faz a Primavera!...



NOMEAÇÃO DE CAPELA FOI POLÍTICA E... FALHADA

«O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, deu uma entrevista ao canal do clube durante a qual voltou a falar do peso que o futebol tem fora das quatro linhas. Noutras ocasiões e a propósito das reformas a fazer para que o futebol português comece a ser observado, interna e externamente, como uma indústria credível, já me referi em percentagens ao peso excessivo que alguns factores assumem na construção das vitórias, à margem da verdade desportiva, e sempre achei que este é um tema a não desprezar. O presidente dos leões até me parece algo generoso quando atribui ao jogo propriamente dito, isto é, aquilo que se passa dentro do campo, 50%, em termos da ‘cotação’ global na atribuição de um título. Bruno de Carvalho acha que 25% se atribui ao treinador, outros 25% ao plantel, outros 25% à comunicação social e os restantes 25% a tudo o que envolve Arbitragem e Disciplina.

Sei da importância da comunicação social mas não creio que a sua influência seja tão grande, até porque ela já está, em muitos casos, demasiado contaminada por ‘grupos de pressão’ oriundos dos clubes. Há cada vez menos vozes independentes e gente colocada e sugerida por alguns barões assinalados. O ‘peso’ da Arbitragem e da Disciplina, das decisões que não se entendem, e sobre as quais é perfeitamente possível introduzir mecanismos de correcção, continua a ser enorme. Ainda na época passada a Disciplina deu uma péssima imagem de eficácia e transparência. E este é o grande investimento que tem de ser feito, agora e nos próximos anos.

O presidente da FPF, Fernando Gomes, inscreveu no seu programa eleitoral 100 compromissos e, se os cumprir, o futebol português dará um salto qualitativo decisivo. Esta época 2016-17 começa sob os auspícios da histórica campanha da Selecção Nacional no Europeu e, para que esse título seja o desenvolvimento de um crescimento sustentado (muita coisa mudou, de facto, nos últimos anos), não podemos afastar-nos de uma ideia primacial: o crescimento competitivo da nossa Liga. A nossa Liga não pode ser apenas um túnel ou um corredor de passagem de jogadores sul-americanos para Ligas europeias mais desenvolvidas. A Liga portuguesa não pode competir com as principais Ligas europeias, mas pode criar melhores condições de atractibilidade. Mas isso só será possível quando os jogos da Liga portuguesa forem competitivos, tenham qualidade e atraiam mais gente aos estádios – e quanto mais se adiar a resolução dos problemas da Arbitragem e da Disciplina mais difícil se tornará a missão de podermos contar com um campeonato que se resolva, acima de tudo, dentro das quatro linhas, debaixo de um clima saudável e de uma maior tolerância inter pares.

Com o desaparecimento da CII, é bom que Meirim tenha noção da responsabilidade que tem entre mãos, uma vez que a iniciativa disciplinar passa a ser uma competência exclusiva do Conselho de Disciplina. Há alguma expectativa sobre a agilização processual e o timing das decisões e espera-se que, com um novo quadro normativo, os protagonistas assumam também um novo comportamento.

O Conselho de Arbitragem, agora liderado por José Fontelas Gomes, fez a sua primeira nomeação: João Capela para o Benfica-Sp. Braga, da Supertaça. E começou mal.

Foi uma nomeação com uma claríssima conotação ‘política’ e não se lhe deu a importância e o significado que ela assumiu. João Capela é um dos rostos identificados com uma nova intelligentsia futebolística, agora cada vez mais longe das influências nortenhas e assente num novo domínio. Foi uma nomeação ‘política’, muito na linha daquilo que vinham sendo as lógicas defendidas por Vítor Pereira. E o trabalho desenvolvido por Capela na Supertaça, mais do que denunciar uma tendência — houve erros importantes a penalizar as duas equipas —provou que este Conselho de Arbitragem, provavelmente na ânsia de dar um voto de confiança a um dos seus ‘protegidos’, quis impor a ‘competência’ de um árbitro generoso e porventura com muita vontade de mostrar serviço, mas que revela, quase sempre quando apita jogos com maior carga de responsabilidade, algumas lacunas e debilidades que parecem insolúveis. Querer fazer dos árbitros, por corporativismo ou outra coisa qualquer, aquilo que eles não são, representa um mau serviço não apenas à arbitragem mas fundamentalmente ao futebol. Para a jornada 1, o critério pelo menos é perceptível: cuidado de nomear árbitros ‘internacionais’ para os jogos dos ‘grandes’. Todavia, creio que é tempo de repensar os critérios de promoção dos árbitros a internacionais. O joio é maior que o trigo…

O que se pede a Fontelas Gomes é que coloque sempre o interesse do futebol e da verdade desportiva à frente de interesses clubísticos. Terá força e personalidade para isso?

A FPF parece estar activa no sentido de criar as condições para que haja maior protecção à integridade do futebol e dos seus agentes. A bola já começou a saltar. Dentro de momentos, veremos como vão actuar as direcções de comunicação e como será o ‘jogo falado’. As pressões, as tentativas de condicionamento, a coacção directa e indirecta e veremos também como (re)agirão os conselheiros federativos, na Arbitragem e na Disciplina.


A mudança não se faz apenas com diplomacia. Algumas decisões vão ter de ser corajosas; caso contrário, não sairemos do adro das intenções. Como sempre...»
(Rui Santos, Pressão Alta, in Record)

Comungo por excesso da impressão de Rui Santos sobre a nomeação de João Capela para a Supertaça. Além de ser uma nomeação política falhada, muito dificilmente Fontelas Gomes se livrará do anátema que sobre ele recaiu com o "frete" que decidiu fazer! A menos que pense que os adeptos de futebol atravessam um ciclo de estupidificação geral. E se assim pensa, nem lhe passe pela cabeça que conseguirá melhor do que fez Vitor Pereira, que se deixou envolver exactamente pelo vigor, insensibilidade, perfídia e persistência das mesmas  lianas.

Parece te corrigido a mão nas nomeações para a primeira jornada da Liga, mas...

Uma andorinha não faz a Primavera!...

Leoninamente,
Até à próxima

P.S. - Sobre José Manuel Meirim, ainda não acabei de afiar a espada, pelo que me abstenho de emitir opinião sobre... nada!...

2 comentários:

  1. Bom dia caro Álamo.

    É óbvio que agora que começa o campeonato e há muitas jornadas onde o colinho pode ser gerido com pinças que os "escolhidos" vão ser mais "justos".

    Na supertaça, sendo só um jogo e dando um título, não havia margem para erro, como tal, voltou-se ao costume.

    Volto a dizer, e não me calarei sobre isto, se foi dada uma grande ajuda ao clube dos vouchers para ganhar estes 3 campeonatos, porque carga de água, mudando apenas uma pessoa em toda a teia do Sistema, alguma coisa ia mudar? Ainda para mais sabendo toda a gente que com mais um esforço, o clube dos vouchers poderá ganhar o 4 campeonato coisa que nunca conseguiram.

    Não prevejo nada de bom, pois como se vê, quando é preciso, lá está a mão amiga.

    E só não tenho muita esperança porque o ano passado, na minha opinião, ficou provado sem qualquer dúvida que não basta ter o melhor treinador, a melhor equipa, o melhor futebol, em alguns casos os melhores jogadores, batendo recordes atrás de recordes e ir com 7 pontos de avanço para conseguirmos ganhar.

    Vamos ganhar "apenas" quando o clube dos vouchers o quiser, quando por algum motivo precisar de abrandar as coisas, tal como ganhámos noutra altura quando o clube da fruta com o apito dourado precisou abrandar.

    Tivemos e temos equipas que podiam ter sido campeãs, mas só somos campeões quando nos deixam, literalmente.

    Um abraço

    SL

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  2. "A bola já começou a saltar..."...

    Mas da opinião do Rui Santos o que "me ficou" foi a ideia de que em relação à arbitragem...
    "Continua tudo como dantes..."
    Não com "quartel general em Abrantes..."...

    Mas possivelmente com entrada por uma qualquer porta ..."nas imediações de uma celebre porta 18..."

    SL

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