quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Uma praga terrível que continua a povoar as mentes lerdas do dirigismo português!...


ALGAS

«Acho que a performance olímpica de Portugal foi o que tinha de ser. Não havendo cultura olímpica, nem investimento olímpico, sendo consequentemente escasso o perímetro dos medalháveis e grande a pressão sobre eles, os resultados espelham cruamente esta situação. No medalheiro, que é a prova dos nove da competência olímpica, o lugar de Portugal é, por si só, significativo. Progredir, custa muito dinheiro. Os Estados Unidos, por exemplo, recuperaram protagonismo no fundo e meio fundo do atletismo, à conta dos milhões investidos pela Nike no Oregon Project do Alberto Salazar, ou seja, as coisas não acontecem por acaso.

Dito isto, tenho alguma dificuldade em concordar com algumas eulogias desculpantes que, à boa maneira portuguesa, vão sendo feitas à nossa presença olímpica. Se houve efectivamente desempenhos esforçados e dignos dos maiores encómios, houve outras situações difíceis de aceitar. No meu entender, o atleta que tem a honra de representar o seu país nos Jogos Olímpicos, tem por imperativo mínimo, o tentar superar, nessa ocasião, a sua melhor marca. Ao invés, há quem pense que ir aos Jogos é já por si um prémio, por ter conseguido os mínimos.

Não me esqueço de Marco Fortes que, em Londres, para desculpar o seu mau resultado nas eliminatórias do lançamento do peso, veio dizer qualquer coisa como, "de manhã é mais caminha..." Como justificar os lugares e os tempos (abaixo dos femininos) dos nossos representantes da maratona? Como justificar que o nosso campeão mundial de BTT/Maratonas, tenha sido dobrado – e excluído da prova – à quarta, de seis voltas? Como explicar o episódio da Sara Moreira, primeira desistente da maratona feminina? Estes downsides da nossa participação deviam ser devidamente considerados, com uma finalidade muito clara, evitar que se repitam, porque, claramente, com eles, o nome de Portugal não sai dignificado.

Finalmente, a comunicação. O atleta que representa o país, tem de assumir uma postura pública consentânea com o seu estatuto. Não é admissível que se venha justificar da falta de medalhas com as algas da pista, porque todos terão corrido nas mesmas condições, ou seja, havia algas para todos...
É como a dor de burro; até pode acontecer que ela exista, mas pura e simplesmente, não pode servir de desculpa.»
(Carlos Barbosa da Cruz, O Canto do Morais, in Record)

Carlos Barbosa da Cruz tem razão em cada vírgula do seu texto. Esse é, rigorosamente, o meu pensamento sobre a decepcionante e confrangedora participação olímpica portuguesa. Mas que isso jamais signifique colocar todas as culpas sobre os ombros dos atletas que serão, afinal, os menos culpados. 

As culpas recairão em grande parte sobre os organismos a quem deveria caber a grave e sublime responsabilidade de fazer a  selecção e acompanhamento de todo o projecto olímpico, com o adequado e superior grau de exigência, antes estúpida e tipicamente agarrrado aos ancestrais hábitos "tugas" do facilitanço e do compadrio.

Portugal não tem meios económicos, nem campo de recrutamento, nem cultura intelectual e desportiva proporcional à legião de afilhados, compadres, parceiros e amigalhaços que em todas as olimpíadas acaba por ser seleccionada para um mês de férias em qualquer "atenas moderna" designada  cada 4 anos como sede olímpica, pelo COI.

Portugal continua a enviar às olimpíadas um "rancho folclórico" como nos velhos tempos o "estado novo fascista" fazia com os ranchos folclóricos Tamar da Nazaré ou Santa Marta de Portuzelo: "a bem da nação valente e imortal"!...

E em cada quatro anos a culpa sempre morre e continuará a morrer solteira! Triste povo este que nem se governa nem se deixa governar!...

Querem exemplo melhor para significar o grau de dignidade e empenhamento que revela o presidente do organismo máximo do projecto olímpico português?! Pois depois do "naufrágio olímpico português", ainda não sabe se deve pedir a demissão ou continuar por mais quatro anos!!!...

Algas?! Sim, e muitas! Uma imensa legião parasitária... 

Uma praga terrível que continua a povoar as mentes lerdas do dirigismo português!...

Leoninamente,
Até à próxima

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