quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sob o "manto sagrado e diáfano" de mais de 14 milhões!...


MUITOS PÁSSAROS A VOAR

«A realidade prevalece para além de qualquer cortina de fumo. O Porto, quando tentou justificar o injustificável – a inscrição de Depoitre quando o belga era inelegível para actuar no playoff da Liga dos Campeões – , prometeu aos adeptos que o dianteiro seria "substituído dentro do prazo previsto". O tempo esgotou-se e, adaptando uma expressão anglo-saxónica, Nuno Espírito Santo corre o risco de ir armado com facas para um tiroteio. Ao invés de se preocupar exclusivamente em vencer a eliminatória, tem ainda de acender umas velinhas para que nenhuma lesão faça tombar André Silva ou algum dos centrais. A Roma, como não brinca em serviço, garantiu Vermaelen e Bruno Peres para blindar a sua armada. No futebol não há coincidências. Apenas consequências.

A história de mercado do FC Porto neste defeso pode ser descrita pelo ditado que fala do quanto é importante ter pássaros na mão ao invés de meras possibilidades a esvoaçar. Só para o eixo defensivo a malha negocial alcançava Bruno Alves, Mangala, Boly, Alex e Ricardo Carvalho, sem mencionar outros nomes cogitados com teor especulativo. Nenhum destes alvos foi assegurado e, entretanto, foram gastos 13,5 milhões de euros em dois laterais-esquerdos e chegou um avançado de segunda linha. A palavra de Pinto da Costa, que sempre fez lei, indicava em meados de Junho que os alvos prioritários eram um central e um ponta-de-lança. Dois meses volvidos, Nuno enfrenta o playoff sem nenhum destes trunfos vitais.

Os sinais contraditórios são o aspecto mais preocupante que emerge, dado que fazem temer que a política desportiva e financeira rigorosa, vital após a época com maior prejuízo de sempre da SAD, como será confirmado em finais de Setembro, tenha descambado para a ilusão das compras por impulso. Na palavra do presidente, repita-se, a única que faz lei, Rafa ou Óliver Torres nunca foram enunciados como fundamentais. Tratar dos acabamentos de luxo sem primeiro garantir a solidez dos alicerces foi a receita para o desastre dos rivais do Porto durante longos anos. Sendo Maicon a única venda realizada, e nem sequer tendo asseguradas as verbas da Liga dos Campeões, o dragão está a jogar o seu destino na roleta
(Vítor Pinto, Banho Táctico, in Record)


No dia em que algum jornalista ousar ter a coragem de olhar para os actuais "DDT's" com o mesmo arrojo e espírito crítico com que Vitor Pinto disseca nesta sua crónica, a inexorável caminhada para o abismo dos anteriores "ddt's" cá no burgo, o edifício laboriosa, meticulosa, cínica e maquiavelicamente por aqueles erguido, exibirá o primeiro abanão do terramoto que há muito se adivinha e dificilmente resistirá às sucessivas réplicas daqueles que então hão-de ganhar coragem para pôr fim à vassalagem e ao envergonhado e genuflectido silêncio que hoje exibem. 

O que acabei de afirmar, nunca significará nenhum aplauso da minha parte a Vitor Pinto. Porque quando um homem cai na valeta, todo o cão e gato lhe mija em cima! E o D. Bufas Corleone, como todos os ditadores, muito dificilmente conseguirá levantar a cabeça que enfiou na sargeta. Nesta condição, jamais me conseguiria ver a aplaudir quem hoje de peito feito desaperta os botões da carcela e descarrega a bexiga sobre quem sabe de antemão que mal algum lhe poderá fazer. O que eu gostaria de ver seria o filme rebobinado 20 anos com os mesmos actores que hoje inundam a comunicação social....

E a melhor prova sobre a assertividade deste meu pensamento, estará no comportamento que todos os companheiros de jornada de Vítor Pinto, quase sem excepção, exibem hoje perante o "novo império do mal" que, paulatinamente, vai sendo construído à vista do toda a gente de bem...

Sob o "manto sagrado e diáfano" de, dizem alguns sem vergonha, mais de 14 milhões!...

Leoninamente,
Até à próxima

9 comentários:

  1. em favor dos católicos, enterre-se o morto com a dignidade possível: 0-4 a favor da Roma e eliminatória resolvida.

    Eu que sou algarvio, mouro e por isso não crente, não dou a outra face. Fico à porta da igreja e não entro.

    Aliás, salgue-se a terra para que nada mais cresça naquela imundice. Não me esqueço do episódio "joão moutinho". E não perdoo.

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    1. Eu também fico à porta de igreja e não entro!...

      E que a terra se salgue!...

      Ámen!!!...

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  2. Nos tempos "gloriosos" do guarda Abel, "nem uma agulha bulia
    na quieta melancolia dos pinheiros do caminho…". Era assim a dita comunicação social do futebol. Hoje, ao contrário desses tempos, até militam pelos vermelhuscos, o que é ainda mais perigoso e mais escandaloso.

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    1. Meu caro A. Martins, segundo o conceito político e filosófico do barão de Montesquieu “Todo o império fundado pelas armas tem de se manter pelas armas”. Ora adaptando esse pensamento à realidade do futebol português nas últimas décadas, as armas usadas para a fundação e consolidação, primeiro do império azul e agora do império vermelho, foram sempre, tanto num caso como noutro, as armas do crime, consubstanciadas fundamentalmente na corrupção, tráfico de influências e controle da comunicação. Nesta condição, assim como o primeiro desses impérios ruiu, o mesmo acontecerá ao actual. Exactamente porque as armas do crime poderão permitir a fundação de um império, mas jamais conseguirão sustentá-lo "ad eternum". Cedo ou tarde o império cairá e a Justiça triunfará!...

      E permita-me outra analogia, se me prometer lê-la com ar sério e conter a gargalhada que ela possa sugerir: nunca poderemos comparar a força, a magnitude e a abrangência do poder de Joseph Goebbels, com aquelas que os imbecis lampiões julgam deter, hoje por hoje, neste triste, pobre, podre e decrépito futebol português! Mas todos aqueles que por cá andam com os olhos abertos para o mundo que nos envolve, sabem como acabou Goebbels!...

      Fortes Saudações Leoninas

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  3. Os impérios só ruem quando deixam de vencer.

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    1. E só deixam de vencer, quando são derrotados! Umas vezes pela justiça dos deuses, outra pela justiça dos homens, mesmo que tardia...

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  4. Em Portugal, a justiça dos homens, vai tardar ou nunca acontecer! Esperamos que seja a deusa do panteão romano a atuar, a Iustiça.; sucedânea da Témis e Dice, do panteão grego.

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    1. Pouco nos importará de onde possa cair a Justiça e a quem ficaremos a devê-la. Importante será acreditar que poderá tardar, mas... um dia chegará!...

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