terça-feira, 16 de agosto de 2016

Será que finalmente veremos o futebol triunfar?!...


O QUE O SPORTING PRECISA

«Os ventos e as ondas estão sempre do lado dos navegadores mais competentes e a abertura da Liga serviu para mostrar que Jesus volta a apresentar um Sporting competitivo. Frente a um Marítimo sem os cofres nutridos e os craques de outros tempos, mas que até mostrou algum engenho em Alvalade, a equipa leonina fez uma viagem bonançosa. Até porque alguns embaraços defensivos vistos nos primeiros 45 minutos foram atempadamente resolvidos com uma ensaboadela a Gelson e a substituição de Jefferson. Os resultados e as exibições menos conseguidas da pré-época tinham provocado algum descrédito. Mas, no sábado, voltou a ver-se em Alvalade uma equipa inteligente na ocupação dos espaços e com mobilidade ofensiva, movimentos de rutura, cobertura zonal pressionante e boa reação à perda. Tudo na vida quer tempo e medida, mesmo que os mais pragmáticos possam sempre reduzir a convalescença ao regresso dos leões que, em França, ajudaram a compor a mais bela epopeia da Selecção portuguesa. Dito de outra forma, os melhores jogadores acabam quase sempre por ajudar a fazer e a confirmar os bons treinadores. Sendo verdade, confirma-se também que Jesus é hoje um técnico mais sabido e balanceado do que mostrou ser nas seis épocas em que treinou o Benfica. E não vale a pena arremessarem com os três títulos nacionais e mais não sei o quê, porque no outro prato da balança estará sempre o falhanço na Champions e a incapacidade de rentabilizar uma das equipas mais suculentas e com mais armas diferenciadoras que o Benfica terá tido em toda a sua história. Do ponto de vista estritamente táctico, o ‘modus operandi’ que se descobre hoje em Jesus teria sido mais do que suficiente para evitar, por exemplo, a perda de dois campeonatos para o FC Porto de Vítor Pereira. E não deixa de ser curioso que Jesus (treinador do Sporting) tenha sido capaz de deslindar as imperfeições estratégicas que existiam em Jesus (treinador do Benfica). De facto, é cada vez mais evidente que Jorge Jesus (no Sporting) depurou os excessos de vertigem que Jorge Jesus (no Benfica) teimosamente se recusava a aceitar como causadores dos desequilíbrios e – por arrastamento – dos desgostos benfiquistas. Claro que Jesus será sempre Jesus e é tempo perdido tentar fazê-lo perceber que, além de presunçoso, é descomedido reclamar méritos plenos sobre jogadores que acabaram de se sagrar campeões europeus e que, na sua grande maioria, Leonardo Jardim e Marco Silva também ajudaram a lançar e a crescer.

Mas até no domínio da pompa é bem capaz de estar a haver uma evolução positiva, principalmente se se confirmar a vontade de normalizar a relação com o seu ‘colega’ Rui Vitória. Já agora, esse progresso parece também ser extensível a Bruno de Carvalho. Não é certo que já tenha aprendido que o silêncio é um dos argumentos mais difíceis de refutar e que costurar é sempre mais complicado do que rasgar, mas nas últimas declarações já mostrou a madureza e a pose institucional que o cargo exige. Foi inteligente na forma como antecipou e justificou a (quase certa) saída de João Mário (uma operação que acabará por premiar a postura negocial dura) e voltou a sê-lo quando expressou a vontade de que o Sporting ultrapasse a fase de grupos da Liga dos Campeões (mensagem subliminar para o treinador?). A fera, como ele lhe chamou, continua lá e é certamente essa braveza que o leva a defender que a comunicação social tem um peso de 25 por cento na decisão do título… Mas, bem mais determinante do que contribuir para a boçalidade informativa, será contratar avançados competentes (no plural, levando em conta as saídas de Teo, Barcos, a lesão de Spalvis e as dúvidas quanto ao estado de espírito de Slimani). Mais do que corresponder à vontade insaciável que Jesus sempre tem de contratar e experimentar mais e mais jogadores, de andar atrás do enésimo defesa esquerdo e/ou defensa central, é nisso que se deve concentrar um Sporting que até antecipou bem as movimentações do mercado quando garantiu Meli e Alan Ruiz (o mesmo não se poderá ainda dizer do vagaroso Petrovic).»
(Bruno Prata, Ludopédio, in Record)


Bastante interessante a meu ver, esta crónica de Bruno Prata. Como que a redimir-se neste inusitado "acto de contriçao", de outros textos mais precipitados por menos reflectidos e isentos que por vezes faz publicar no jornal Record, que bem precisa de umas brisas refrescantes deste género, para nos fazerem esquecer o mau jornalismo que quase diariamente nos chega da Luciana...

De facto as três vertentes estruturantes do seu texto - Bruno de Carvalho, Jorge Jesus e necessidades leoninas -, surgem como consequência de uma análise inteligente, serena, desapaixonada e isenta e sem o veneno de que tantas vezes usa e abusa em relação a tudo o que diga respeito aos cèus de Alvalade.

Até o sportinguista que me orgulho de ser, sem dificuldade aceita e corrobora o pensamento que BP procurou transmitir, de uma forma elevada e elegante, sem necessidade de alinhar nos lugares comuns usados por uma comunicação social "alinhada com o regime", antes produzindo o jornalismo que todos os adeptos de futebol merecem que lhes seja proporcionado.

Pena que uma andorinha não faça a Primavera e que continuemos a assistir aos malefícios dos famigerados 25% com que a comunicação social continua estupidamente a pretender adulterar aquilo que se vai passando dentro das quatro linhas dos relvados portugueses, agora que talvez esteja a acontecer diante dos nossos olhos, um esforço ainda não muito significativo mas de qualquer modo palpável, para melhorar os outros famigerados 25% que deveriam ser, por definição, o sustentáculo da "verdade desportiva"!...

Será que finalmente veremos o futebol triunfar?!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Muito boa tarde caro Álamo,

    E eis que se passou mais um ano. Como deve estar recordado, foi a 16 de Agosto de 2014 que os ventos da fortuna me empurraram, juntamente com o meu amigo Rodolfo e o seu padrasto João, para uma esplanada junto ao Estádio Municipal de Coimbra.

    Aí, entre uma sandes de panado e uma imperial, o nosso entranhado e fulgurante sportinguismo juntou-nos. Desde então, faço do Leoninamente! uma paragem obrigatória no meu itinerário matinal na net.

    Continue o sagaz e espirituoso trabalho que tem vindo a fazer até agora. Eu cá estarei para continuar a aplaudi-lo.

    Um abraço, e saudações leoninas!
    Francisco Ferreira Gomes

    P.S. Da próxima vez que vier a Alvalade, eu, o Rodolfo e o João teremos todo o gosto em encontrá-lo para dois (ou mais) dedos de conversa.

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    1. Muito obrigado meu jovem e amigo leão! Creio que não mais esquecerei essa tarde em Coimbra, nem a empatia leonina que como por milagre se estabeleceu entre todos nós, com "culpas graves" para o nosso glorioso Sporting, esse amor grande que mais uma vez uniu Norte e Sul!...

      Circunstâncias da vida não me têm permitido continuar a ir a Alvalade com a frequência que desejaria. Cá pelo Norte não está fácil de ultrapassar alguns obstáculos que se me têm colocado, mas creia que terei todo o prazer em voltar a estar com todos vós, logo que as circunstâncias o permitam.

      Um forte abraço ao Rodolfo, ao João e em especial para si, Francisco, com sincera amizade e Saudações Leoninas.



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