quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tudo o resto, serão "ismos" que nos envergonharão a todos!!!...


O provincianismo, o fundamentalismo, o eleitoralismo e um sem número de "ismos" de índole coincidente ou semelhante, em que esta pátria lusa sempre foi e continuará, inexoravelmente, a ser fértil, estarão a concorrer para a destruição de valores sagrados, que nos mostramos incapazes de transmitir aos que depois de nós hão-de vir.

Será difícil de acreditar, mas tudo aponta para que o lugar sagrado de repouso dos nossos maiores, o Panteão Nacional, desça ao mais baixo degrau da nossa escala de valores, recebendo, imagine-se, o Futebol! A troco de uma eventual e  bastante pouco provável vitória nas próximas eleições legislativas, servindo-se da muleta da indignidade.

O que hoje e aqui importará questionar, é se o Futebol alguma vez caberá nos dignos e honrosos parâmetros, estabelecidos pela Assembleia da República, no já longínquo ano de 2000, pelos representantes do Povo Português:

"Homenagear e perpetuar a memória dos cidadãos que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”

Nunca estará em causa a figura e tudo o que para nós representou e sempre há-de representar, Eusébio da Silva Ferreira, um dos mais altos expoentes do nosso Futebol. Mas compará-lo com tão singulares personalidades, como:

Almeida Garrett (1799-1854), escritor e político;
João de Deus  (1830-1896), escritor;
Manuel de Arriaga (1840-1917), presidente da República;
Sidónio Pais   (1872-1918), presidente da República;
Guerra Junqueiro (1850-1923), escritor;
Teófilo de Braga (1843-1924), presidente da República;
Óscar Carmona  (1869-1951), presidente da República;
Aquilino Ribeiro (1885-1963), escritor;
Humberto Delgado  (1906-1965), opositor ao Estado Novo;
Amália Rodrigues (1920-1999), fadista, e
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), escritora,

e colocar os seus restos mortais, nesse lugar sagrado de culto patriótico, será subverter toda e qualquer escala de valores de que nos possamos orgulhar e que parece nem termos construído ao longo de bem mais de oito séculos.

Para mais, quando se colocará com toda a justiça, uma questão, bem menor felizmente, que será a de saber se Eusébio da Silva Ferreira será mesmo o melhor futebolista português de sempre.

Porque tudo aponta, excluída a cegueira e o oportunismo barato, para que "valores mais altos se alevantem"! Ou os súbditos de Sua Majestade Britânica, terão perdido o seu tradicional, fleumático e orgulhoso chauvinismo, ao eleger Cristiano Ronaldo como o melhor jogador da história da sua "English Premier League", universalmente aceite como a melhor do mundo?!...

Seria de todo recomendável, que os representantes actuais do Povo Português, na Casa da República, tivessem a noção exacta da sua insignificância perante o Tempo, deixando aos seus netos ou bisnetos, a devida e correcta avaliação da verdadeira dimensão do Futebol e, se um dia tal se viesse a impôr, pudessem decidir qual a maior figura de sempre do nosso Futebol, elevando-a então a essa suprema honra de ficar para sempre sepultada no Panteão Nacional!...

Tudo o resto, serão "ismos" que nos envergonharão a todos!!!...

Leoninamente,
Até á próxima

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