quarta-feira, 29 de abril de 2015

Os diamantes em bruto apenas seduzem o lapidador!!!...



O adepto comum vive para apoiar a sua equipa e, normalmente, não tem tempo nem a vida lhe permite dar-se ao luxo de registar, dissecar e interpretar  os dados hoje publicados pelo jornal Record, que justificarão a actual preocupação de Marco Silva na gestão do esforço da equipa que lidera, nesta fase difícil do crepúsculo da época:

William Carvalho
Voltou ao onze em Moreira de Cónegos, depois de ter sido suplente nos dois jogos anteriores. Tem 39 encontros e é o jogador de campo com mais minutos (3.195)

Adrien
Já tinha sido resguardado no início de Março, na Choupana, e na 2.ª feira sentou-se de novo no banco, entrando aos 77’ (com coxa elástica na perna esquerda)

João Mário
Suplente (27’) contra o Moreirense. Excluindo a Taça da Liga (nem foi convocado por ser reservada às segundas linhas), Marco não abdicava dele na equipa titular desde 3 de Janeiro

Carrillo
Não saiu do banco em Moreira de Cónegos. Exceptuando a Taça da Liga, até agora só não tinha participado... num encontro com o Sp. Espinho, porque tinha chegado a Lisboa, vindo da selecção, horas antes!

Nani
Em 34 jogos, só foi substituído em 7: um por lesão, outro nos descontos e três após os 80 minutos. Foi assim na 30.ª ronda da Liga, sinal de que pode ser hora de pensar no Jamor

Slimani
Ressentiu-se de dores musculares na coxa esquerda, na véspera do Moreirense. Há duas jornadas que era suplente (Boavista e V. Setúbal).

Sem pretender fazer juízos de valor sobre a gestão do treinador do Sporting ao longo da época, dos meios humanos ao seu dispôr, o facto é que a situação actual do conjunto de Alvalade há muito que foi adivinhada pela grande maioria dos adeptos sportinguistas, que aqui e ali foram alertando para a flagrante e intensiva utilização de um "núcleo duro", que muitos apelidaram de "predilecto", sem o necessário equilíbrio que a "rotatividade", por outras bandas tão criticada, costuma permitir.

Estará a ser paga agora a factura de alguma inexperiência de Marco Silva nestas "altas cavalarias" onde se viu metido?! Ou tudo não será mais que o reflexo de um certo défice qualitativo que o plantel revela, para além do citado "núcleo duro"?! Ou as três coisas?! E não me terei enganado ao falar de três coisas, porque num clube como o Sporting, a braços com a prossecução de um gigantesco esforço financeiro na busca da necessária sustentabilidade e que paralelamente possui  uma das melhores escolas de formação do mundo, outra questão, porventura a mais importante, deverá ser colocada: ou a coragem, o saber e a visão de Marco Silva para potenciar o talento da Academia serão assim tão escassos, que justificam o seu comodismo ou, quiçá, a sua relutância ou mesmo aversão?!...

Porque para além da contingência e do circunstancialismo que o obrigaram, em último recurso, à utilização de Jonathan e Tobias Figueiredo e do necessariamente "obrigatório" e curto episódio da Taça da Liga, quantos jovens talentos mais ele teve a coragem de lançar na equipa principal, de modo a prevenir, tanto a citada "rotatividade", quanto a sua contribuição para a melhoria  qualitativa do plantel que lhe foi colocado nas mãos e, "pour cause", o acautelamento do futuro do Clube?!...

Os diamantes em bruto apenas seduzem o lapidador!!!...

Leoninamente,
Até à próxima

3 comentários:

  1. Pois é amigo, "os diamantes em bruto apenas seduzem o lapidador" é mesmo aqui que reside o verdadeiro problema de MS, pode ser que me engane, mas pelo que vejo MS está longe de ser um"lapidador", pelo menos um "lapidador seduzido" pois em face da interrogação do amigo Álamo, no último paragrafo, acho que a utilização de Jonathan e Tobias foram mesmo por obrigação e não por gostar de "lapidar"....

    SL

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  2. Concordo na íntegra com o que o amigo Álamo "postou"... E acrescento uma 4ª 'coisa', pois o amigo referiu 3 das contingências que nos terão irremediavelmente afastado da discussão do título nesta temporada, e que se prende com a preparação fisica dos atletas que compõem o plantel profissional do SCP... Neste domínio, creio que, tendo sido atleta Federado, campeão Nacional e campeão Regional de uma das mais exigentes modalidades, o REMO, e depois tendo sido treinador da mesma modalidade por mais de 5 anos, terei algum conhecimento de causa no que a esta matéria diz respeito... E pelo que vejo a condição fisica dos atletas do SCP parece-me deficitária... Alguns dirão que o acréscimo de 30 ou 40% de jogos esta temporada "pesará" nas pernas dos nossos atletas (sobre isso só uma palavra - rotatividade), contudo, e do que me tem sido dado a observar desde o dealbar desta temporada a preparação fisica terá sido ao estilo "soft", isto é, não vamos dar grandes "tareias" na pré época senão os 'meninos' fazem-me a folha, e eu ainda agora cheguei aqui (óptica do projecto de treinador)... Dito isto relembrar apenas que, quando o SCP quebrou os 18 anos sem vencer nenhum campeonato, esteve cá um treinador Italiano, de nome Materazzi, que 'vergou' os jogadores leoninos numa 'violenta' pré-época, de tal forma que os mesmos nos dois primeiros meses da temporada (Setembro e Outubro) parecia que andavam a gasóleo e os adversários a gasolina... Contudo depois do reforço, acertado digo eu, da equipa em Janeiro o SCP embalou para uma 2ª volta com força para dar e vender e quebrou o enguiço, vencendo o campeonato nacional!

    É que isto da condição fisica é uma ciência, mas não é Engenharia Aerospacial... Numa prova longa, como é um campeonato que se disputa ao longo de mais de 8 meses, tem que se efectuar um trabalho na pré época (+/- 8 semanas) ao nível do treino de resistência que permita aos jogadores resistirem o melhor possivel ao desenrolar do campeonato... Daí que continue a referir que os atletas do SCP não têm a condição fisica adequada para as provas em que se viram envolvidos...

    Claro que não convém esquecer-mo-nos que uma 5ª 'coisa' é o factor arbitragem... Esse sim altamente condicionador da 'performance' das equipas... É só ver a inacreditável discrepância nos cartões mostrados aos nossos jogadores a aos jogadores de outros dois clubes...

    Aquele Abraço Leonino

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    Respostas
    1. Caríssimo amigo YaZalde, estou inteiramente de acordo com a "5ª essência" que refere. Também pratiquei remo no Galitos de Aveiro nos gloriosos tempos da minha juventude e sei quanta tareia se tem de apanhar para alcançar niveis competitivos aceitáveis. E já escrevi por aqui uma boa porção de vezes, que um treinador devendo ter um enorme sentido de justiça, jamais poderá pretender alcançar resultados acima do sofrível, se quiser ao mesmo tempo ser um "gajo porreiro" para com quem comanda. Dá-me ideia de que dessa exacerbada preocupação de MS, resultou um notório aliviar das cargas de treino na pré-época e o resultado está à vista.

      Bruno de Carvalho terá conduzido a sua relação com MS de forma leviana e de certo modo ditatorial. Mas creio que no fundo, a grande incompatibilidade entre os dois estará no grau de exigência e aí, muito provavelmente terá razão.

      Não sei se MS vai continuar ou não. A meu ver, deveria continuar, porque para além dos erros a que o levou a inexperiência, parece-me um bom técnico e se limar as arestas menos bem trabalhadas, a sua continuidade evitaria que o Sporting tivesse de regressar de novo à estaca ZERO, para além do facto de em Portugal não haver, a meu ver, ninguém que o supere e um treinador estrangeiro do seu nível ser incompatível com o actual orçamento leonino.

      Mas na próxima época terá necessariamente de eliminar o "porreirismo" e fazer uma pré-época de elevado grau de exigência. Nem sei mesmo se a sua equipa técnica estará à altura do trabalho realizado por Materazzi em 1999, ou se não seria de equacionar a vinda de alguém do exterior, com um grau de conhecimento em metodologia de treino muito acima do que evidencia a grande maioria dos nossos preparadores físicos.

      Sobre a questão da arbitragem, reconhecendo a relativa quota de influência que teve nos resultados do Sporting, de há muito me acompanha a filosofia de que uma equipa que pretenda sonhar com o título, terá que estar preparada para vencer, mesmo contra 14 adversários em campo. Penso que só deveremos apontar o dedo aos erros alheios, quando não os cometermos nós próprios. E esta época, com franqueza, teremos exagerado e ultrapassado limites de tal modo inadmissíveis que se torna difícil utilizar o argumento da arbitragem.

      Grande abraço e SL

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