segunda-feira, 20 de abril de 2015

E já teremos perdido demasiado tempo!...



Presidenciais

"Agora que, no processo que conduzirá às eleições para Presidente da República, saltam candidatos de todos os lados e agregam-se calculismos dos que podem aspirar à vitória, será que poderemos reflectir sobre "presidenciais" no mundo do futebol? Talvez sim, em razão dos percursos pessoais, dos acordos clubísticos e dos resultados desportivos de curto-prazo.

No que toca à Federação, o mandato esgota-se temporalmente no final do ano. Seja como for, o projecto de poder pessoal e institucional de Fernando Gomes e dos seus mentores está esgotado. A federação profissionalizou-se; permitiu que Gomes se alcandorasse a parceiro de Platini e dos seus anseios; proporcionou que, numa azáfama de "networking", assiduidade e pontualidade, o futebol português voltasse a ter representante no Comité Executivo da UEFA; a Selecção está encarreirada; a organização dos campeonatos é o que é, a Taça é o que é, os jovens são o que são. Não há ideologia para mais: bastam o salão de festas e as subvenções para apartar as inquietações dos acólitos. Se Gomes tiver interesse em abdicar da paróquia e se quiser dedicar-se ao estrangeirismo iluminado, há que pensar nas hipóteses. Naturais, como Hermínio Loureiro ou Humberto Coelho. Desafiadora, como Evangelista. Inovadoras, como poderiam ser as de Angelino Ferreira ou Domingos Soares Oliveira. E esta ou aquela outra que as associações possam fazer surgir. São nomes mas o mais importante é saber o que se quer no "pós-gomismo", com tanto para fazer de estrutural e de estratégico para os próximos três ciclos.

Na Liga, Luís Duque começou agora mas muitos dizem que está a prazo. Alguns afirmam que tem esse compromisso de breve trecho e de antecâmara para, uma vez arrumada a casa, haver uma solução de longo prazo. Não sabemos. Se assim for, quem se afigura? Dentro do futebol ou fora do futebol?

Nos três grandes, os caminhos não são coincidentes. Bruno de Carvalho parece estar seguro, depois de titubear. O seu estilo marca um novo "presidencialismo", numa espécie de híbrido entre João Rocha e Sousa Cintra - "viscondes" é que ficaram fora de moda. Mas nunca se sabe: é o Sporting. Para FC Porto e Benfica, os resultados do futebol desta época não vão ser iguais aos outros. De um lado, o limite do "status quo" como fronteira para a discussão interna e a afirmação dos candidatos (com António Oliveira à cabeça). Do outro lado, os efeitos da longevidade única e das opções tomadas como pedra de toque para as alternativas (com Gomes da Silva na dianteira). Para estes casos, lá para Junho já poderemos cheirar algo mais.
(Ricardo Costa, Por força da Lei in Record)

Muito interessante esta análise do "ex-patrão" da Disciplina da LPFP, quando a Liga ainda detinha esse pelouro, hoje retirado das lides do futebol e professor de Direito da Universidade de Coimbra, que em tempos idos e na sequência do "Apito Dourado" terá ousado jogar a "ponta de lança" contra o "sistema" e ficou sem "chuteiras" e nem no banco permitiram que ficasse.

Pela certa que falará do que sabe e o seu saber será imenso. Pelo que será de todo conveniente que comecemos a reter estratégias e nomes por ele avançados, para num futuro mais próximo do que muitos julgarão, não sermos apanhados de surpresa e comidos por lorpas.

Aqui do meu canto, dou comigo a pensar na importância de preparar a próxima paragem do combóio, de modo a que entremos com segurança na carruagem que nos compete.

Porque com o combóio em andamento como da última vez, o medo ou a falta de agilidade podem voltar a fazer-nos falhar o estribo e obrigar-nos de novo a ficar em terra. Parece que não bastará o Marquês estar acompanhado do leão. Dizem que é preciso fazer reserva com tempo e sem que ninguém se aperceba. Consta também que tudo isso será mais importante que contratações sonantes e demasiado caras...

E já teremos perdido demasiado tempo!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Meu caro,
    Acho que você tem uma visão de analista sobredotado...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não costumo exigir tanta elegância nas críticas que me fazem...

      Eliminar

PUBLICIDADE