segunda-feira, 23 de julho de 2018

O asno que serei, só aceita a albarda que escolher!...


SOUSA CINTRA É O MESTRE DA SOBREVIVÊNCIA


«Em 1989, quando Sousa Cintra foi presidente do Sporting, aos 44 anos, no Portugal sem televisão privada e sem internet ele tornou-se o homem do momento. Recordo que a revista ‘Élan’ lhe fez uma entrevista de vida, assinada pelo José Neves de Sousa, que levou a minha filha Teresa como assistente. As fotos efectuaram-se junto aos ascensores do Hotel Tivoli, por onde o jovem Cintra passara, sublinhando-se com isso que o empresário de sucesso subira a corda a pulso.

Nos anos seguintes, Sousa Cintra ficaria muito popular entre os jornalistas, pela disponibilidade e pela frontalidade do discurso, pelo deslumbramento que não escondia, pelo dicionário peculiar a que recorria – e a que continua a recorrer pelo que se lhe tem ouvido por estes dias –, mas igualmente por terminar as conversas com paletes de refrigerantes, garrafas de água e pacotes de batatas fritas que distribuía pelos repórteres. Ficou até lendário o episódio que interpretou ao volante do seu Mercedes, quando dava boleia a alguns repórteres: acabou de beber água de uma garrafa e lançou-a pela janela, que julgava aberta... mas que tinha, afinal, o vidro fechado. Seguiu-se o impropério resultante da cena caricata e o riso generalizado.

Talvez por achar que Sousa Cintra teve a sua época e que o Mundo é outro, alinhei nas críticas em que se dava a escolha para integrar o Conselho Directivo dos leões e liderar a SAD como uma pataratice de Jaime Marta Soares. Afinal, a história não se repete e quase um quarto de século depois de deixar a presidência dos leões e já para lá dos 70 anos, tudo indicava que teria, neste regresso ao Sporting, tanta sorte como a das cervejas Cintra. Felizmente, enganei-me, o homem está vivo, amadureceu, sabe o que faz e tem metido – com lucidez, determinação e amor à causa – mãos à obra de salvação leonina. Ou não fosse ele um mestre da sobrevivência.

Em menos de um mês, Cintra devolveu a tranquilidade possível a Alvalade, despachou o treinador sérvio – e outros cavalos de Tróia, com excepção de um, que por lá resiste para vir contar o que se passa –, tentou o regresso de Jorge Jesus, chamou José Peseiro, contratou Nani, recuperou Bruno Fernandes e Bas Dost, vendeu bem Piccini, está no tudo por tudo por Battaglia e Rafael Leão, e vai reforçando o plantel de modo a mitigar os efeitos negativos do que já não pôde travar: as saídas de Rui Patrício, William, Podence, Rúben Ribeiro e Gelson – e a consequente perda de muitos milhões de euros. Milagres, Sousa Cintra não consegue fazer, mas o trabalho que tem vindo a desenvolver é simplesmente notável...»

E não terá Alexandre Pais contado neste seu artigo, tudo o que sabe e, obviamente, aquilo que não saberá mesmo! Alguns "segredos" têm saído a conta-gotas, por óbvias 'inconfidências' do "cavalo de Tróia que por lá resiste". Mas outros, por constituírem 'leonina vergonha" e Sousa Cintra se recusar liminarmente a revelá-los, talvez só a auditoria forense ou o próximo R&C os venham a revelar. A ponta do véu, ou do 'iceberg', talvez esteja nas contas congeladas ao Sporting por incumprimentos perante o Estado, para não falar já no que aos fornecedores deveria ter sido pago como pessoa de bem que deveria ser entendido o Sporting Clube de Portugal por quem o vinha liderando.

À desconfiança, protestos e infâmias lançados sobre Sousa Cintra, tem este vindo a responder com silêncio e obras, exactamente nos antípodas daquele a quem, para bem do Clube, teve de suceder. Hoje, o viperino e afinado coro inicial, está reduzido a tão confrangedora mudez, quanto em cada dia vão recrudescendo os generalizados aplausos sobre o sucesso da tarefa ciclópica a que teve de meter ombros o "nosso homem sem sono", este sim, a trabalhar 24 sobre 24 horas, ainda não está decorrido um mês!...

Do resto, contem-me histórias que eu adoro 'estórias'! Temporâs ou serôdias, quentes ou frias, búlgaras ou tugas, verdadeiras ou falsas, inteligentes ou asininas, pouco me importará saber, eu papo-as todas com a mesma voracidade e aqui prometo deixar os dejectos à disposição de quem mas pretender contar!...

O asno que serei, só aceita a albarda que escolher!...

Leoninamente,
Até à próxima

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