quarta-feira, 1 de março de 2017

Uma pena JJ não provar a água de várias fontes e origens!...


FRANCISCO GERALDES E O CONTROLO OBSESSIVO DE JESUS

«"Muitas vezes aquilo que eu fui como jogador limita-me em termos de leitura daquilo que está acontecer…

Ele consegue descobrir soluções que eu no meu entendimento não consigo perceber, no momento não consigo perceber o que ele quer mas ele descobre porque ele tem muito mais qualidade do que eu algum dia tive e apesar de eu estar de fora ele é capaz de descobrir soluções… Aqui há uns anos se ele não jogava no movimento que eu queria, ficava chateado, porque achava que ele não estava a corresponder à dinâmica do colectivo. Agora deixo fluir, porque percebo que ele me consegue dar, a maior parte das vezes, soluções muito mais ricas do que aquelas que eu estava à espera."

Afirmava Vitor Pereira em 2009.


As experiências anteriores são sempre relevantes. Saber entendê-las, valorizá-las e usá-las assertivamente aproximará do sucesso os mais astutos.

Não ter sido um futebolista extraordinário terá ajudado Jorge Jesus naquilo que conceptualiza para o jogo. Mais do que ninguém pensa e define posicionamentos com linhas de passe intermináveis, para que colectivamente as suas equipas sejam capazes de resolver problemas. A forma como colectivamente as suas equipas têm o jogo sempre ligado e pensado, poderá estar relacionado com as dificuldades que sempre encontrou enquanto jogava. Sozinho, sem apoios, sem combinações, não seria capaz de ter sucesso. Então, transporta para o campo as ajudas e ligações que sempre quis ter para poder resolver os problemas que encontrava no seu tempo de jogador.

Porém, e ao contrário do seu colega Vitor Pereira, não parece revelar abertura para o novo. Para o diferente, para o criativo.

Demasiado dirigista, Jorge Jesus pretende sempre que o jogo seja um guião por si escrito. Se posicionalmente o que acrescenta aos seus atletas é de uma relevância extraordinária, o culto de querer comandar o jogo como se tivesse um comando na mão, retira-lhe capacidade para apreciar quem possa fazer diferente. Quem possa tomar com bola decisões que não vislumbra.

Terá sido demasiado fácil colocar William no espaço outrora do lesionado Adrien. O médio defensivo, tem com bola o perfil que Jorge Jesus pretende. Decisões simples. Respeitar sempre e a todo instante os movimentos que ele próprio cria. No posicionamento, o tempo de trabalho que leva com o seu treinador será o suficiente para também pisar a cada instante o metro de terreno que lhe está reservado em cada momento e em cada fase do jogo ofensivo ou defensivo.

O jogo é do ponto de vista do posicionamento mais fácil de interpretar para quem joga na posição seis do modelo de Jorge Jesus. Proximidades com linha defensiva, relação com esta nos equilíbrios, compensando movimentos dos defesas centrais, e com bola, baixar uns metros para iniciar construção. Quem joga mais à frente, na posição oito, encontra maior variabilidade de situações. Está obrigado a tomar mais e mais rápidas decisões.

Do ponto de vista daquilo que controla, tomou a decisão mais fácil. Entrada de João Palhinha na posição seis. Ele que tem o perfil físico que tanto adora Jorge Jesus, e na posição mais complicada de corresponder às exigências em termos de decisões e posicionamentos, opta por manter alguém com muito tempo de trabalho consigo, que lhe consiga garantir que continua a sua equipa a seguir um guião predeterminado.

Faltará a Jorge Jesus abrir um pouco a mente. Perceber, tal como em tempos Vitor Pereira percebeu, que nem sempre fazer diferente é fazer pior. Há quem em cima do posicionamento idealizado pelo treinador coloque criatividade. Qualidade com bola. Mesmo que as decisões fujam ao controlo do comando. Há no plantel leonino um jogador extraordinário, com qualidade para na posição de médio centro ligar com qualidade as fases ofensivas do jogo do Sporting. Alguém que vê mais que o próprio treinador quando se fala em decisão com bola.

Permitir que os jogadores entrem nas ideias da equipa, e que o guião não se resumisse às figuras de um emissor e vinte e alguns receptores, poderia contribuir para o crescimento das equipas de Jorge Jesus. Porque perder um pouco o controlo das decisões com bola da sua equipa não teria de significar perder qualidade. Pelo contrário. Se receptores como Francisco Geraldes puderem ser também emissores, muito terá para crescer em criatividade e em decisões fora da caixa a equipa do Sporting.

O controlo obsessivo por tudo o que se passa no jogo, mesmo com bola, quem sabe pela limitações encontradas enquanto jogador, leva o treinador leonino tantas vezes a optar por quem lhe garanta que faz sempre o mesmo.

Há contudo, alguém que elevaria o nível da equipa do Sporting à espera do seu momento. Porque fazer diferente, quando se fala de um jogador inteligente e criativo, é tantas vezes fazer melhor!»
(Pedro Bouças, Lateral-Esquerdo, in Record)



Pois é! Ganhámos 2-0 ao Estoril. Não sofremos golos e tal e tal, mas, lembram-se do que escrevi por aqui nesse dia no final do jogo?! Pelo sim, pelo não, eu permito-me relembrar:


 "... O Sporting fez uma boa exibição sem o seu capitão?! Bom, isso será uma conversa completamente diferente e decerto que nenhum sportinguista terá a coragem de o dizer. Que a vitória foi indiscutível, não haverá dúvidas. Mas... aos meus botões eu vou dizendo que William não nasceu para fazer de Adrien e que os equívocos de JJ não nos fazem nada bem! Talvez ganhe coragem para receber o Guimarães em Alvalade!...


Já me cansei de dizer que para o lugar de Adrien só temos um!..."



Pois é! Depois de ler a sublime crónica de Pedro Bouças, cujo pensamento comungo de "juba eriçada" e com satisfação imensa, julgo que me faltaria a audácia necessária para voltar a escrever  que JJ "talvez ganhe coragem para receber o Guimarães em Alvalade"!...

É que Jesus ainda não teve tempo de mudar o "chip", de "formatar" o Xico Geraldes, que o mesmo será dizer "amordaçar-lhe" a inteligência e a criatividade e transformá-lo num "robot" à sua imagem e semelhança. Apenas e só quando o miúdo começar a assemelhar-se a um "adrienzinho", começará "dar-lhe" uns minutinhos aqui e além e, entretanto, Adrien regresssa, a época acaba, continuaremos apenas com um oito e para a próxima época logo se verá!...

Entretanto o Pedro Martins não precisará de esforçar muito a memória, nem aguçar demasiado o engenho, para encontrar o antídoto com que se apresentará em Alvalade!...

Uma pena JJ não provar a água de várias fontes e origens!...

Leoninamente,
Até à próxima

7 comentários:

  1. Acho que há aqui algum exagero. O Jesus não vai amordaçar a criatividade d e ninguém. Mas o jogo não é só para frente; Jesus lá saberá do que necessita f Geraldes para ser mais jogador. Ele sempre gostou de criatividade. Veja-se o caso de Pablo Aimar ou mesmo Bryan Ruiz.
    SL
    Vasco

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  2. Talvez seja o Xico o jogador chave para o jogo com o Guimarães porque senão na própria casa vamos sofrer!! Será mais um jogo para defender..

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  3. Cuidado que o Bouças é lampião!!

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    1. Ó diabo, a sério?! E eu a julgar que era do clube cujo emblema vemos na imagem! Factos, caro "anónimo das 22:47", venham eles...

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    2. Primeiro é, é será sempre do grande Clube Futebol Benfica.

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    3. Pronto, nº1 já sabemos! E depois, e depois?!...

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  4. O geraldes nem sequer fez pre-epoca, pois nao?

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