segunda-feira, 27 de março de 2017

Entrevista de Bas Dost




Bas Dost deu uma entrevista ao jornal Dagblad van het Noorden, da Holanda, em que falou praticamente de tudo. Até... da proposta do futebol chinês.

«Quando o meu empresário me disse que existia interesse de um clube chinês e que eles tinham apresentado uma proposta concreta de 40 milhões de euros, eu ri-me às gargalhadas», referiu Bas Dost, sobre o interesse do Tianjin Quanjian.

«Depois fiquei lisonjeado, uma proposta de 40 milhões de euros não é normal. O Sporting tinha-me comprado meio ano antes por um quarto desse valor. Mas o clube recusou. O presidente disse a um jornal que não iam aceitar a proposta. Isso foi especial, para mim. Mostra o apreço que têm por mim ao recusar 40 milhões de euros. Não me importei, porque não estava à espera de ir para a China. Ia ganhar muito dinheiro, claro, mas eu tenho um bom contrato aqui no Sporting.»

Antes disso, Bas Dost já tinha falado da luta pelo título de melhor marcador europeu: Bas Dost, recorde-se, está em segundo lugar na corrida à Bota de Ouro, com apenas menos um golo do que Lionel Messi.

«Não estava de facto à espera disto, mas é um prazer estar nesta lista. Só o Messi está acima de mim», sorriu.

«O meu trabalho é marcar golos. Até podia jogar bem futebol, mas num avançado o que conta são os golos. Mesmo que tenha trabalhado muito e que não tenha tido bolas, num jogo, vão exigir-te sempre golos. No final do ano, o que toda a gente vai ver é quantos golos um avançado marcou. É tão simples como isto. Antes de chegar ao Sporting também queria fazer golos, claro, mas tinha menos percepção do quanto importante é marcar.»

Pelo caminho, Bas Dost diz que às vezes se torna injusto até para os companheiros.

«Há uma grande pressão sobre o ponta de lança. Se não fizer golos, tenho um problema. Mas se você fizer, então é um luxo. Ser ponta de lança torna-se a melhor posição do mundo. Recebo todos os elogios, o que é injusto até, porque são os meus companheiros que me colocam na posição em que posso marcar. É importante ter essa noção. Desde que me mantenha consciente que não sou um Deus, acho que não há problema.»

Bas Dost confessa que ainda está a habituar-se à cultura portuguesa: que é completamente diferente do que conhecia na Holanda e na Alemanha. O avançado diz que é feliz em Lisboa, que gosta muito de viver perto do rio Tejo, na zona do Parque das Nações, embora só saia para conhecer a cidade quando recebe a visita de algum familiar.

Mas acordar e ver o sol a nascer em cima do Tejo não lhe diminuiu a sensação de choque que é a cultura portuguesa.

Por exemplo, Bruno de Carvalho.

«O presidente senta-se no banco todos os jogos. Eu nunca via o presidente do Wolfsburgo. Ou antes, via uma vez por ano: na festa de Natal. Aqui o presidente está quase sempre no treino. Só falta ele dar o treino, porque de resto está quase sempre lá. Tivemos uma eleição presidencial há pouco tempo e foi um circo», sorri.

«O nosso presidente foi reeleito com um número recorde de votos. Mas o outro homem que também concorreu, por exemplo, queria mudar tudo. Ele falava todos os dias à imprensa, dizia que ia despedir o nosso treinador imediatamente quando fosse eleito e que ia contratar o Juande Ramos. Enfim, é o tipo de situações que na Holanda não acontece. De todo.»

Por outro lado, para Jorge Jesus é só elogios.

«Nunca tive um treinador que soubesse tão bem o que eu posso e o que eu não posso fazer. E ele sabe muito bem como convencer todos os outros jogadores a jogar de forma a eu poder tirar o melhor rendimento de mim. Recebo exactamente as bolas que eu gostava de receber», refere.

«Ele entende tudo sobre mim. Conhece-me por dentro e por fora. Se ele não fosse uma pessoa tão importante neste clube, a minha transferência não teria acontecido, porque o Wolfsburgo já tinha recusado duas propostas por mim. Então o presidente do Wolfsburgo disse-me que tinha recebido outra proposta, de um clube que tinha um treinador que era um Deus. Então corri um risco, mas a verdade é que agora estou a fazer golos e o responsável por fazer isso possível é o treinador.»
(in MaisFutebol, edição online ontem)

Começa a ser muito difícil ao adepto sportinguista que me orgulho de ser desde que me conheço, encontrar palavras para expressar a cada vez maior admiração que me infunde este extraordinário jogador e homem, que quase com pés de lã nos entrou pela porta dentro!...

Quando me ponho a imaginar aquilo que nos poderá estar reservado para a próxima época, se a sorte o acompanhar e as lesões ou os castigos não o apoquentarem e for capaz de entender e falar a nossa língua...

Acho que será desta que volto a queimar o claxon do automóvel!...

Leoninamente,
Até à próxima

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