quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Uma andorinha não faz a Primavera, mas se não chegar a primeira...




O golo da verdade

O polémico golo anulado este fim de semana ao Sporting, tem uma característica muito especial: não foi polémico. Excepto meia dúzia de alminhas, não se encontra quem diga que o golo foi bem anulado. Foi golo e pronto. A única polémica foi a decisão do árbitro de o anular. O Sporting merecia ter acabado a primeira volta da Liga com mais dois pontos.

É bem verdade que, como foi dito várias vezes na conferência de imprensa em Alvalade, um jogo e uma actuação de um árbitro não podem ser resumidos num só lance. Mas é também verdade que basta um lance para mudar a história de um jogo – às vezes mesmo de um campeonato. Quando é “limpinho, limpinho”, não há nada a fazer. Quando o árbitro erra... também não? Pois, também não.

As declarações de Bruno de Carvalho no final do jogo foram uma bordoada exagerada, como diz José Fontelas Gomes, presidente da Associação de Árbitros de Futebol? Deve o presidente do Sporting ser punido pelo que disse? Ou, como afirmou Carlos Xavier, o líder do clube leonino fez muito bem em protestar, pois “o Sporting andou a ser comido muitos anos”? Esta questão é talvez muito importante, mas é muito menos importante do que outra: o que acontece ao árbitro que errou e prejudicou ostensivamente o Sporting?

Nos últimos anos, o movimento propulsionado pelo jornalista Rui Santos que apela à verdade desportiva tem engrossado a sua lista de apoiantes. Está demonstrado que a utilização de novas tecnologias ajuda a reduzir a margem de erro e possibilita a correcção atempada de uma decisão errada. Sempre que há um lance como o deste fim de semana entre o Sporting e o Nacional, ergue-se uma barragem de críticas ao “sistema” e desfraldam-se bandeiras apelando à verdade desportiva. E depois nada acontece. Assim será outra vez agora. As críticas dos árbitros ao presidente do Sporting são uma tentativa de mudar de assunto. O que, como quase sempre, será conseguido. Como escreveu Mário Balotelli há dois dias no Twitter, “Bom Natal e bom ano a todos, até para o árbitro”.


É preciso um indefectível benfiquista, vir a terreiro dizer que "o rei vai nú", para que toda a nação leonina e os mais profundos adeptos do futebol, possam dormir descansados na certeza de que neste mundo cão em que vivemos, ainda existe gente séria que cultiva valores e princípios eternos. Seja em que quadrante nos detivermos, da política ao desporto, do futebol ao badmington, do Benfica ao Esperança de Lagos.

Volto com o meu irreprimível aplauso a Pedro Santos Guerreiro. Gente séria, gente lúcida, que merece o nosso respeito. Volto como sempre voltarei, sem receio de me repetir, sempre que a dimensão humana de qualquer adepto, seja ele de que clube for, do Benfica, do Porto ou do Beira-Mar, o coloque bem acima da sua legítima preferência clubística, com a aura da honestidade. E nunca me cansarei, mesmo que a voz me doa e os ventos das críticas me pretendam violentar. Porque se "à mulher de César não lhe basta ser séria", também o comodismo do silêncio, jamais se comparará à coragem da afirmação da verdade!

Honra a um benfiquista, que apenas demonstra em cada dia, ser um Homem sério! Pedro Santos Guerreiro mereceria a honra de ter muitos mais seguidores. No seu clube do coração e em quaisquer outros clubes! Como merece a distinção de estar a poucos dias de ser investido na mais alta função da sua ainda curta carreira: director-executivo do Expresso, com a responsabilidade máxima na novel edição diária online.

Pedro Santos Guerreiro, é uma lufada de ar fresco no atribulado processo de crescimento do jornalismo português.

Uma andorinha não faz a Primavera. Mas se não chegar a primeira...


Leoninamente,
Até à próxima

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