quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sem apito vale ZERO, além de que passou a "verbo de encher"!...



400 MILHÕES

«Não quero que este texto seja lido como sinal de qualquer ressentimento. Não é o clubismo que me leva a olhar com desconforto para o negócio de 400 milhões entre o Benfica e a NOS. É uma inegável vitória para o clube da Luz e só posso dar os parabéns por isso. O que me incomoda é aquilo que já aqui escrevi: estes negócios, sejam com que clube forem, são maus para o futebol nacional. Há muito que defendo que, tal como acontece em alguns países, os direitos das transmissões deveriam ser negociados em pacote pela estrutura organizadora dos campeonatos. E distribuídos segundo os resultados desportivos de cada ano, favorecendo clubes com menor capacidade financeira que se consigam destacar no plano desportivo, contrariando quem se queira sentar à sombra da bananeira. Só assim se permite que outros clubes de média dimensão ganhem massa critica, tornando o campeonato mais competitivo e, por isso, com mais retorno financeiro. 

Não se trata de exigir justiça no mercado – sendo verdade que os três grandes não se têm de esforçar para ficar com o bolo quase todo de um campeonato que é feito por muitos –, trata-se de defender regras que favoreçam a qualidade do produto que se oferece e a sua própria sustentabilidade financeira. Este contrato é mais um passo na concentração de riqueza, tornando o futebol nacional ainda mais centrado em três clubes, mais desigual, menos competitivo, mais desinteressante. No fim, de pouco valem as transmissões dos grandes se estes jogarem contra clubes sem dinheiro suficiente para cumprirem os mínimos.»
(Daniel Oliveira, Verde na Bola, in Record)


Foi exactamente por ter a mesma perspectiva de Daniel Oliveira que escrevi o post anterior (LINK).

Agora, Daniel Oliveira faz uma apreciação mais abrangente de toda esta importante matéria que, sem nunca o referir, torna ainda mais débil, quiçá indefensável, a posição de Pedro Proença!...

Enganou-me bem o Proença: sem apito vale ZERO, além de que passou a "verbo de encher"!...

Leoninamente, 
Até à próxima

4 comentários:

  1. Álamo

    No inicio do ano ainda com Luís Duque a Autoridade da Concorrência decidiu que os contratos de cedência de direitos desportivos continham clausulas ilegais e tinham duas hipóteses ou reviam os contratos retirando as clausulas abusivas ou poderiam denunciar os contratos desde que o fizessem até ao dia 30/11/2015. De imediato o porto e a maioria dos clubes efectuaram a revisão dos contratos. Esta atitude impediu a centralização pelo menos até 2018 que é quando acabam os contratos. Assim se percebe melhor os motivos da aliança porto e benfica aquando da eleição do duque, impedir que os clubes implementassem uma estratégia de denuncia dos contratos em vigor tendo em vista a centralização. Agora a situação fica ainda pior pois até 2026 não poderá haver centralização, se fossem valor pequenos a Liga poderia assumir a penalização de uma rescisão antecipada, agora com os valores envolvidos, será completamente impossível. Esta estratégia tem dois grandes beneficiados e foi disto que BdC falou durante muito tempo, é o porto e o benfica. Alguém julga que o contrato do porto não vai ser de imediato revisto de forma a compensar os elevados serviços prestados à SporTv que lembro 50% é propriedade da NOS.

    Dos clubes que estavam na 1ª Liga, no ano passado, quando apareceu a possibilidade de denuncia dos contratos, apenas Sporting, Boavista, Penafiel e Gil Vicente não tinham revisto os contratos retirando as clausulas abusivas e por isso tinham possibilidade de denunciar os contratos até 30/11/2015. A grande questão, será que denunciaram?
    O surgimento deste negocio apôs essa data não é inocente, foi uma tentativa clara de não dar margem negocial ao Sporting, que se não denunciou o contrato na data referida agora terá de esperar até 2018 para celebrar um novo contrato.

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  2. Só para complementar o comentário que enviei anteriormente, pelo que expliquei, Pedro Proença estava de pès e mãos atados nesta matéria, nada poderia fazer para inverter o rumo. Estava até 2018 e agora vai fica até 2026.

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    1. Ao "anónimo das 23:28 + 32" direi que estou absolutamente de acordo com o que expôs nos seus dois comentários. E tanto assim é que no post anterior, referi exactamente os perigos que refere, concretamente no segundo comentário.

      Apenas me perdoará que o corrija, quando refere que tudo aconteceu porque PP "estava de mãos atadas". Preferirei dizer, por me parecer mais correcto, que PP "esteve de mãos atadas", só não sei de por INCOMPETÊNCIA, se por MANCOMUNAÇÃO!...

      Sobre a questão de saber se Sporting, Boavista, Penafiel e Gil Vicente, terão denunciado ou não os contratos até 30/11/2015, residirá a grande dúvida neste momento, mas naturalmente teremos de deixar passar a água necessária sob as pontes...

      De qualquer forma, apetece perguntar, o que andou PP a fazer na Liga?!...

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    2. Há um dado novo...se se confirmar a notícia: a Altice (Meo) está a tentar comprar os direitos ao Boavista (o mais receptivo), V.Guimarães e Belenenses.
      "A operadora Altice, dona da Meo, quer entrar no campo dos conteúdos desportivos, estando a tentar garantir a aquisição de direitos televisivos de transmissão de jogos.

      Depois de falhadas as negociações com o Benfica, tendo sido na quarta-feira anunciado o acordo entre as águias e a NOS, num negócio que pode chegar aos 400 milhões de euros, a Altice vira-se para Boavista, V. Guimarães e Belenenses.

      Segundo escreve o "Jornal de Negócios" desta quinta-feira, no caso do Boavista já haverá mesmo um acordo de princípio, que prevê duplicar para três milhões de euros por ano o preço dos direitos ainda na posse da PPTV." (in Record)

      A questão dos contratos também passa por um pormaior: há clubes a quem a Sportv adiantou verbas...

      Entretanto, no domínio do "diz-se que", a Eurosport terá sondado o Sporting, mas mais não adiantaram no "diz-se que"

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