segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Não vá o sapateiro além da chinela!...


SPORTING SEM PARCEIRO NO CICLISMO

«O anúncio do "entendimento perfeito e rápido, mas com os pés bem assentes no chão", como definiu Pinto da Costa, entre a equipa de ciclismo W52 e o FC Porto, confirma o regresso das camisolas azuis e brancas ao pelotão nacional e é uma boa notícia para a modalidade. Como seria boa notícia o regresso do Sporting, caso o entendimento entre os leões e a mesma equipa W52 mais não fosse do que um falhado e muito mal explicado processo de intenções.

Com pompa e circunstância, merecedor de espaço na 1.ª página e abertura de duas páginas no jornal "Sporting", o acordo foi tornado público no dia 3 de dezembro. Vicente Moura, responsável pelas modalidades do clube leonino, não tinha dúvidas: "Encontrámos um parceiro que fez com que fosse possível voltar às estradas". Mais, aquele dirigente leonino sabia também o que não queria. Ele e o Sporting, claro está: "Ainda nos recordamos do Benfica, que depois não foi capaz de aguentar e acabou mal, por isso a nossa perspectiva para já são três anos". Na televisão do clube, o presidente, sr. Bruno de Carvalho, esclarecia: "O objectivo é vencer a Volta, mas também as restantes provas em que entrarmos".

Havendo estas certezas e convicções, o que mudou entre o dia 3 e o dia 5 para que o FC Porto entrasse na corrida e logo com vitória ao "sprint"? Da parte da W52, a explicação fala da existência de "negociações com o Sporting Clube de Portugal, [que] decorreram através de um intermediário, tendo ficado o possível acordo pendente de uma proposta final que nunca chegou a ser concretizada." Faltou, portanto e nesta versão, colocar o preto no branco. Mas se assim foi, como se compreendem as declarações de Nuno Ribeiro, director desportivo da W52, ao… jornal "Sporting"? "É um projecto que será muito importante para a modalidade. Temos de defender a camisola do Sporting e entrar em todas as provas com o objectivo de ganhar", dizia Ribeiro, não deixando dúvidas, tal como o Sporting, quanto à validade e objectividade do acordo/projecto.

Restava conhecer a posição do clube leonino, mas o que tivemos, em comunicado divulgado através do facebook ("where else"?), foi um texto carregado de insinuações, onde basicamente se faz a ligação entre a W52 e o doping: "Teve o clube conhecimento de factos e situações que suscitaram e suscitam as maiores e mais sustentadas dúvidas sobre procedimentos relacionados com análise e controlo anti-doping por parte dos promotores do projecto." Será isto apenas a confissão de supremo amadorismo, ignorando que devemos estudar os parceiros antes de anunciar parcerias? Mas que "factos e situações" são esses? Há casos de doping? Quais? E se os há, não está o Sporting a dizer também que o FC Porto é a partir de agora conivente e cúmplice da batota? Haverá mais alguma equipa de ciclismo que queira juntar o nome e esforços a um clube que ainda não regressou e já está a maltratar a modalidade? Acreditamos que não.»
(Paulo Renatyo Soares, Linha Directa, in Record) 

Já por aqui o deixei entender: o Sporting deverá esquecer o ciclismo, pesem embora todas as boas razões que possam ser argumentadas!...

Conhecendo-se todas as vicissitudes que essa fantástica modalidade desde há muitos e muitos anos atravessa e fazendo ponto de honra nos valores e princípios defendidos pela insttituição centenária que o Sporting Clube de Portugal se orgulha de ser, haverá uma incompatibilidade incontornável sempre que na base estiver uma parceria com uma qualquer estrutura, necessariamente eivada dos vícios que o Clube recusa.

Nesta condição, o lançamento do ciclismo em Alvalade, apenas se tornaria exequível, se houvesse capacidade económica e financeira para arrancar com um projecto de raíz e, mesmo assim, subsistiriam sempre dúvidas sobre a contaminação de qualquer atleta que viesse a ser contratado.

Como a situação económica e financeira é a que todos conhecemos, melhor será colocar de lado esse utópico desígnio e canalizar recursos para o reforço e melhoria de todas as actuais modalidades, algumas delas vivendo grandes dificuldades e subsistindo à custa do sacrifício, do altruismo e da carolice de tantos e tantos sportinguistas...

Não vá o sapateiro além da chinela!...

Leoninamente,
Até à próxima

P.S. - Algum tempo depois de publicado este post, encontrei na blogosfera leonina, uma luzinha ao fundo do túnel para o ciclismo no Sporting Clube de Portugal, que não colide em nada com o meu pensamento e que não resisto a deixar por aqui:

"... Não seria possível colocar o Marco Chagas a fundar um projecto de raiz dentro do clube? Escolhendo a dedo jovens valores do ciclismo que dentro de algum tempo se materializasse numa equipa de valor? Vencer não pode ser o único modo de um clube…e roubar, muito menos."
(Leão de Plástico, Modus roubandis)

A minha homenagem ao grande leão Javardeiro. Talvez esta seja a única via que poderá merecer o meu aplauso: escolher a dedo jovens valores que a médio prazo corporizassem os valores e os princípios do Sporting, sem nos hipotecarmos a esquemas e vícios que infestam o ciclismo!...

1 comentário:

  1. O doping é um grande problema para a pocilga... Que o digam Casagrande e Fernando Mendes...

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