sábado, 26 de dezembro de 2015

"O Ser de que nos reinvindicamos não o fundamos em nós senão por actos"!...


Os Actos Valem mais que as Palavras

«Nenhuma explicação verbal poderá alguma vez substituir a contemplação. A unidade do Ser não é transmissível pelas palavras. Se eu quisesse ensinar a homens, cuja civilização o desconhecesse, o que é o amor a uma pátria ou a uma quinta, não disporia de argumento algum para os convencer. São os campos, as pastagens e o gado que constituem uma quinta. Todos e cada um deles têm como missão produzir riqueza. No entanto, há alguma coisa na quinta que escapa à análise dos seus componentes, pois existem proprietários que, por amor à sua quinta, se arruinariam para a salvar. Pelo contrário, é essa 'alguma coisa' que enriquece com uma qualidade particular os componentes. Estes tornam-se gado de uma quinta, prados de uma quinta, campos de uma quinta... 
Assim se passa a ser homem de uma pátria, de um ofício, de uma civilização, de uma religião. Mas, para que alguém se reclame de tais Seres, convém, antes de mais, fundá-los em si próprio. E, se não existir o sentimento da pátria, nenhuma linguagem o transmitirá. O Ser de que nos reinvindicamos não o fundamos em nós senão por actos. Um Ser não pertence ao domínio da linguagem, mas dos actos. O nosso Humanismo desprezou os actos. Fracassou na sua tentativa.»
(Antoine de Saint-Exupéry, in 'Piloto de Guerra')


Creio que se estará rapidamente a aproximar de Alvalade,  o "tempo dos actos": em todo o nosso passado recente vimos assistindo com enlevo mais ou menos pronunciado, consoante a sensibilidade de cada um, à costrução, com palavras, da moldura do quadro do nosso encantamento; acabado que estará o "embelezamento" da obra, talvez seja chegada a hora de abandonar as palavras e pintarmos, definitivamente, o quadro com actos!...


"O Ser de que nos reinvindicamos não o fundamos em nós senão por actos"!...


Leoninamente,
Até à próxima

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