sábado, 24 de junho de 2017

Nem se há-de notar!...


NESTE MOMENTO NÃO HÁ CONDIÇÕES PARA HAVER CAMPEONATO

«Estamos a 47 dias do arranque do campeonato 2017-18 e não há qualquer sinal de que a FPF e/ou a Liga estejam a congeminar ou a preparar algum plano de contingência ou de emergência — como se queira chamar-lhe — para, como lhe compete, salvaguardar a integridade da competição, na sequência das denúncias que o Porto tem vindo a realizar sobre um alegado ‘modus operandi’ do Benfica, no sentido de gerar e potenciar supremacias (ilícitas, segundo a acusação) também fora das quatro linhas.

O ponto 16 dos compromissos desenhados pelo presidente da FPF, Fernando Gomes, e da sua Direcção, fala na "Defesa do bom nome das competições" e aponta para "reforçar a defesa dos valores essenciais (…): a imparcialidade e competência dos agentes de arbitragem e o bom nome e credibilidade das competições".

A credibilidade da competição foi e está posta em causa.

É fácil compreender que, face à gravidade daquilo que o Porto imputa ao Benfica, e sem se apurar a veracidade das acusações, não há condições para que a Liga 2017-18 se realize, com um mínimo de condições de salubridade.

Está tudo colocado em causa. As classificações, os observadores, os delegados, a Liga, a FPF. Todo o sistema de organização em que assenta o futebol nacional. O passado (e por isso perguntava, no artigo que escrevi há uma semana, há quantas épocas o campeonato português é uma farsa?!), o presente e, se não forem tomadas medidas urgentes e eficazes, o futuro.

O princípio da presunção da inocência é sagrado num Estado de Direito. Num caso como este, alicerçado em emails alegadamente trocados por pessoas directa ou indirectamente ligadas ao futebol, e que — a não haver truncagens ou descontextualizações — os compromete até ao tutano, não há, apesar das aparências, nenhuma razão para se ignorar ou relativizar esse princípio da presunção da inocência.

Esse princípio não pode, contudo, ser visto como uma parede de betão que inviabiliza a tomada de decisões. Não se pode ficar a olhar para todos estes indícios como se nada se estivesse a passar. As acusações são demasiadamente graves. Os acusados não podem passar entre os pingos da chuva se as imputações forem verdadeiras. Os acusadores também não, se se chegar à conclusão de que — como defende o Benfica — essas imputações correspondem a "informação falsa ou distorcida intencionalmente", negando qualquer tentativa de condicionamento "quer da arbitragem, quer dos órgãos da justiça desportiva".

O presidente da FPF, Fernando Gomes, que tem agora de gerir, nos próximos dias, as acusações de corrupção que se abateram sobre um dos seus vice-presidentes, Hermínio Loureiro, e que era o seu substituto em acções de representação institucional, tem responsabilidades acrescidas num processo que dinamita, interna e externamente, a credibilidade do futebol português, não podendo por isso deixar que se veja arrastado nesta enxurrada de suspeitas, acusações e lucubrações, mais ou menos sustentadas. Teve uma atitude positiva e consistente: contactar a Procuradoria Geral da República e a Direcção Nacional da PJ e disponibilizar-lhes todos os processos de nomeação, classificações e relatórios dos observadores dos árbitros, desde que entrou em funções (2011). É uma boa iniciativa no sentido de colaborar e poder acelerar a investigação.
Não há outra forma de olhar para este assunto sem confiar, minimamente, que a investigação se faça. E se faça, doa a quem doer, sem intenções previamente persecutórias ou previamente condenatórias, apenas com o objectivo de se apurar a verdade.

Contudo, coloca-se a seguinte questão: alguém acredita que, em mês e meio, haja conclusões sobre este processo? E, no verosímil cenário de não haver, como é que a Liga 2017-18 pode efectivamente arrancar, sem todos os anátemas que já se acham abatidos sobre ela, ainda por cima num quadro muito mais restritivo do ponto de vista do acesso directo à Champions?

Alguém acredita que os os ‘árbitros’ sinalizados nos emails revelados pelo Porto têm condições para dirigir algum jogo e, fundamentalmente, algum jogo em que participem o Porto e o Benfica?

Isto, o videoárbitro não resolve.

Esta questão dos árbitros (há pormenores da sua vida íntima?!!!) é particularmente relevante. Eles próprios não podem começar a época debaixo desta pressão/suspeição. E se for a classe a dizer "alto e pára o baile’, então é o Governo, a FPF e a Liga que ainda ficam piores na fotografia. Nas actuais condições, o campeonato não pode começar. Nunca os árbitros tiveram tantos motivos para impor uma limpeza (interna) e denunciar procedimentos, doa a quem doer. E tomar posição. Porque há certamente gente séria no sector e no futebol — e é essa gente que urge proteger.

JARDIM DAS ESTRELAS (1 estrela) - Papagaiada

Vivemos a fase em que os presidentes dos clubes perderam toda a sua autonomia, identidade e autenticidade e foram substituídos não apenas por direcções de comunicação mas também por marionetas de comunicação, produzidas por elas e colocadas na gaiola da papagaiada. Havia excessos, intervenções boas e más, mas eram eles que davam a cara, para o bem e para o mal. Agora é tudo parturejado, plastificado, artificializado, ainda por cima num tempo em que as redes sociais vieram aumentar a capacidade de mentir, desvirtuar, armadilhar. Há uma deriva única do futebol português no contexto europeu. O país campeão da Europa de futebol é o mesmo país que lutou tantos anos para ser campeão da Europa, sem o conseguir. O país que adora chafurdar na promiscuidade e no favor. Esta coisa muito tuga de, por exemplo, pedir bilhetes para a bola tem o seu preço. A APAF acha que não. Outros agentes acham que não. Mas tem. Ai tem, tem…

O CACTO - Porquê?!!!

Como é que se pode acreditar na solidez e na eficácia da ‘justiça desportiva’ quando o ‘caso do túnel’ (Sporting-Arouca), um caso que não tem nem nunca lhe foi reconhecido uma enorme complexidade, até pela existência de imagens que caíram na praça pública, não apresenta nenhuma decisão? Se o CD da FPF foi célere a despachar, qual a razão por que, passados quase 8 meses sobre o incidente, a Comissão de Instrutores ainda tem o processo ‘congelado’? Se um caso destes leva quase um ano a decidir, o que se pode esperar do desempenho da CI da Liga no "mailingate’? Não deveria ter notificado, imediatamente, sem perda de tempo, os principais protagonistas? Não deviam estar a ser ouvidos em sede de inquérito? Esta desfuncionalidade ajuda a matar o futebol português.»
(Rui Santos, Pressão Alta, in Record)

E o violento tornado do "apito escarlate" que se abateu sobre o "futebol tuga" continua, sem que ninguém, por dentro, pense em dar corda aos sapatos, e por fora entenda arriscar quaisquer prognósticos!...

Mas que a coisa está preta. Ai está, está! E quanto mais mexerem na merda, mais ela cheirará mal! Por causa do cheiro não alastrar tanto é que, se calhar, a PJ terá recomendado a Francisco J. Marques, para não apresentar publicamente mais provas no Porto Canal. Será por julgar suficientes as provas até agora recolhidas?! Nesse caso, em vez de estar preta, a coisa poderá mudar de cor e, por certo, se vier a fazer corar alguém...

Nem se há-de notar!...

Leoninamente,
Até à próxima

6 comentários:

  1. Por mim, acho que PJ pediu as provas, para que não se conhecessem "mais desgraças"...
    Agora com "o problema" nas mãos (e com tanto elemento da PJ "ligados" a comissão do "pneu com pó"...)...eles tratarão de "dar sumiço" a mais provas...

    SL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Penso que a contar com essa jogada estará há muito o Porto, meu amigo. Eles também têm as suas influências na magistratura e na Judiciária, ao contrário da FPF e na LPFP. Vai ser interessante de assistir a esse braço de ferro!...

      SL

      Eliminar
    2. Mais que isso, dando um prazo..., vá..., de três mesitos... ( estou a ser simpático ) e não havendo nada... começarão a sair "bombásticas revelações" para definitivamente podermos por tudo no mesmo saco... para isso estará também preparada a PJ, o que será, a menos que haja um ainda mais VERGONHOSO ACORDO (nunca fiando e SEMPRE ALERTA), o 'nosso' maior trunfo...

      SAUDAÇÕES LEONINAS

      Eliminar
  2. Eu estou muito concordante com a opinião do MaximinoMartins e temo também que tudo o que a mafia quer é que terminem as denúncias! Não sei nem posso saber quem teve o mérito de descobrir toda essa matéria mas não vejo no FJM categoria suficiente pera valorizar esses achados! Nem o conheço pessoalmente mas essa é a minha "first impression".

    ResponderEliminar
  3. Como seria de calcular,tudo isto dará num enorme NADA. Hoje a bola já afiança que os e-mails não poderão servir de prova,pois tal como as escutas no Apito Dourado,estão "contaminadas" por terem sido tornados públicos e sofrerem de crime de violação de correspondência privada...
    Justiça em Portugal tem demasiados alçapões,feitos prepositadamente para proteger os poderosos!...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Salvo melhor opinião, julgo que o caro Francisco Fernandes deverá colocar a argumentação apresentada pelo jornal A Bola, no mesmo "saco de farinha" em que jaz por estes dias toda a argumentação do clube implicado em todo este escabroso processo. Por aquilo que se vai sabendo, a denúncia - anónima! - que deverá contar para a Justiça, terá antecedido em tempo bastante apreciável, os factos tornados públicos pelo director de informação do Porto. Pelo que cai pela base toda a argumentação falaciosa apresentada pelo "orgão oficioso do clube implicado".

      A denúncia anónima que despoletou o caso, terá levado a instância judicial que a recebeu, a confirmar junto dos diversos servidores de correio electrónico, a veracidade do conteúdo, acontecendo depois que essa confirmação terá sido deixada, intencionalmente por essa instância judicial, em bárbaro "banho maria". Só esse facto terá "obrigado/empurrado" Francisco J. Marques para a denúncia pública, que acabou por determinar que o processo fosse, como era previsível, de novo retirado da gaveta e avançado nos trâmites que jamais deveriam ter sido suspensos. E nada nem ninguém terá porventura impedido, que a mesma fonte anónima que fez chegar à Justiça a denúncia, também não a tivesse encaminhado para as Antas, ou Alvalade, ou FPF, ou LPFP...

      Contas feitas, o apregoado "crime de violação de correspondência privada", pode não ter efectivamente acontecido e as provas recolhidas pelo DCIAP ou outro organismo judicial qualquer, serem perfeitamente legais, por terem sido recolhidas no ânbito de uma investigação ordenada pela PGR, como foi amplamente noticiado, consequência da denúncia anónima atrás citada...

      O caso não terá tão simples como A Bola, a "eterna voz do dono", estará a pretender fazer crer! Compreende-se perfeitamente o desespero do clube implicado e do seu "orgão oficioso". Mas o "arquitecto" que desta vez terá construído todo o edifício deste novo "apito vermelho", estará bem lembrado das razões que desmontaram o "apito dourado" e só se fosse muito estúpido incorreria nos mesmos vícios que provocaram esse inusitado aborto!...

      Eliminar

PUBLICIDADE