terça-feira, 15 de março de 2016

"Porque atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir..."


PERDER CANSA

«Um amigo meu, que foi desportista de alta competição numa modalidade individual, repete sempre que o que o levou a abandonar o circuito mundial foi já não aguentar perder. Isso mesmo, um cansaço mental que derrotava qualquer esperança. A questão não era física ou técnica. Era de outra natureza.

Lembro-me sempre desta lição quando ouço uma ideia peregrina que tem feito o seu caminho nos últimos tempos: um clube pode ter vantagens caso seja eliminado prematuramente das competições europeias. Perder é benéfico porque, assim como assim, em algum momento é-se eliminado, logo quanto mais cedo melhor. Os defensores desta tese foram ao ponto de sugerir que uma vitória do Benfica contra o Zenit seria vantajosa para Sporting e Porto, pois os encarnados ficariam desgastados fisicamente e sofreriam nos jogos domésticos.

Ontem, na Luz, contra o Tondela, ficou de novo demonstrado o absurdo da teoria. Ganhar é sempre um suplemento de alma que compensa qualquer cansaço. E em fases avançadas de uma competição europeia a asserção é ainda mais verdadeira. Perder é que cansa.

Estar em várias competições ao mesmo tempo tem, contudo, um efeito: complica a vida aos treinadores. Não tanto pelo desgaste provocado nos atletas - para quem as vitórias são um factor de motivação -, mas porque para um técnico é bem mais exigente ter microciclos de treino, em lugar do conforto dos ciclos semanais. Mas essa é também uma diferença entre um clube grande e um pequeno. Nos grandes joga-se sempre para ganhar e as opções competitivas não são condicionadas pelas idiossincrasias dos treinadores.»
(Pedro Adão e Silva, Luz Intensa, in Record)

Tenho a firme convicção de que haverá em algumas crónicas de PAS, um insanável conflito entre a sua tentativa de demonstração e afirmação de uma honestidade intelectual que a sua indiscutivel craveira cultural deveria tornar insofismável e a irracionalidade dos afectos que amiúde lhe tolhem os desígnios. E a sua habitual crónica, Luz Intensa, que hoje fez publicar no Record será, a meu ver, modelar desse meu forte convencimento.

O tema que escolheu será, neste momento, um dos mais candentes do futebol português, em termos competitivos: a polémica dicotomia entre as "idiossincrasias dos treinadores" e as estafadas e incontornáveis debilidades financeiras dos clubes portugueses que os impedem de adquirir e manter "mantas" suficientemente dimensionadas para, tapada a cabeça, não deixar os pés descobertos.

E o insanável conflito de que falei, resulta do incontornável facto de que, ao exaltar o "épico apuramento" para os quartos da Champions contra um dos mais "fáceis" conjuntos que por lá ainda andariam, também ter esquecido que ao seu "grande amor", regressado às competições domésticas, lhe coube defrontar na sua própria casa e apoiado por meia centena de milhar de adeptos, o último classificado da tabela classificativa, eventualmente já condenado de forma irremediável à descida de divisão. E nem o resultado alcançado recentemente pela mesma equipa em Alvalade, lhe poderá servir de álibi, tão flagrante terá sido o demérito do Sporting, face ao eventual e muito discutível mérito da equipa de Tondela.

Depois, creio que PAS, ainda encandeado pelos "êxitos recentes" do seu legítimo "grande amor", volta a cometer clamoroso erro ao pretender meter no mesmo saco, o clube grande que inquestionavelmente o Benfica é, e a equipa banal que hoje o representa, que mais não será que o reflexo idiossincrático do banal treinador que hoje a lidera, para tentar, quase desesperadamente, convencer aqueles que viessem a ler a sua crónica, da grandeza exclusiva do alvo do seu afecto. Tipico de benfiquista, mas desarmante para qualquer analista sério!...

"Porque atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir..."

Leoninamente,
Até à próxima

10 comentários:

  1. Falas falas mas não dizes nada. Qual é a tua conclusão????

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    1. A minha conclusão vai na direcção da obtusidade do "anónimo da 01:18"! Quem te manda a ti sapateiro...

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    2. Amigo Álamo, qt a PAS , é mais um que se deixou ofuscar pela histeria carnidense, gabo-lhe a paciência que tem com "clientes" como o anónimo da 01:08h, (tanta é a hipocrisia do comentário que se faz desentendido) a esse eu vou explicar como se de uma criancinha se tratasse, a conclusão do post é a seguinte:
      1º- O benfas no campeonato está em 1º sem qualquer mérito , até podia jogar com a equipa B que os resultados seriam os mesmos, pois o "colinho" está cada vez mais refinado e não falha nos momentos cruciais.(No colinho incluo: Acordo de "cavalheiros" com a maioria dos clubes, controle absoluto de órgãos decisórios, arbitragens, CS, enfim tudo o que navega em corrupção...Chega ou quer mais????)
      2º- Na Europa ainda lá anda não por mérito próprio, mas por demérito das equipas que tem enfrentado....

      Abraço ao amigo Álamo

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    3. Será que o Sporting é perfeito? O problema são todos os outros.

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  2. Com ajudas destas eles ate podem jogar com a equipa B na liga APAF:

    https://www.facebook.com/sportingparis/videos/915884431844217/

    SL

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  3. Eu sou adepto do Sporting e tenho muitas dúvidas sobre a estratégia adoptada, nomeadamente o foco (quase) exclusivo no campeonato.
    Apesar do Sporting praticar muito melhor futebol que o Benfica, creio que faltam algumas peças/jogadores para posições chave nas linhas ofensivas. O desiquilibrio do plantel certamente condiciona as opções da equipa técnica.
    Suponho que o assunto seja difícil de analisar até pelos mais entendidos nestas matérias (o que não é o meu caso), porque directa ou indirectamente involve aspectos financeiros, desportivos, etc.
    O certo é que entristece ver esta equipa do Sporting atrás do Benfica no campeonato, quando já não compete por qualquer outro título. O "colinho" não explica tudo - longe disso.

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    1. Este é um exemplo duma evidência.
      O "manto" geral de apoio aos outros e o menosprezo pelo Sporting.
      Enquanto os que se dizem "adeptos" do Sporting "têm muitas dúvidas" e as manifestam publicamente, os adeptos de todos os outros, nunca têm dúvidas nenhumas e atacam tudo o e todos os que denunciam os "sistemas" e põem em causa a dominação "corrupta".
      E os profissionais da comunicação e da arbitragem que se integram no "manto", têm tanta "força", que, até condicionam o pensamento e as "dúvidas" de tantos "sportinguistas" que não se importam de ajudar a estender ainda mais o nevoeiro que esconde os contornos nítidos da realidade.
      Até os judeus do ano 33, acreditando na propaganda dominante, apoiaram Barrabás contra Cristo.

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  4. O benfas acabaria sempre por ganhar ao Tondela, estou certo...
    Mas...se o apitador (que em Alvalade contra o mesmo Tondela fez o que fez...) tem marcado um "penaltezito" por empurrão do Lindolf (se não for assim é parecido...) dentro da area quando havia apenas 1 a 0...em vez de um livre contra o Tondela...poderia ser um bocadito mais dificil...ou não...?

    SL

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    1. Caro Maximino, para marcar aquele empurrão com penalty não estaria o árbitro a cometer um erro de julgamento?
      É que analisando jogos e jogadas, no recente Sporting-Benfica Coates aborda uma jogada com Gaitan de forma mais viril é certo, toca na bola de raspão mas acaba essa jogada empurrando Gaitan com o braço nas costas deste ultimo, ora se compararmos jogadas....Lindeloff atira-se sim mas o facto é que ambos os jogadores dividem aquele encosto "abrupto" no ombro a ombro tendo o Tondelense sido mais forte ou mais esperto e manteve-se de pé....para mim ...nada ....nem falta de um lado nem de outro, agora comparo esta jogada com a de Coates e Gaitan...Gaitan não divide a jogada no corpo a corpo e acaba empurrado pela costas......

      Qual é mais penalty?
      O Ombro a Ombro, ou o empurrão pelas costas????

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  5. Pode dizer-se o que se quiser... a verdade é que faltam, essencialmente, três... quatro 'jogadores' ao SPORTING...

    ... dois alas (a jogar mesmo em cima das linhas laterais - às vezes até passam para o lado de dentro) e um 'box-to-box'..., que faz todo o terreno de jogo (para cá e para lá sempre de olho bem aberto)... Depois falta um 'player' de banco (pronto a intervir, sempre que o 'box-to-box' se espalha...)

    É a análise mais técnica e tática que consigo fazer...

    Quanto ao Adão... (até no Continente..., as novidades são mais surpreendentes...)

    SL

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