quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Mais depressa que um coxo!...


FALAR DURANTE TRÊS HORAS E NÃO APROVEITAR 30 SEGUNDOS: O DISCURSO COMO ESPELHO DE UM TREINADOR E OS PECADOS DE RUI VITÓRIA

«Corria o mês de Dezembro de 2014 quando Rui Vitória, em "estado de graça", lançou o livro "A Arte da Guerra Para Treinadores", onde discorre acerca dos atributos que um treinador de futebol profissional deve possuir para ser bem sucedido ao mais alto nível. Da teoria à prática (reticências), em pelo menos três anos, Vitória ascendeu ao mais titulado emblema português, venceu dois campeonatos, uma Taça de Portugal, duas Supertaças, além de ter obtido boas campanhas europeias, silenciando vozes críticas que o condenavam ao fracasso (reticências).

Para os mais incautos, por volta de 485 a.C. Sun Tzu escreveu a "A Arte da Guerra", quiçá o mais importante tratado militar da história. Nele, o chinês indica, entre outros, as características que devem estar associadas a qualquer general que se preze e, sendo a metáfora do treinador como comandante tão antiga como o cinema mudo, os pontos de contacto entre os dois não são pura coincidência. A determinado momento da obra, Tzu escreve: "há cinco defeitos perigosos que podem prejudicar um general: (1) temeridade, que conduz à destruição; (2) cobardia, que conduz à captura; (3) temperamento impulsivo, que o leva a ser provocado por insultos; (4) sensibilidade, que o torna sensível à vergonha; (5) excesso de solicitude com os seus homens, que o faz peocupar-se e afligir-se demasiado". Ora, recordando a atitude de Vitória ontem (12 de Setembro), após a derrota contra o CSKA, onde revelou, de novo, toda uma série de debilidades a nível de comunicação, podemos encontrar vários dos defeitos acima mencionados - defeitos esses que, a menos que faça um esforço para melhorar, o ensombrarão no decurso da sua carreira na Luz.

Antes de mais, o problema de Rui Vitória não é a forma como fala (questão que afecta muitos), mas o que fala. Os discursos do técnico benfiquista são, regra geral, correctos, mas insípidos e sem conteúdo. Jorge Jesus, por exemplo, apesar das conhecidas debilidades gramaticais e do egocentrismo latente, acrescenta sempre algo de novo às suas intervenções, privilegiando a análise do jogo verdadeiramente dito, não se coibindo de criticar, quando necessário, a actuação dos seus jogadores. Vitória, pelo contrário, opta por manter um discurso pleno de lugares-comuns, em espiral (retoma constantemente as duas ou três únicas ideias principais que traz para a "mesa", digno de um filme soft do Quentin Tarantino, recusando-se, até, a responder a questões que obriguem a maior flexibilidade no discurso (o "não perceber a pergunta que está a ser feita é sintomático). Num momento difícil para o Benfica (três exibições sofríveis consecutivas com apenas uma vitória - e "arrancada a ferros"), em que se exige uma presença forte na televisão, que denote carisma, capacidade de fazer frente às dificuldades e grandeza de espírito (aspecto compartilhado por todos os grandes líderes), os adeptos encarnados encontram um treinador que prefere destacar "os bons mecanismos da equipa" (que poucos vislumbraram), em detrimento de, segundo a linha de pensamento comum, referir, pelo menos, que está insatisfeito. Pior? Rui Vitória adopta esta postura desde o dia 1 e, a cada dia que passa, fica mais comprovado que não é uma opção, mas uma inevitabilidade - e tal sucede independentemente do resultado final. E assim, enquanto a maioria vê em Rui Vitória a encarnação da fragilidade, este oferece ainda mais razões para tal tese ser alimentada quando lhe bastava, ocasionalmente, enrijecer o discurso.

Sendo o discurso o espelho de um Homem, a imagem que Vitória passa todas as semanas não pode, de modo algum, descansar os benfiquistas. Um treinador que apesar de ter conquistado seis troféus nacionais em nove possíveis, continua sem convencer os fâs (qualquer outro técnico campeão pelas águias conseguiu-o com palmarés mais modestos), devido à fraqueza e dependência das mensagens que passa, merece as críticas que sofre. A verdade é que ninguèm deseja um comandante "fraco" (não era por acaso que Napoleão, alegadamente, envergava roupas de cor vermelha para que o sangue não se notasse de modo a evitar que os seus soldados o vissem ferido) e por muito que as conquistas (que a seu tempo lhe foram devidamente creditadas) o protejam, a falta de confiança que transmite é demasiado óbvia para ser ignorada.»
(António Hess, in Visão de Mercado)

Esta opinião que António Hess, que não conheço de lado nenhum, fez publicar no "insuspeito" Visão do Mercado, fez-me lembrar aquele anúncio publicitário que há muito entregou a sua alma ao criador, "branco mais branco não há" que, trazido para o contexto, poderá entender-se como "óbvio mais óbvio não há"!...

De facto esta sempre foi a imagem que retirei de Rui Vitória desde o seu dia 1 no Seixal, razão pela qual, sem peias ou tergiversações e sem que alguma vez a minha opinião se baseasse na também minha nunca dissimulada aversão ao emblema que, por enquanto, ainda vem servindo, já será velha a caminho de três épocas a definição de "sonso" com que sempre o presenteei.

Apesar de não embarcar facilmente no "canto da sereia de António Hess", tendo em conta o mundo em que se move, a sua crónica deixou-me, naturalmente, à beira da perplexidade, por inusitada, surpreendente e por quase se assemelhar a uma daquelas primeiras chuvas do fim do Verão: "quando a esmola é grande o pobre desconfia"! A menos que o poder do Janela esteja a caminho da merecida defenestração!...  

Porém, quanto à "sonsice" de que vinha falando, continuo fortemente convicto que ainda estará para nascer um "sonso" capaz de não ser apanhado...

Mais depressa que um coxo!...

Leoninamente,
Até à próxima

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