quarta-feira, 1 de junho de 2016

“Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar. Nem mesmo em troca da liberdade, nem mesmo em troca do sol”.

José Luís Nogueira, presidente do ABC

Trova do Vento que Passa

Pergunto ao vento que passa 
notícias do meu país 
e o vento cala a desgraça 
o vento nada me diz. 

Pergunto aos rios que levam 
tanto sonho à flor das águas 
e os rios não me sossegam 
levam sonhos deixam mágoas. 

Levam sonhos deixam mágoas 
ai rios do meu país 
minha pátria à flor das águas 
para onde vais? Ninguém diz. 

Se o verde trevo desfolhas 
pede notícias e diz 
ao trevo de quatro folhas 
que morro por meu país. 

Pergunto à gente que passa 
por que vai de olhos no chão. 
Silêncio - é tudo o que tem 
quem vive na servidão. 

Vi florir os verdes ramos 
direitos e ao céu voltados. 
E a quem gosta de ter amos 
vi sempre os ombros curvados. 

E o vento não me diz nada 
ninguém diz nada de novo. 
Vi minha pátria pregada 
nos braços em cruz do povo. 

Vi meu poema na margem 
dos rios que vão pró mar 
como quem ama a viagem 
mas tem sempre de ficar. 

Vi navios a partir 
(Portugal à flor das águas) 
vi minha trova florir 
(verdes folhas verdes mágoas). 

Há quem te queira ignorada 
e fale pátria em teu nome. 
Eu vi-te crucificada 
nos braços negros da fome. 

E o vento não me diz nada 
só o silêncio persiste. 
Vi minha pátria parada 
à beira de um rio triste. 

Ninguém diz nada de novo 
se notícias vou pedindo 
nas mãos vazias do povo 
vi minha pátria florindo. 

E a noite cresce por dentro 
dos homens do meu país. 
Peço notícias ao vento 
e o vento nada me diz. 

Mas há sempre uma candeia 
dentro da própria desgraça 
há sempre alguém que semeia 
canções no vento que passa. 

Mesmo na noite mais triste 
em tempo de servidão 
há sempre alguém que resiste 
há sempre alguém que diz não. 
Manuel Alegre, in 'Praça da Canção' 

Outros, poucos, já antes resistiram e ousaram dizer não! Agora coube a vez a José Luís Nogueira, presidente do ABC de Braga (LINK).

“Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar. Nem mesmo em troca da liberdade, nem mesmo em troca do sol”.

Leoninamente,
Até à próxima

4 comentários:

  1. Aos poucos...passaremos a "ser mais"...
    Os que lutam contra o "chapelinho vermelho"...!!

    Um dia...o Desporto "há-de ser livre em Portugal"...!!

    SL

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    Respostas
    1. Uma vergonha meu amigo Max! Mas cá vamos, aqueles que acreditam no triunfo da verdade e da decência, buscando a utopia no horizonte. Damos um passo e o horizonte imita-nos. E nós damos outro e horizonte volta a afastar-se de nós outro passo. E nesta busca incessante da utopia, resta-nos a satisfação de fazermos aquilo que a nossa consciência, integridade e concepção de mundo nos obriga: CAMINHAR, CAMINHAR SEMPRE, DE CABEÇA ERGUIDA E ATÉ AO FIM DO NOSSO CAMPEONATO! Bem haja por me fazer companhia na crença de um mundo melhor! Faça o favor de ser feliz, porque o merece!

      Grande abraço e SL

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    2. A unica verdade q procuras é apenas o q te convém. Caminhas de cabeça erguida apenas pq a ignorância é mto atrevida.

      Abraço

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  2. Áqueles que transformam um adversário desportivo num inimigo mortal, não basta a poesia. Precisam de ajuda médica, urgente. Para eles o mundo será sempre um inferno cheio de moinhos, e para esses o Estado não oferece mão amiga para ajudar, e ao invés de os tratar deixa-os abandonados à sua sorte, aos seus blogs.

    José Antunes

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