sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Triste é o que quisermos, nunca querendo!...


Há uma letra de uma canção composta e cantada por Fernando Tordo que sob o título “Adeus Tristeza”, diz qualquer coisa como “adeus tristeza, até depois/ sinto-te triste por sentir que entre os dois / não há mais nada para dizer ou conversar / chegou a hora de acabar”...

Quando se me deparou o quadro acima, de onde o jornalista Sérgio Krithinas parte para a sua tão oportuna quanto dramática análise (LINK), lembrei-me dessa canção e da terrível e triste ironia que seria, ou será, vermo-nos dentro de pouco mais de um ano, obrigados a trocar palavras tão diferentes no significado, ou talvez nem tanto assim, como "tristeza" e... "Europa"!...

E decidi dar corda aos dedos sobre as teclas e pedir ao Youtube que me trouxesse de volta a canção de Tordo, apenas para confirmar a minha leve suspeita de que algo de comum haveria na relação entre quem compôs e cantou a canção e a quem ela era dirigida e as responsabilidades do Sporting neste "divórcio anunciado" da Europa. Ora reparem:

Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano
A entrevista que era boa não saiu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Na minha vida tive beijos e empurrões
Esqueci a fome num banquete de ilusões
Não entendi a maior parte dos amores
Só percebi que alguns deixaram muitas dores
Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar

Na minha vida fiz viagens de ida e volta
Cantei de tudo por ser um cantor à solta
Devagarinho num coupé pra começar
Com muita força no refrão que é popular
Mas outra vez a triste sorte não sorriu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar

Na minha vida fui sempre um outro qualquer
Era tão fácil, bastava apenas escolher
Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade
Mas já passou, não sou melhor mas sou verdade
Não ando cá para sofrer mas para viver
E o meu futuro há de ser o que eu quiser

Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar.

Custa muito a um sportingista admitir, nem que seja por uma única vez, que uma parte significativa "da culpa é do Sporting"! Mas desta vez, sinto que a culpa e esta danada e insuportável tristeza nos caberão em grande parte, pesem embora todos os argumentos estapafúrdios de Jorge Jesus...

E veio-me à memória um belíssimo texto que Pedro Rolo Duarte publicou há uns bons pares de anos no seu blog pessoal:

«É quando aceitamos que estamos tristes. Que estar triste é em si um estádio – uma passagem, certamente, mas algo que se não vence por um simples acto de revolta ou reacção. A tristeza também é um direito que nos assiste – e há momentos em que dá um jeito do caraças. Porque estar triste é respeitável. Porque estar triste é como passar por um mau momento e ele ser uma porta giratória, que rapidamente dá a volta, que isola o passado do futuro...»

Triste é o que quisermos, nunca querendo!...

Leoninamente,
Até à próxima

3 comentários:

  1. Como é que uma pessoa culta e bem formada como tu,consegue andar atrás do bruno?

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    Respostas
    1. Alguns motivos:

      – Reestruturação
      – Pavilhão
      – Obras no Multidesportivo
      – Reestruturação do Museu Mundo Sporting.
      – Mais sócios
      – Mais assistências
      – Sporting TV
      – Estádio mais verde
      – Resolução do crónico problema do relvado com um novo tapete.
      – 1 Taça de Portugal + 1 Supertaça
      – 2 presenças diretas na Champions, que não acontecia desde 2009
      – Aurélios na Base do Título Europeu (Patrício, Cedric, William, Adrien, João Mário e Nani de alguma forma ligados ao mandato de BdC)
      – Regresso do Futebol Feminino em todos os escalões.
      – Recuperações dos passes dos jogadores.
      – Maiores vendas de sempre
      – Obras na academia
      – Mais academias
      – Mais núcleos
      – Contratado de 515M€ de direitos televisivos e patrocínio
      – Troféus nas camadas jovens e equipa A que não se ganhava desde 2009
      – Mais modalidades e reforço das modalidades (todas lutam pelos títulos, antes muitas só competiam)
      – Projecto Olímpico
      – Regresso do Hóquei com Taça Cers + Supertaça.
      – Taça dos campeões europeus Atletismo feminino e Vice-Campeões Corta-Mato
      – Atletismo, dominadores no Feminino e prestes a voltar a dominar no Masculino
      – Futsal, dominadores nos últimos anos.
      – Goalball, dominadores nacionalmente e na Europa (Superliga europeia)
      – Recuperámos o domínio no Ténis de Mesa
      – Voltámos a ser campeões em Futebol de Praia e Madjer melhor do Mundo.
      – Regresso do Ciclismo
      – Natação sempre campeões
      – Judo só não fomos campeões em 2015
      – Karaté bi-campeões
      – Bilhar, voltámos a ser campeões com dobradinha (Campeonato e Taça) na última época.
      – Boxe, alguns títulos nacionais individuais.
      – KickBoxing, individualmente, vários títulos nacionais, ibéricos, europeus e mundiais.
      – Padel, campeão nacional femininos.
      176 títulos nacionais na época 15/16 em todas as modalidades e escalões

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  2. Creio que o caro Ayres de Menezes, me permitirá dizer, sem qualquer réstia de provocação, que quando alguém assume a capacidade de analisar a cultura e a formação de outrém, isso pressupõe que incontornavelmente haverá em si a presunção de lhe ser superior nos mesmos domínios: nunca o avaliador poderá ou deverá estar em plano inferior ao avaliado! E essa "água benta" nunca fica bem a ninguém!...

    Porém, esquecendo a relevância desse "pormaior", esquecendo que o futebol em particular e o desporto em geral, pelo seu impacto poderoso, são capazes de gerar paixões e que estas hão-de sempre "abafar" a razão, pretender colocar a minha pretensa capacidade intelectual acima do meu coração, será o mesmo que procurar encontrar uma agulha num palheiro. E essa desmontagem, sem que lhe tenha endossado qualquer procuração, acabou por ser feita por José Monteiro no comentário anterior a este.

    Mas haverá entre outros, dois aspectos que nem José Monteiro e, por maioria de razão, o caro Ayres de Menezes, terão considerado e que, sem alguma vez entregar a Bruno de Carvalho, a trela que a minha dignidade me impede de colocar no pescoço, me levam a ser apoiante convicto de Bruno de Carvalho e a perdoar-lhe os naturais defeitos que, como todos nós, exibe: a dignidade e o orgulho de ser sportinguista e a certeza de que em tempo algum, alguém poderá pensar em abater o Leão sem primeiro passar por cima do seu cadáver!...

    Pode o caro Ayres de Menezes nunca chegar a compreendê-lo, mas jamais a mente conseguirá domar a paixão!...

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