quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Reduzir a pó as regras!...


OUTRA VEZ A FORMAÇÃO

«Figo, Peixe, Paulo Torres, João Oliveira Pinto e Paulo Pilar. Estes cinco jogadores, há mais de 25 anos, estiveram na génese daquele que se tornou no desígnio de muitos dirigentes sportinguistas: ter na equipa o maior número possível de jovens oriundos da formação. Os leões já apostavam em jovens da casa há muito tempo, tal como Benfica e FC Porto, mas raramente coincidiam no onze-tipo mais de dois ou três. Na ‘ressaca’ do Mundial sub-20 ganho por Portugal, em 1991, o então presidente, Sousa Cintra, tentou ter o maior número de campeões mundiais no plantel. Já havia contratado Amaral e Filipe, campeões em 1989, juntara-lhes Nélson e ‘colocava’ Figo, Peixe, Paulo Torres e João Oliveira Pinto às ordens do treinador. Paulo Pilar, que falhara o Mundial devido a grave lesão, ficou parado quase o ano todo. E João Oliveira Pinto nunca foi utilizado, a não ser no então ‘satélite’, Atlético.
Em 1991/92 o técnico brasileiro tinha um grupo com oito jogadores formados em Alvalade. Como acabou a história? Foi despedido antes do fim do campeonato. Nem o facto de em 1999/2000 (com apenas um elemento da formação no onze-tipo, Beto) o Sporting ter colocado um ponto final no jejum de 18 anos ‘travou’ o desígnio. Até porque em 2001/02 a equipa campeã já tinha três titulares ‘feitos em casa’ (Beto, Hugo Viana e Quaresma).

Paulo Bento, entre 2005 e 2009, por necessidade, mas também por existir qualidade, apresentou equipas com quatro e cinco jovens da formação. Como acabou a história? Deixou o cargo logo no arranque da época 2009/10, porque os adeptos estavam ‘fartos’ de segundos lugares. Quer na época passada quer na actual, Jorge Jesus utiliza sistematicamente, no onze, um mínimo de cinco futebolistas da ‘casa’. É evidente que a experiência de Rui Patrício (11 épocas) e Adrien (8 épocas) de leão ao peito torna-se decisiva para não deixar descer os parâmetros para níveis alarmantes.

Em 2017/18, ao que se diz, Bruno de Carvalho quer aumentar o peso da formação no plantel. Mais? Dos actuais 26 jogadores, quase metade (12) são ‘made in Sporting’. Vejamos: Qual o peso da formação nos onzes-tipo dos últimos cinco campeões? Em quatro anos (dois, FC Porto; dois, Benfica), zero; há um ano o Benfica tinha dois no onze. É só isto.»
(José Ribeiro, Opinião, in Record)


Tema muito interessante e de profunda actualidade para toda a grande nação sportinguista, este com que José Ribeiro terá decidido contemplar-nos hoje, para mais alicerçado na estatística, essa senhora de "mau porte", para tantos e tantos amantes do futebol e não só!...

Julgo descortinar no último parágrafo da crónica de JR, a tese que parece defender sobre a importância da formação nos clubes cuja maior ambição aponta claramente para a conquista dos campeonatos que disputam: relativa, muitíssimo relativa! E tudo aponta, estatística incluída, para que a sua tese esteja inequivocamente certa. Porém, apetece-me contrariá-la, nem que seja ao de leve, com a corriqueira asserção de que "não haverá regra sem excepção"!...

Só um poeta ignorará - e se os sportinguistas não são líricos, quem o será mais do que nós?! - que entre cada fornada da formação de um clube dito grande em Portugal, haverá uma linha muito precisa ainda que invisível aos olhos da grande maioria dos adeptos, a separar um ou dois, quando muito, jogadores cujo talento poderá catapultá-los para o estrelato nacional e, quiçá com alguma sorte e uns empurrões de conveniência, universal. Tem sido assim anos e anos, décadas a fio!...

Acontece que na actualidade a excepção parece ter feito tocaia à regra e se estará a preparar para lhe preparar uma valente partida em Alvalade: exactamente pela confluência dos dois factores mais importantes para que tal se confirme! É que se torna mera e estulta teimosia negar a existência de mais do que um, dois, três, quatro, cinco ou seis diamantes e existe um singular lapidador com oficina montada na Academia. E não me venham repetir pela enésima vez os insucessos da época, os "maus fígados" de Bruno de Carvalho, o baraço que Jorge Jesus carrega como expiação ao pescoço, a recente vassourada do mercado de Inverno e o concomitante regresso dos "filhos pródigos". A Lei de Murphy não será para aqui chamada, com tantas alíneas para ser aplicada!...

José Ortega y Gasset terá dito um dia que "o homem é o homem e suas circunstancias"! E eu não vejo porque as circunstâncias actuais do futebol do Sporting, não hão-de...

Reduzir a pó as regras!...

Leoninamente,
Até à próxima

1 comentário:

  1. A mim cheira-me a desejo de repetição da história... Está dado o mote para o que falta desta época e para a que vem a seguir...

    "Todos" os treinadores que... foram...

    Eles e as circunstâncias... dos Sporting...

    Desse que nem moribundo o deixam...

    SAUDAÇÕES LEONINAS

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