segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Poeta castrado, não!!!...



Pode a desvergonha vestir as nobres vestes da decência, como ousou fazer o dono e presidente da SAD de "Os Belenenses". Pode o presidente da Benfica SAD, carregar silenciosamente a culpa  de sentir a nação benfiquista envergonhada, usando o mesmo espelho de 48 anos de fascismo, ou acríticamente calada, porque completamente alienada pelas promessas de efémeros títulos, sem cuidar de apreciar o mérito ou a justiça da sua atribuição.

Tudo é possível neste país de "faz de conta", de corrupção, de canalhas e ladrões, de vigários e vigaristas, de escroques, caloteiros, patifes e trapaceiros!...

Até será possível, que muitos dos meus leitores, sportinguistas e não só, que aqui buscam a parca originalidade e o modo sério e honesto de defender a causa da leoninidade e quantas outras causas avulsas, apelidar-me de "chato" ou outras coisas piores, apenas porque volto ao tema que dominou o passado fim de semana. Mas o artigo que acabo de ler, no blog Visão de Mercado, escrito por desconhecido com coragem suficiente para assinar o seu nome, NUNO RANITO, obriga-me a voltar ao tema. E mais, impõe-me a sua divulgação integral. Caberá a cada um, decidir-se pela sua extensa leitura. Por mim, julgo demasiado importante a sua mensagem, para passar adiante, quando o cheiro a podre me incomoda tanto:

Credibilidade

"Já faltava uma boa polémica no futebol português. Numa jornada em que os três grandes aviaram os seus adversários sem grande dificuldade, havia que arranjar motivo de debate, e claro, os nossos agentes desportivos, nunca deixam os seus clientes de mãos a abanar. 

Claro que o caso da semana foi a estranha decisão técnica do treinador do Belenenses, que deixou de fora dois dos mais influentes jogadores da sua equipa. Este caso não é virgem, sendo uma repetição do ano transacto, com os mesmos intervenientes (à excepção de LIto, pois os azuis do Restelo eram então comandados por Marco Paulo). Só que o ano passado, o caso passou um pouco despercebido, sempre houve quem chamasse a atenção para a estranha ausência de Miguel Rosa (Deyverson também descansou nesse dia, mas na altura estava longe de ser um indiscutível), mas a ventania que empurrava o Benfica para o 33º, abafou os choros dos calimeros do costume. 

Ora este ano assistiu-se a uma espécie de ataque preventivo, pois dias antes do jogo acontecer, já a situação era exposta em manchetes de Desportivos. Pensaram alguns que tal acto iria inibir os envolvidos de repetir a façanha, mas afinal, vergonha é coisa que não assiste ao Lusitano, e os atletas acabaram mesmo por ser afastados, sem que nada indicasse haver razões físicas ou sequer técnicas para tal. 

Para lá da legalidade que envolve a questão, não deixa de ser triste ver dois emblemas históricos envolvidos num cambalacho de todo o tamanho. O Benfica certamente que não precisa destes esquemas para afirmar a sua superioridade sobre o rival lisboeta e o Belenenses ao aceitar um chamado "acordo de cavalheiros" nestes moldes, coloca-se numa posição de subalternidade, que deveria envergonhar os seus adeptos. Não menos patético foi o papel dos treinadores: um fingiu que nada se passava e que o seu colega de profissão tinha livre trânsito para tomar as suas opções; o outro lá foi envergonhadamente explicar, que se faz o que se pode com o que se tem, e nada mais que isso, pois a vida está difícil para todos, e o mercado de trabalho não está para brincadeiras.

Claro que para uns, o que se passou foi perfeitamente natural, para outros o campeonato está ferido de ilegalidade, uns trazem à liça casos que fazem jurisprudência nestas histórias de empréstimos e jogadores "apalavrados", outros defendem a legalidade de contratos verbais. Parece claro, no entanto, que a Liga deveria no mínimo investigar o que se passou, pois é estranho que um clube, tendo vendido, oferecido, ou alugado, um atleta a outro emblema, mantenha a capacidade de vetar a sua utilização. Mas como sabemos, a Direcção da Liga tem mais com que se preocupar, estando neste momento empenhada em arranjar patrocinadores (deve haver centenas de empresas dispostas a dar a sua imagem a uma prova em que acontecem casos destes) e em resolver as questões dos direitos televisivos. Ou seja, nada se passará. E se calhar, com razão, pois ambas as partes saem a ganhar com o negócio. E citando o Outro, nem há dolo perante terceiros, por isso o melhor é deixar andar.

Por outro lado os mais indignados gritarão que é imperativo limpar e moralizar o futebol português. Pois, é aqui que divergimos... o que precisa de ser limpo e moralizado, é a sociedade portuguesa. O futebol não é estanque, é apenas um subsistema de uma sociedade corrupta, que vive do amiguismos, do favorecimento, e de negócios por baixo da mesa. O modo como nós, enquanto cidadãos, vemos este tipo de esquemas, é em si mesmo um incentivo para os mesmos.

A aceitação passiva da falta de transparência, é parte do motivo porque chegámos onde chegámos enquanto país: falidos, apesar dos milhões que entraram via Europa, e completamente desprovidos de confiança nas classes política e judicial, que diga-se de passagem, pouco fazem por merecê-la. Um país que vê bancos ruirem após anos de gestão rigorosa que afinal eram embuste, que vê as suas empresas serem vendidas ao desbarato, que vê a classe política saltar do Parlamento para empresas privadas e vice-versa, sendo que pelo meio lá vão fazendo pela vidinha, em detrimento daquilo para que foram eleitos pelos seus pares. No dia em que nós, enquanto sociedade, condenarmos estes comportamentos, exigirmos que todos os agentes cumpram normas éticas e legais, e as respectivas instituições cumprirem os deveres que lhes são instituiídos, podem crer que casos como o deste fim de semana, deixarão de acontecer.

Muitos falarão de Nuno Ranito, como um lírico, como um parvo utópico, com a mania de que há-de conseguir endireitar o mundo. Por mim, aqui do meu canto, envio-lhe um fraterno abraço de solidariedade. Também serei lírico, parvo utópico, o que quiserem, mas...

POETA CASTRADO, NÃO !!!...

Leoninamente,
Até á próxima

8 comentários:

  1. Pois é...mas num País onde terá de ser a Justiça a provar o enriquecimento ilicito e não o "novo rico" a justificar onde e como conseguiu esse milagre "da multiplicação" dos milhões...como havemos de esperar que as coisas sejam diferente (como diz o Ranito...) no futebol...?

    É vergonha nacional em que imediatamente o poder politico e judicial deveria "meter a mão"...mas para moralizar...!!

    Boa semana


    Abr e SL

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    1. Esse é o cerne da questão, amigo Max: a inversão do ónus da prova! Mas aqueles que fazem as leis na AR, não estão interessados na mudança!...

      Caberá a todos nós desalojá-los do poder e colocar gente decente que seja capaz de promover essa alteração! A mudança terá de começar em nós! Veremos o que o Povo dirá nas próximas eleições legislativas...

      Abr e SL

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  2. É engraçado como ainda há dias, durante uma corrida com um amigo benfiquista, este foi o tema de conversa. Não falo de Deyverson e Rosa, mas obviamente da transversalidade da pouca vergonha e corrupção que grassa na nossa sociedade e na qual o futebol se apresenta como uma extensão da mesma.
    Todos fossem como eu e teríamos um futebol e uma sociedade séria e à séria!
    SL

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    1. Só será possível alterar a "transversalidade da pouca vergonha e corrupção", se cada um de nós contribuir com a sua quota parte. E essa faculdade é colocada cada quatro anos nas nossas mãos!...

      Amigo "grandeartistaegoleador", creio que o tempo das revoluções e lutas armadas já passou por aqui! As lutas que agora se nos colocam, começam na mente de cada um de nós, particularmente nos mais jovens, que parecem levitar no éter e, sem olhar para baixo, nem se apercebem do precipício que os quer abraçar...

      SL

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  3. Amigo Álamo, um excelente texto do Nuno Ranito, ele, encaixa como uma luva na nossa sociedade actual, na minha opinião e desculpe-me o pessimismo, acho que esta situação não tem solução, tanto no futebol como nos outros parâmetros sociais, a corrupção já atingiu tal dimensão, que para se conseguir uma limpeza geral era necessário enjaular mais de metade da população, pois hoje acho que o número de pessoas honestas é uma minoria (ainda bem que nós pertencemos a essa minoria), sendo fácil nascer um projecto honesto, de minorias, já se apresenta mais difícil, as respectivas minorias darem corpo a esse projecto....Eu bem gostava de ver o país livre, a todos os níveis, desta porcaria toda, mas confesso que a esperança é mínima, mas como o sonho comanda a vida, cá vou sonhando dia após dia...

    SL

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    1. Amiga Leoa Maria, tudo tem solução na nossa vida! Tudo!... E claro que concordarei, que uma boa parte das soluções, viva nos nossos sonhos! Então, que jamais aqueles que sonham, deixem descair os braços e percorram o insondável caminho do desalento, da desistência!... Nem que o futuro que ajudarmos a construir, seja apenas para entregar aos que vierem depois de nós...

      SL




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  4. Só tenho dúvidas meu amigo...é que a mudança (gente decebnte rarmente se mete na politica...) resulte...
    Deve haver um virus na Assembleia ...é que eles vão sempre para lá aparentemente "cheios" de boa vontade e ideias renovadoras e passado pouco tempo...apanham uma "virose" e ficam "talqualzinho"...os outros...!!

    Como dizia a saudosa Ivone Silva...: "Isto não vai lá com palmas...carlos..."...em que aqui as palmas podem ser os votos...!!

    E se não vai lá desse modo...pode ser mesmo muito complicado...!!

    Abr e SL

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    1. Amigo Max, o grande erro do nosso povo, é fazer da luta política um campeonato de futebol, em que a fidelidade permanece toda uma vida! No dia em que NA POLÍTICA, for possível a cada um de nós, a todo um povo, sem violarmos valores, princípios e concepções de mundo, mudarmos de clube, estaremos, quem sabe, a permitir que se dispute um CAMPEONATO DIFERENTE, quiçá o campeonato a que há muito aspiramos!...

      Abr e SL

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