sábado, 20 de dezembro de 2014

O meu cepticismo é grande e quase sem medida !!!...



Pelos caminhos de Bruno

"Bruno de Carvalho é um presidente sufragado nas urnas e, como tal, tem toda a legitimidade para cumprir o seu mandato de acordo com a política que entende ser a mais indicada para o Sporting. Sentiu, no entanto, a necessidade de referendar posições, pois não vê em seu redor o consenso que desejava. Está no seu direito. No entanto, ao pretender avaliar o apoio que tem, deveria fazer um referendo a todos os sócios e não limitar o plebiscito àqueles que irão a uma assembleia geral.

Bruno tem sido um autêntico furacão em Alvalade, com a sua dedicação de 24 horas por dia a resolver muitos problemas, mas a criar também alguns. A relação com o futebol transformou-se e o discurso de ontem revela clivagens claras, não apenas com os jogadores mas também com o treinador. Foi a primeira vez que as críticas atingiram Marco Silva. Quando assinala que fez um esforço por manter o plantel e questiona até onde o Sporting poderia ter chegado na época passada com Nani e João Mário, o presidente leonino está a dizer que Marco tem nas mãos melhor equipa mas... não faz melhor.

Nesta altura, o Sporting encontra-se a 10 pontos do líder e poderá voltar a ficar a 4 do FC Porto, mas segue na Taça de Portugal (onde os seus rivais já não estão), ficou na Europa (o Benfica saltou fora) e jogará a Taça da Liga. Seguramente, este não era o momento para voltar a radicalizar posições, por muito grande que seja a desilusão por alguns resultados desportivos, a frustração por não ver unanimidade à sua volta, o desagrado por não sentir reconhecido o seu trabalho, ou a revolta por certas decisões de órgãos da Liga. É quase certo que sairá vencedor da AG e o leão seguirá pelos caminhos de Bruno, mas é de outras vitórias que o Sporting necessita."


Revejo-me em absoluto, no excelente texto de António Magalhães, publicado hoje no jornal de que é director.

Embora não me incomode, como aqui já deixei claro, a democracia directa, reconheço que a figura do "referendo" sugerida por António Magalhães, por mais abrangente e fidedigna do verdadeiro sentir da nação leonina, não tendo tradição nos clubes desportivos em Portugal, nem constar, ao que sei, das disposições estatutárias de qualquer clube, poderá ser legitimamente decidida, aí sim e com pleno cabimento, numa AGE, como aquela que Bruno de Carvalho anunciou ter intenção de solicitar ao PMAG do Clube.

A ser essa a intenção subjacente à declaração de ontem do Presidente do Sporting, tanto António Magalhães, quanto eu que subscrevo incondicionalmente o seu texto, ficaríamos, creio, natural e completamente desarmados.

Mas o meu cepticismo é grande e quase sem medida, quer quanto à intenção ou, até... sobre resultados!!!...

Leoninamente,
Até à próxima

6 comentários:

  1. O Álamo parece-me bem menos optimista hoje. Só tenho a dizer o seguinte. O meu sportinguismo não depende de direcções, nunca dependeu. O meu associativismo de 30 anos não está dependente de presidentes. Não tenho respeito nenhum por aqueles que só se fazem sócios quando gostam deste ou daquele presidente, ou que deixa de pagar as quotas por causa do Bruno, do Manel ou do Joaquim. Tenho as quotas pagas até Dezembro de 2015, e pago-as assim desde que ganho para mim. Muitos desses que andam aí falar em Assembleias nem sócios são.por isso esse ruído passa-me ao lado.

    A realidade é esta. Em 2015 o Sporting tem de encontrar um patrocínio que substitua o da PT, que é "apenas" o maior patrocinador do Sporting, como dos nossos rivais. Ou seja, os três grandes vão ter de substituir a PT no MESMO ano... O Sporting tem de encontrar uma solução para o desafio dos direitos de transmissão, provavelmente tendo de engolir um rombo nas suas receitas. Além disso, vai ter de entrar um investidor para a SAD, pois com a reestruturação terminada só falta isso, e os bancos de certeza que não se esquecem. Vamos a ver se o investidor não vai ter de ser aquele que muitos abominam. Ou se há mesmo investidor.

    Se calhar por tudo isto é que se convocam Assembleias Gerais. Se calhar por isso é que há uma conversa concertada de que os sócios não merecem o presidente que têm e que este devia bater com a porta. Estarão a querer preparar algo? Aconteça o que acontecer, continuarei sportinguista, a pagar as contas, e de certeza que o Sporting não acaba. Mal seria.

    Boa sorte amanhã para o Marco Silva e para a equipa, e que vençam pelo SPORTING!

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    1. Caro Jordão, permita que o corrija sobre o meu optimismo, que hoje lhe parecerá menor que o de ontem. Sou optimista por natureza e o cepticismo que refere, refere-se única e exclusivamente, ao facto de não me parecer que BdC pretenda através da AGE de Janeiro, fazer aprovar aquilo que a meu ver, seria a única via para obter a confiança dos sócios, de todos os sócios: um referendo entre todo o universo de associados leoninos. Daí a minha concordância com o texto de AM, já que a aprovação de uma moção de confiança ao CD, por umas dezenas ou mesmo algumas centenas de sócios, será um mero artificialismo democrático sem qualquer valor.

      Claro que esta minha posição resulta de eu não conseguir encontrar motivos que justifiquem a implementação de uma AGE neste momento, que não seja a tentativa de receber publicamente a manifestação de uma confiança que eventualmente não estará a ser sentida.. Mas obviamente que terei de admitir que outras questões, por exemplo da importância que o caro Jordão sugere, estejam na mente de BdC. Não sei e só quando for publicada a OT dessa AGE o saberemos.

      Sobre as suas preocupações no campo dos patrocínios futuros, se é certo que é uma matéria importante, não a vejo com carga tão negativa. O patrocínio da Macron quase triplicou a receita que advinha do anterior patrocinador; a Unicer renovou recentemente o seu contrato com o Sporting; as receitas do "naming" do estádio nunca existiram e se vierem a ser realidade, serão receitas que certamente compensarão a da PT; os direitos televisivos estão hipotecados até 2018 e as receitas até ao final do contrato há muito foram alienadas pelas anteriores direcções de JEB e GL! Portanto, sinceramente, não será por aí que vejo razões para a convocatória de uma AGE.

      Quanto aos tão propalados e famigerados investidores, vejo a transformação da dívida da Sporting SAD à Holdimo, como um investimento de 20 milhões e penso que também não será por aí que se justificará uma AGE.

      Haverá um campo, sim, em que estou preocupado: aquilo que tem vindo a fazer a equipa principal, sendo que jamais haverá um projecto, por mais credível que se apresente, que possa vir a ter êxito sem BONS RESULTADOS DESPORTIVOS!...

      Já escrevi por aqui, sobre este tema e deixei transparecer que reparto culpas por todos, desde Bruno de Carvalho, passando por Augusto Inácio, Virgílio Lopes, Marco Silva e jogadores, sendo minha profunda convição que a ordem de grandeza dessas culpas será directamente proporcional à importância hierárquica de cada um deles. Mas se Bruno de Carvalho pretende discutir em AGE esta matéria, melhor fora que aproveitasse a noite para dormir e retemperar forças para coisas mais importantes. Todos nós sabemos que, na hipótese de virem a estar presentes 500 sportinguistas na AG, seríamos confrontados com 500 teses diferentes, a noite teria de ter 48 horas e o resultado final seria o de sempre: ZERO! Creio que apenas ficaria lavada toda a roupa suja de Alvalade!...

      Reforço naturalmente os desejos de boa sorte para Marco Silva e para a equipa e que vençam pelo SPORTING.

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  2. Só uma clarificação. A Holdimo era credora da SAD na medida em que emprestou dinheiro ao Sporting para pagar salários no tempo do GL, e tomou como garantia percentagens dos passes de alguns jogadores do Sporting. Como o Sporting não tinha dinheiro para pagar à Holdimo, "pagou" em capital da SAD (cerca de 30% na altura, mas que entretanto já baixou com o aumento de capital na sequência da conclusão da reestruturação financeira) e recuperou as percentagens que havia perdido. Não houve por isso um aumento de liquidez na SAD por via da entrada da Holdimo no capital da SAD.

    Relativamente aos direitos de transmissão televisivos, devido à decisão da AdC o contrato que estava em vigor até 2018 pode ser denunciado até 2015, ou tem de ser reassinado para respeitar as regras da concorrência. E dado que o Benfica vai voltar ao "bolo", o que se especula é que a Olivedesportos quer pagar menos ao Sporting do que o paga agora para poder pagar o que Benfica quer.

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    1. Caro Jordão, a clarificação do primeiro parágrafo do seu comentário corresponde, rigorosamente, ao que pretendi transmitir-lhe antes. Mas não havendo efectivamente aumento de liquidez da SAD, parece-me que esta deixou de ter uma dívida de 20 milhões para com a Holdimo. Ou não será?! Para um leigo em economia como eu, isso corresponderá a um investimento de 20 milhões.

      Acerca dos direitos televisivos, sendo certo que terá de ser equacionado o novo dado que a decisão da AdC implica, quer-me parecer que ao Sporting assistirá o direito de, ou denunciar o contrato com prazo fixado em 2018, devolvendo o dinheiro correspondente já recebido, ou renová-lo para respeitar as regras da concorrência. Mas nesta última opção, assistirá ao Sporting o direito de renegociar os valores e nunca a obrigatoriedade de aceitar apenas aquilo que a Olivedesportos quer pagar. Mas creio haver um dado que o caro Jordão estará a desprezar: os direitos televisivos passarão a ser centralizados na Liga, creio eu, e nessa condição, terá de ser aprovada em Assembleia Geral da Liga, uma qualquer fórmula de divisão das respectivas receitas, que nenhuma "santa aliança" poderá pretender fazer depender exclusivamente da sua vontade. Haverá mais 34 clubes que serão chamados a dar o seu parecer e recuso-me a acreditar que alguma vez seja possível reduzir a zero o critério mais importante em todos os países europeus evoluídos que são, os números incontornáveis das assistências nos estádios, geradas por cada um dos clubes na Liga respectiva. E recuso-me também a acreditar que a, penso que necessária e incontornável aprovação da AdC, também se submeta aos ditames da "santa aliança" que acaba por assim dizer, de retirar os privilégios à Benfica TV.

      Está engraçada esta nossa polémica.

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    2. A SAD deixou de ter de pagar 20 milhões de euros à Holdimo, não recebeu 20 milhões para esta entrar no capital da SAD, portanto na prática não é um investimento porque não entrou dinheiro na SAD.

      Veremos se a aliança consegue os seus intentos ou não (esperemos que não), mas parece-me que é clara a sua intenção.

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    3. Claro que o caro Jordão está certo. Mas deixar de ter de pagar 20 milhões à Holdimo, não será o mesmo que rececebê-los e liquidar a dívida à Holdimo. É nessa condição que eu, economista barato, entendo ser um investimento.

      Sobre as intenções da "santa aliança" nenhum de nós os dois terá dúvidas. A grande questão é se conseguirá os seus intentos. Tenho muitas e sérias dúvidas! Prejudicar o Sporting à vista de milhões, não será a mesma coisa que retirar Miguel Rosa e Deyverson da Luz!...

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