quinta-feira, 12 de abril de 2018

A new sun is rising in Alvalade's skies!...


Porque razão o Sporting vive constantemente em crise?

«A infalibilidade em surgir, de tempos a tempos, uma crise no Sporting, assemelha-se aos dois factos mais incontornáveis da nossa vida – a certeza de que todos pagaremos impostos, e que um dia, morreremos. Por emergentes que se apresentem, os tumultuosos períodos leoninos têm um princípio antropologicamente congénere – existe sempre, à porta 10-A, um prosaico Messias que resolve crises. No Sporting, as soluções dos Profetas eleitos resultam invariavelmente em crises, portanto, nunca se resolvem.

Falarmos da demissão imediata de Bruno de Carvalho, tal como promover Rogério Alves ou João Benedito como resolução prosaica desta crise, revelar-se-á tão inútil quanto colocar Marcelo Rebelo de Sousa a gerir uma instituição como a TAP, ou evitarmos o Médico apenas porque se acredita na reecarnação. Nem Alves nem Benedito se afiguram consensuais às necessidades do Sporting, neste momento. Questionemos a sua experiência na gestão de estruturas profissionais, tanto quanto a sua resistência à pressão que a ausência de resultados desportivos possa impôr. Qual o valor acrescentado, no domínio do seu conhecimento, que ambos trariam ao Sporting no futuro? Como lidariam os dois com questões que desconhecem, no âmbito administrativo, não evitando estar dependentes da fiabilidade de conselheiros, tal como sucedeu no passado? Como conviveriam estes apaziguadores natos, com a actual estrutura de Boys criada por Bruno de Carvalho?

Este romantismo por Rogério Alves ou João Benedito, essencialmente fundamentado em empatia deontológica, como Churchill desfrutou em seu tempo, não oferece suporte estrutural, mais do que respeito que ambos nos mereçam. Sem estrutura (sem americanos no caso do célebre estadista WC), e essencialmente sem tempo para formar coligações profissionais de imediato, o Sporting teria uma imediata crise no futuro – aliás, o sebastianismo no Futebol só faz algum sentido, à semelhança do que sucede no SLBenfica ou FCPorto, quando se vencem campeonatos de Futebol. Alves e Benedito não durariam dois anos sem vencer um. Por outro lado, se Bruno de Carvalho abdicar imediatamente, o Sporting ficaria em maus lençóis. Antecipar-se-ia um convénio entre Álvaro Sobrinho e José Maria Ricciardi, que por conseguinte, elegeriam um corpo administrativo encabeçado por alguém do próprio interesse, e não necessariamente do interesse do Sporting. Algo que, por enquanto, seria de jure uma solução, mas no futuro de facto, um problema. [...]

Perante o cenário que temos, e tendo em conta a redução de influência do suporte consultivo não-executivo do Conselho Leonino, como este era na década de 70 – hoje tido como um mero grupo de pretensos alcoviteiros aristocratas que infelizmente nunca foi capaz de impedir presidencialismos napoleónicos – o Sporting irá continuar a procurar os seus Profetas, e por conseguinte, correr o risco de eleger mais justiceiros sociais como Bruno de Carvalho, ou perdoar Ricciardi’s como tão depressa eleva Jorge Jesus de proscrito a último bastião de sportinguismo.

A solução passa, talvez, por um caminho. Começa por terminar, em definitivo, com presidencialismos. Criar-se um Executive Branch cuja soberania se compadeça com a presença de um forte investidor – que adquira imediatamente a posição accionista detida por Bruno de Carvalho e Álvaro Sobrinho, logo após o levantamento do congelamento accionista, ou imponha um aumento de capital que reduza a influência de ambos na SAD –, liderado por um Administrador executivo não-renumerado, com poder consultivo e de veto, subordinando a gestão do Clube, em termos administrativos, de acordo com as ordenações legais que os nossos estatutos impõem e em conformidade com resultados financeiros e desportivos pré-estabelecidos, e obrigatoriamente sujeitos a serem cumpridos. Estruturar toda a SAD, todo o Clube, com pessoas que respondam à responsabilidade tanto quanto correspondam ao que deles se pretende. Acabar-se com a hipocrisia.

Tudo começa com António Horta Osório.»

Mal acabada a primeira leitura deste autêntico "grito de Ipiranga", deste verdadeiro e surpreendente "ovo de Colombo" que o mais inteligente, revolucionário, lúcido e esclarecido adepto sportinguista que até hoje me tinha dado o privilégio de ouvir a "trombeta da verdade absoluta", de singelo e despretensioso nome de Drake Wilson, inquilino da "voz da verdade", onde há muito junta a sua voz ao coro daquele que será, na blogosfera leonina, o mais acérrimo e indefectível bastião da leonina grei, o Camarote Leonino, esfreguei os olhos incrédulo e sarapantado. E julgando estar a ser vítima de singular alucinação, repeti a leitura...

Meia hora depois entrava numa "sex-shop" à procura de um látego que me pudesse permitir golpear as costas, na única expiação, obviamente sadomasoquista, que entendi capaz de me absolver por tantos e tantos anos de vivência no mais doloroso obscurantismo, na mais pura e dura das escuridões da "grande noite sportinguista". E agora para aqui estou, de costas ensanguentadas e já de algum modo acalmado o meu remorso, a transmitir, expulso todo o egoísmo que ainda me pudesse assistir, a todos os sportinguistas que por aqui vão passando, a "boa-nova" de que...

A new sun is rising in Alvalade's skies!...

Leoninamente,
Até à próxima

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