segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Este Bruno não é "brunista"!...


O único pára-raios

«Enquanto o Brunismo continua a funcionar como a kryptonita para a liderança do Sporting (não terá sido por acaso que o malfazejo mineral que debilitava o Superman era verde…), Rúben Amorim confirma-se como um treinador capaz de construir, enquanto o diabo esfrega um olho, uma equipa consistente e fiável.

Este Sporting está longe de deslumbrar e é ainda um produto inacabado. Mas, como se viu frente ao Aberdeen e em Paços de Ferreira, já é, provavelmente, o melhor abrigo e aconchego de um Frederico Varandas que as claques perseguem como uma alcateia na noite.

O categórico chumbo das contas do clube de 2019/20 e do orçamento desta época provou, há dias, que a contestação alastrou e passou a contagiar muitos sócios e simples adeptos que nunca apoiaram Bruno de Carvalho e muito menos querem o regresso aos tempos em que coravam de vergonha por serem representados por um presidente bizarro e menos subtil que um comboio de mercadorias.

De facto, o aumento da oposição interna vem, cada vez mais, reflectindo também os diversos erros cometidos pela actual gestão, alguns de palmatória. Desacertos que deviam ser assumidos e explicados. Tivesse o Sporting uma comunicação atenta e eficaz e já teria sabido passar algumas mensagens favoráveis à presente administração. Designadamente que não se repetiram neste "defeso" os erros que vinham sendo cometidos na contratação de jogadores que hoje ajudam a engrossar a lista de excedentários.

Com apenas cerca de 20 milhões de euros, o Sporting garantiu sete reforços (Adan, Porro, Antunes, Pedro Gonçalves, Feddal, Nuno Santos e Tabata) que, de uma forma geral, devem afirmar-se como mais-valias de um plantel que viu a sua qualidade média significativamente aumentada, mesmo sendo notória a carência de um ponta-de-lança de valor indiscutível.

Não houve também a capacidade de propagandear o relatório e contas da SAD com o lucro de 12,5M, que reflectiu a redução salarial (8,4M) e permitiu a redução do passivo (26,2M). Pior, ninguém alertou atempadamente para os perigos de o clube ficar a ser gerido por duodécimos em plena crise pandémica, como vai acontecer enquanto as contas e o orçamento não forem aprovados.

O rendimento interessante da equipa neste início de época tem sido o único pára-raios de uma administração que lá acabou por conseguir transferir Acuña, mas foi demasiado tergiversante no aproveitamento de Palhinha. Este último, se acabar mesmo por ficar, ajudará a tornar o meio-campo mais competente. Desde logo por garantir outra liberdade de acção a Wendel, um talento ímpar na equipa (em Paços de Ferreira só falhou dois dos 59 passes, muitos deles progressivos e alguns longos). Mas também porque Varandas foi demasiado arrebatado quando elogiou Matheus Nunes. Contratado há dois anos por meia dúzia de tostões, o jovem brasileiro (22 anos) tem algumas qualidades interessantes (principalmente a capacidade de variar o centro do jogo), mas ainda é pouco fiável nas acções. Anteontem conseguiu ter ainda mais perdas de bola (13) do que Neto (8), cuja exibição hesitante é pouco admissível num internacional tão experiente.

A pandemia adiou o jogo com o Gil Vicente e manteve de quarentema quase meio plantel e o próprio treinador leonino. Apesar dos constrangimentos, o Sporting mostrou-se, nos dois jogos realizados, bem mais competitivo do que se lhe viu nas últimas épocas.

Mas continua longe do que vale o FC Porto e do que promete valer o renovado Benfica. Assumir que (ainda) não é candidato ao título (ou, vá lá, que é menos candidato) seria uma atitude profiláctica e, eventualmente, até libertadora.

O Sporting só tinha a ganhar se anunciasse que a sua primeira prioridade é ficar à frente do Braga (que há um ano tinha melhor plantel), até porque o terceiro lugar pode valer a ida à Champions. Se as coisas se forem encaminhando bem naquele sentido, então sim poderá acrescentar a vontade de ficar à frente do FC Porto ou do Benfica e, eventualmente, de se intrometer na discussão do título. Contar a verdade é sempre uma boa saída de emergência…»
(Bruno Prata, Ludopédio, in Record, hoje às 21:04)


Valha-nos o Leão do Atlas...

Este Bruno não é "brunista"!...

Leoninamente,
Até à próxima

1 comentário:

  1. Diagnóstico preciso e equilibrado quanto aos aspectos positivos e, na identificação do que assumidamente foi reconhecido como equívoco e, por evidente, correram menos bem - e outros pior ainda.
    Inadmissível seria a repetição e falta de modéstia em o reconhecer, e que foi assumido com carácter e coragem.
    A humildade é um traço da personalidade, de elevada dignidade e consideração, assim como, a da humildade de aprendermos com os erros e experiência do tempo e natural processo de adequação e optimização.
    Felizmente, que a lógica anterior foi invertida e corrigida, pois hoje verificamos que se tem contratado muito bem, atendendo à situação herdada: com critério, de forma cirúrgica, com qualidade, a valores enquadrados nas possibilidades actuais e acrescentando valor e competividade ao plantel.
    A horda de energúmenos e alcateias cobardolas, que se dediquem a trabalhar com honestidade em prol da sociedade e do País.
    Aqueles que se disponibilizam para honrar e servir a instituição, sem atropelos dos valores, sem a gravíssima violação dos Estatutos ou da Lei, sem situações desviantes e ilícitas, merecem todo o apoio e apreço, para cumprirem o mandato para que foram eleitos.
    Força Sporting.
    SL

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