quinta-feira, 13 de julho de 2017

Os fins justificam os meios!...



«Algo correu mal no processo André Moreira. Não é costume ver uma estrutura profissional como a do Benfica a assumir um jogador, deixá-lo exibir a camisola do clube, treinar-se no Seixal desde o início do estágio e no mesmo dia em que anuncia que desiste da contratação, vê-lo a caminho de um concorrente na liga.

Já estamos habituados a contratações de jogadores que nunca chegam a jogar no Benfica. Por muito difícil que seja perceber alguns negócios, o clube está no seu direito. Salvador Agra foi apenas o último exemplo de um futebolista que num dia assinou pelo maior clube português e pouco depois estava emprestado ao Aves, sem representar o verdadeiro comprador. Repito, é um direito que assiste aos encarnados e provavelmente estará mais relacionado com os votos em assembleias da liga do que com a política desportiva. Aqui ela será apenas muleta de um projecto de poder. 

Mas em André Moreira o que espanta é que o interesse do Benfica era público e notório. O clube confirmou as negociações, cedeu imagens do guarda-redes equipado à águia e a coisa acaba assim. Não parece um processo do Benfica dos últimos anos.


Quem agradece é António Salvador. Mais duas prendas para Abel: André Moreira e Danilo Barbosa. Está ali em construção um belo plantel.»
(Bernardo Ribeiro, Saída de campo, in Record)


Com o devido respeito por Bernardo Ribeiro e embora consciente das muitas condicionantes que envolverão, hoje por hoje, o papel de um sub-director de um jornal com as tradições mas também com as responsabilidades actuais de Record, permitam-me aqueles que eventualmente venham a ler estas minhas considerações, que discorde do título que entendeu colocar na sua crónica. Melhor andaria, a meu ver, se tivesse escolhido "um processo bem gerido"!

E a minha discordância vem da concepção aparentemente diferente que os dois teremos sobre a dicotomia legitimidade/legalidade que transparece da sua crónica e que considero "elemento-chave" para a compreensão do seu texto, quando refere ser "um direito que assiste aos encarnados", a forma como tratou num reduzido espaço temporal, três atletas pertencentes aos seus quadros de futebol: como se mais não fossem do que três descartáveis sacos de batatas...



Há uma frase que o senso comum difundiu de forma quase universal de que “Nem tudo o que é legal, é legítimo”, porque segundo o pensamento do jurista brasileiro A. C. Wolkmer, autor do livro “Pluralismo jurídico: fundamentos de uma nova cultura no Direito”, "a legalidade reflectirá fundamentalmente o respeito por uma estrutura normativa posta, vigente e positiva", enquanto que a legitimidade "incidirá sempre numa esfera mais vasta e culturalmente edificante, que o Homem foi capaz de construir ao longo de milénios e que passa pela consensualidade dos ideais, dos fundamentos, das crenças, dos valores e dos princípios culturais, éticos e ideológicos".

Nesta condição, que me perdoe Bernardo Ribeiro e a quase totalidade dos seus camaradas de profissão deste pobre e desgraçado país, estagnado de ideias, agricultor servil do oportunismo, colaborante com o "desenrascanço" e a corrupção e avesso à denúncia de tudo o que se opuser à  coragem de assumir com verticalidade o legado civilizacional que nos foi transmitido e entregá-lo incólume e melhorado aos que depois de nós hão-de vir, mas será tempo de todos se esforçarem, em vez de clamarem arrebanhada ou encartilhadamente pela legalidade da conduta do Benfica, apontarem a sua arrepiante e confrangedora nudez, naquilo que exactamente diz respeito "aos ideais, aos fundamentos, às crenças, aos valores e aos princípios culturais, éticos e ideológicos".

Será chegado o tempo de atirar para o lixo, o princípio básico que alguém abusivamente atribuiu a Maquiavel e que  a "cartilha escarlate" adoptou como seu e apregoa como primeiro mandamento da sua "religião fundamentalista":

Os fins justificam os meios!...

Leoninamente,
Até à próxima

1 comentário:

  1. Este é daqueles que, no fim, vai achar que os mails também assistem de direito e legitimidade de 'ser-se' mais do que se é...

    Enfim... cartilha para cima... cartilha para baixo... Tudo como dantes... Quartel General em... Carnide...

    Só a título de verdade... talvez fosse legítimo e deontológico que este senhor se rodeasse de informadores fidedignos acerca da matemática dos maiores... E se quiser facilitar a sua acção bastar-lhe-á, simplesmente, seguir até ao Campo Grande e visitar o Museu Mundo Sporting para verificar qual é de facto... o maior CLUBE português... (depois poderá tomar uma banhoca em criolina com cheirinho a pena de milhafre, para expurgar maus vibes, mas sairá muito mais jornalista do que entrou... pelo menos mais conhecedor...)

    SAUDAÇÕES LEONINAS

    ResponderEliminar

PUBLICIDADE