quarta-feira, 12 de julho de 2017

"Honni soit qui mal y pense"!...


TRAPALHADA TINGIDA DE VERMELHO

«Salvador Agra transferiu-se do Nacional, despromovido à 2ª Liga, para o Benfica. Não é propriamente um jovem (completará 26 anos em novembro), nem especialmente bom. Foi despachado para o Aves, depois de ter ‘um pé’ em Setúbal, onde acabou por ir parar Willyan, jogador que também esteve, tal como Hamzaoui, cogitado para fazer parte do negócio Nacional-Benfica.

O que terá levado um clube como o Benfica a tentar contratar este triste trio, sabendo-se de antemão, que nenhum deles iria integrar o seu plantel?

O sempre imaginativo presidente do Nacional, Rui Alves, esclareceu eufemisticamente que se tratavam de "aquisições empresariais" (!) do Benfica.
Alguma imprensa não desmentida, na altura, referiu que a aquisição destes três jogadores era uma forma do Benfica se ressarcir de uma dívida que o Nacional ainda tinha, decorrente da transferência do jogador Djaniny para o Santos Laguna do México.

Faz algum sentido que assim seja; de outra forma, mal se compreenderia o racional de o Benfica pensar contratar estas segundas linhas. É o chamado síndroma do "à falta de melhor"...

Só que então, porque é que o assunto foi tão camuflado pelos interessados? Porque é que o Presidente do Nacional não foi verdadeiro e acima de tudo, porque é que o Benfica, não esclareceu o mercado, como era sua obrigação?

E, se o Benfica agora empresta esse jogador, como recupera o montante que o Nacional lhe devia? O clube beneficiário paga alguma coisa, ou fica-se à espera que venha alguém comprar o passe desta infeliz vítima de dações em pagamento, disfarçada de transferência?

Devo dizer que a CMVM, relativamente ao dever de informação das SAD cotadas em bolsa, tem manifestado uma enorme indulgência para aquilo que elas dizem, e sobretudo, para aquilo que elas não dizem. Não percebo esta pouca proatividade, numa altura em que o futebol está, mais do que nunca, tão necessitado de transparência.

As aquisições e vendas de jogadores, pela importância de que se revestem, deviam ser objeto de "full disclosure", ou seja informação total, envolvendo preço, pagamentos, prazos, eventuais outros detentores de direitos ou interesses, identificação sistemática dos últimos beneficiários, montante e repartição de comissões, outros compromissos associados, como se faz, por exemplo, em Inglaterra e Itália.

Com a sua habitual contenção e modéstia, o Benfica anuncia agora que vai ser o máximo expoent
e em ciência desportiva (!) e que quer exportar a sua gestão para a Premier League (!!); ora essa auto-propalada sofisticação, quadra mal com práticas tão pouco evoluídas, como estas, que acabei de referir.»
(Carlos Barbosa da Cruz, O canto do Morais, in Record)


Na minha modesta opinião bem andaria CBdC se aproveitasse a sua excelente argúcia e virtuosismo literário, dissecando como hoje as "virtudes" de outras "instituições", em vez se dedicar sempre e quase exclusivamente a apontar os "defeitos" da espinha que tem atravessada na garganta. Não potenciaria ódios internos e contribuiria para destapar muitas carecas que andam por aí disfarçadas com "capachinhos"!...

Por exemplo, achei uma piada enorme ao "furão" que hoje entendeu enfiar na toca da CMVM! O que eu me ri!...

"Honni soit qui mal y pense"!...

Leoninamente,
Até à próxima

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