segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Pelo Sporting, só eu sei quanto o lamento!...


O que diz Peseiro




«Sou adepto da última tese de Wittgenstein  no seu "Tratactus": "Acerca daquilo que não se pode falar, tem que se ficar em silêncio."
Não assisto aos treinos, não estive na sala quando se decidiram as contratações, nem sequer sei como funciona esse mercado, desconheço os meandros internos das relações de forças do futebol português. Assuntos, portanto, sobre os quais me devo abster de pronunciar para não dizer disparates desligados da realidade das coisas.
Mas fiquei intrigado com as declarações de Peseiro no final do jogo. A interpretação que ele fez do jogo que se viu - e é suposto eu não saber ver o jogo tão bem como ele, ou melhor seria que trocássemos de lugar - levanta questões.
Acerca da primeira parte Peseiro disse que a equipa não jogou coesa como devia e "esqueceu-se" (palavra minha) de fazer os triângulos defensivos. Ora se algum defeito se apontava a Jesus era o de prender os jogadores a um sistema táctico caracterizado por uma coesão (demasiado) rígida. É verificável que o Sporting jogava em 30 metros numa teia inabalável. Pergunta: porque diabo os jogadores, habituados a este modelo durante as 3 últimas épocas, se espalham agora no campo, muito à toa e sem conexão?
Acerca da segunda parte Peseiro declarou que a equipa veio para a frente na raça, cheia de vontade e de brio. Isto explica perfeitamente que tenha levado 2 golos em contra pé, ou, como parece que se diz em futebolês, se tenha desmantelado defensivamente na transição ofensiva. Também explica por que motivo os jogadores tenham entrado num espírito anárquico, cada um por si, com correrias malucas (aliás numa delas, de Acuña, resultou o primeiro golo) Porque sucedeu isto, numa equipa supostamente rotinada em nunca desguarnecer a retaguarda e que há um ano abusava da prudência?
As declarações de Peseiro dão assim lugar a algumas interrogações:
Se Peseiro sabia o que se devia fazer porque não fizeram os jogadores o que era devido? Por que razão os jogadores no mínimo informados de uma certa disciplina táctica a abandonaram por completo num trimestre? Entrando em terrenos um pouco mais especulativos: se Peseiro sabe, porque o diz, qual é a boa forma de jogar (qualquer que ela seja), porque não joga a equipa como ele diz?
Há uma resposta que parece óbvia (e alarmante), ainda por cima com fundamento histórico, mas talvez seja demasiado cedo para a considerar. Ou não?»


Depois do "tsunami" de Portimão, parece que não terei sido apenas eu a ficar estarrecido com as declarações de Peseiro no final do jogo do Algarve! A julgar pelo sublime texto que José Navarro de Andrade nos deu o privilégio de podermos ler em "És a Nossa Fé", não terei sido o único a sentir dificuldades em distinguir, entre Sade e Masoch, o impulso que terá levado o ainda técnico leonino a tão surpreendente, pouco inteligente e absolutamente escusado "haraquiri". O facto indiscutível é que, depois das suas palavras, tenha ou não cão, seja hoje ou num amanhã mais ou menos próximo, acabará preso nas malhas que ele próprio tem vindo a tecer e que estas suas imprudentes palavras de agora, inapelavelmente, terão desmanchado e transformado num amálgama de fios torcidos e retorcidos sem recuperação palpável...

E não, julgo que não será demasiado cedo para considerar a resposta que a JNA parece óbvia e alarmante! O "algodão não engana"...

Pelo Sporting, só eu sei quanto o lamento!...

Leoninamente,
Até à próxima

8 comentários:

  1. Respostas
    1. No Sporting, ainda há alguns destes abencerragens!...

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    2. Então não fazes mais campanha pelo Cintra?Acabou se os euros dele foi?
      Não vales nada!

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    3. No Sporting, aos insultados e vilipendiados "sportingados", parece ter sucedido, faz hoje um mês, uma alegada nova estirpe, adepta do ódio e da guerra e para quem a língua de Camões, no meio do seu zurrar, será sempre uma "coisa" profundamente obnóxia, incompreensível e muito traiçoeira, os "sportingalhos", de que este autoproclamado "balakov" será um exemplo paradigmático!...
      Diz o asno, do alto da sua cátedra: "acabou-se os euros"? De tanto frequentar a Porta 18, o que será que "se passou-se"?!...

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  2. Afirmar que
    "a equipa veio(foi) para a frente na raça, cheia de vontade e de brio";
    "(a equipa) não fez (ou não soube fazer?) os triangulos defensivos":
    "os jogadores tenham entrado num espírito anárquico, cada um por si, com correrias malucas",
    corresponde a uma análise clara e objectiva do que não foi a equipa e do que foram os jogadores em campo.
    Como especialista que é, Peseiro não deixa lugar a contra-argumentos.
    Mas deixa-me com um problema, já que sou um leigo:o treinador da equipa . qual o papel do treinador junto desses jogadores que deveriam formar aquilo que vulgarmente se designa por equipa?
    O burro/ignorante sou eu, disso não duvido. Mas querer informar-me não é de burro, pois não? (mas isto sou eu a perguntar...)

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    1. Amigo Liondamaia, apenas me permito dizer-lhe uma coisa: o Peseiro é um homem com muita sorte! Não me pergunte porquê, na medida em que como sportinguista, tentarei nunca fazer um haraquiri semelhante ao que ele fez. Mas num contexto com outra saúde, nem mais uma semana estaria em Alvalade! Assim, é provável que a sorte o acompanhe até final da época!...
      Abraço e SL

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    2. Vem aí Janeiro, creio que com outra paragem. Se as questões financeiras estiverem em vias de serem resolvidas (ou já encaminhadas, pelo menos), talvrz haja uma janela de oportunidade no mercado.

      A verdade é esta: neste momento, toda a gente que poderá interessar está ocupada, mas...

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    3. Ah meu amigo, Janeiro ainda vem tão longe!!!...

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