sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Estarão a ser ultrapassadas as raias do ridículo!...



O segundo tempo do jogo de ontem ao fim da tarde em Alvalade, voltou mais uma vez a provar a profunda "décalage" actualmente existente entre a preparação física administrada pelos principais treinadores da escola portuguesa, colocada nos cornos da Lua por todos os media portugueses, tendo em conta, falaciosamente, aquilo que apenas aos termos tácticos possa dizer respeito,  e as escolas dos cinco países que dominam de modo quase assustador o futebol europeu.

Foi terrífico, avassalador e desmotivante para o comum dos mais de 40 mil adeptos presentes em Alvalade, assistir ao monumental estouro físico evidenciado pelos leões na segunda parte, em contraste com a frescura física que os "gunners" apresentaram ao longo de quase todos os 90 minutos.

Indiscutíveis para uns ou virtuais para outros, os argumentos de maior ou menor - sagaz, fino, acidental ou cauteloso? - recorte táctico apresentados ontem em Alvalade por José Peseiro, ao conseguir que a sua equipa manietasse quase completamente os pupilos de Unai Emery nos primeiros 45 minutos. Porém, e porque muito dificilmente haverá bela sem senão, seria necessário que o técnico leonino tivesse administrado desde os primeiros dias de Julho aos seus comandados, a preparação física adequada à implementação de tão exigentes dispositivos tácticos que, nomeadamente, foi capaz de engendrar para o confronto com a super preparada equipa inglesa. E o resultado foi aquilo que todos pudemos constatar: com o completo e altitroante estrondo do fôlego dos leões desde o seu regresso do balneário, a vitória dos "gunners" só terá pecado por defeito e não terá atingido proporções de goleada, porventura devido a uma surpreendente  exibição do guarda- redes Renan Ribeiro, batido apenas e sem culpas próprias, num único lance em que se terá começado a evidenciar o défice físico de Coates que, rapidamente, todos vimos estender-se à generalidade dos seus companheiros.

Em situação semelhante, o falhanço técnico de Coates aos 77 minutos, muito dificilmente teria acontecido nos primeiros 45 minutos. Assim como a inoperância do estafado e impreparado onze leonino ao longo de toda a segunda parte, diz bem do inadmissível e quase caricato défice de capacidade física revelado por toda a equipa liderada por José Peseiro. Haverá uma desastrada, incompreensível e inadmissível incompatibilidade entre a carga de esforço que  exigem os esquemas tácticos  pensados pelo técnico leonino para este  e outros exigentes jogos, e os argumentos, em tempo e no modo, da disponibilidade física que de um modo geral todo o plantel evidencia. Em última e derradeira análise, bastar-nos-à pensar nas sucessivas e recorrentes lesões musculares que, quase desde o início da época e ontem mais uma vez verificadas, tendo como protagonista Ristovski,  têm vindo a afectar as peças mais importantes do plantel leonino. Não há departamento médico que consiga resistir e sobreviver quando a falha gritante deverá ser atribuída a quem continua a serpentear por entre os pingos da chuva: os agentes da preparação física ministrada, nomeadamente e sobretudo no período sacramental da preparação: a pré-época! Mas, obviamente, que não só...


Com o devido respeito por todas as opiniões que por aí possam ser expressas, esta é a minha modesta opinião: qualquer treinador das equipas do meio da tabela das ligas inglesa, alemã, espanhola, italiana e mesmo francesa, dará actualmente cartas ao "collegium Pontificum" que, nas mais importantes equipas protuguesas, os media portugueses continuam teimando em colocar nos "cornos da Lua", quando os resultados internacionais alcançados, em cada dia o desmentem categoricamente, através da inexorável e inapelável descida do futebol português no ranking da UEFA...

É tempo de aprender os novos segredos do treino físico! É que o futebol português, estupidamente, teima em ir a passo, enquanto a Europa galopa!...

Por cá, sob o manto diáfano do aplauso e do incenso dos acríticos OCS, os nossos treinadores vão mergulhando a mão na pia da água benta e continuando a reduzir o treino a "corridas a passo carregadas de risos, gargalhadas e boa disposição" em volta do rectângulo, intercalados, não vão os "artistas" mergulhar numa onda de silenciosos ou nada recomendáveis e ruidosos protestos, por "meinhos, muitos meinhos e ainda mais divertidos e lúdicos meinhos"! Em particular em Alvalade onde, pelo que depois se constata nos jogos, ao fim de meia hora nem o peso das botas conseguem carregar...

Estarão a ser ultrapassadas as raias do ridículo!...

Leoninamente,
Até à próxima

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