quinta-feira, 30 de junho de 2022

Mais valia ter deixado a crónica na gaveta!...


Os cientistas

«Como nesta história da classificação dos campeonatos toda a gente parece ter uma posição muito segura, aqui vai a minha: não tenho opinião. Entendo vários argumentos de cada um dos pareceres e só tenho uma certeza: a posição de cada adepto é, na esmagadora maioria, apenas consequência do clubismo. Para mim, a única discussão realmente relevante é a classificação dos títulos nas quatro temporadas em que Campeonato de Portugal e I Liga coincidiram (de 1934/35 a 1937/38). Antes disso, é claro que havia campeões de Portugal; depois, houve campeões nacionais. Uma diferença de nomenclatura que não justifica assim tanto barulho.

A FPF, para acabar com as dúvidas, encomendou um estudo académico para colocar luz sobre o assunto. Houve uma divergência entre os cinco investigadores e, por isso, dali saíram duas conclusões diferentes. Mas ambas, que implicaram vários anos a queimar pestanas, indicavam uma contabilidade diferente da actual. Foram submetidas à votação dos delegados da AG da FPF, bem como um terceiro estudo apresentado pelo Sporting, e um quarto, o mais votado, que determina que não se mexe em nada, cujas bases científicas estão por explicar. Chegados ao fim do processo, a conclusão só pode ser uma: o ensino superior anda pelas ruas da amargura.»

Haverá a meu ver, duas flagrantes e pouco admissíveis incongruências nesta crónica do director adjunto do jornal Record. A primeira quando declara peremptoriamente que não tem opinião sobre "esta história da classificação dos campeonatos", para logo seguir e ainda no mesmo parágrafo, afirmar que "a única discussão realmente relevante é a classificação dos títulos nas quatro temporadas em que o Campeonato de Portugal e a a I Liga coincidiram (de 1934/35 a 1937/38). Afinal Sérgio Krithinas tem opinião e, curiosamente ou não, a sua opinião é rigorosamente igual à minha.

Mas a contradição torna-se intelectualmente insuportável por evidente falta de honestidade, quando nesta sua última afirmação chama I Liga à famigerada Liga Experimental. Só isto bastará para sustentar a sua afirmação inicial de que "a posição de cada adepto é apenas consequência do clubismo". De tal modo que, no seu caso pessoal de adepto conhecido do clube que se apoderou dos títulos da Liga Experimental como se da I Liga se tratasse, passou sem rebuço a utilizar a designação que a "cartilha do seu clube ordena"!...

Artur Agostinho, se ainda estivesse entre nós, decerto que não gostaria de ler no seu jornal, um director adjunto escrever esta crónica. Em primeiro lugar por manifestar não ter opinião sobre a matéria em causa, quando afinal tem e, ironicamente, profundamente deformada.

Se como afirma, para o senhor jornalista Sérgio Krithinas é pacífica a atribuição dos titulos de campeão aos vencedores do Campeonato de Portugal, este esteve em vigor até ao final da época de 1937/38. E jamais poderá ser uma Liga Experimental a proporcionar o título de campeão seja a quem for, em prejuízo do Campeonato de Portugal, mesmo que, falaciosamente, apelide essa Liga Experimental de I Liga. O mais que essa Liga Experimental poderá ter sido, será, naturalmente, percursora, pela experimentação, da I Divisão que a partir de 1937/38, e só a partir daí, passou a realizar-se.

Mais valia ter deixado a crónica na gaveta!...

Leoninamente,
Até à próxima

1 comentário:

  1. Não valia a pena entregarem o caso a historiadores, visto que estes também têm as suas ideologias/clubes. Era óbvio que iriam ter posições distintas. Mas o que significa Campeão de Portugal? Mas, na verdade, a passagem da crónica de SC, onde ele emite a palavra "Experimental" da Liga dos anos trinta, é bem revelador da sua isenção... A mim, nunca me causou qualquer incómodo o facto de não serem adicionados os quatro Campeonatos de Portugal aos Campeonatos Nacionais, o que me causa asco é darem de mão beijada 3 Ligas Experimentais ao Carnide! Isto é que é intolerável.

    ResponderEliminar