sábado, 5 de agosto de 2017

À mulher de César, não lhe basta ser séria!...


A LIGA (2017-18) DO FAZ DE CONTA

«Com a realização esta noite do jogo entre entre o Benfica e o V. Guimarães, no qual está em causa a conquista de mais um troféu (Supertaça), arranca oficialmente a época desportiva de 2017-18.

Com a presença da figura do videoárbitro (VAR) em todos os jogos do campeonato. Uma época, por isso, verdadeiramente histórica, cujo facto deve ser sublinhado como o mais importante no arranque de mais uma temporada futebolística, que promete muita turbulência e agitação, a avaliar por aquilo que tem sido a incessante tarefa dos departamentos de comunicação das principais SAD, preparados para reagir a tudo o que mexa, seja um email, um gnomo ou um pirata (informático). 

Digamos que este é o ano 0 do VAR, ao nível da competição mais importante do calendário futebolístico nacional e 2018-19 será efectivamente o ano I do videoárbitro, se o IFAB se pronunciar positivamente a favor da institucionalização desta figura em Março do próximo ano, depois do período de testes e das experiências ‘reais’ efectuadas, designadamente, nas Ligas da Alemanha e de Portugal.

Fez ontem precisamente 3 meses que a FPF anunciou que a Liga 2017-18 iria contar com a ajuda do videoárbitro. Em 3 meses, e aproveitando-se a experiência acumulada anteriormente, em testes offline, fez-se os possíveis para ‘transformar’ árbitros em videoárbitros e criar as condições necessárias para que, nos jogos da Liga, as avaliações sejam realizadas sob uma mesma base de apoio (humana e tecnológica).

Vai ser suficiente para diminuir a percentagem de más decisões, em lances capitais, diminuindo o chamado erro grosseiro das equipas de arbitragem? Vai. Não tenho dúvidas sobre isso e essa é a grande vantagem da introdução das novas tecnologias no futebol.

Vai ser suficiente para diminuir o ruído em torno das arbitragens, no futebol português? Não, não vai. Porque o videoárbitro e o poder da tecnologia não têm o poder de mitigar ou mesmo anular uma tendência patológica que existe há muitos anos no futebol português, agudizada nas últimas temporadas: a falta de respeito institucional entre entidades que deveriam saber defender o negócio acima de todas as clivagens ou divergências; a falta de elevação ética no verbo e nos comportamentos; e a convicção de que, tão ou mais importante do que a escolha de jogadores e treinadores e da criação de boas práticas de gestão e de investimentos infra-estruturais, é promover a valorização desta nova cáfila de novos protagonistas da bola, perigosos incendiários que não têm um mínimo de classe nem de auto-estima, sendo as vozes dos respectivos donos. Uma tragédia que se abateu sobre o futebol nacional, a juntar a outras tragédias não resolvidas.

O presidente da Liga, Pedro Proença, considera estarem reunidas todas as condições para que a temporada decorra com normalidade. Não estão. Infelizmente vai valer tudo. O VAR, neste ambiente, de queixas e queixinhas, em que tudo serve para arremessar, injuriar, congeminar, inventar, deturpar, inimigar, não obstante o louvável esforço do CD da FPF, sem olhar a nomes ou emblemas, em não deixar sem processo todos aqueles que não compreendem o mau serviço que estão a prestar ao futebol, vai ser útil mas não tem poder suficiente para curar uma tão profunda doença. Não há outra forma de o dizer: é muita porcaria acumulada.

De resto, sendo eu completamente a favor da introdução das novas tecnologias no futebol, creio que esta obsessão de não se querer ferir a autoridade do juiz de campo, conferindo apenas ao VAR um papel de apoio pouco pronunciado, vai ter de evoluir para um regime de maior autonomia do próprio videoárbitro. Foi um avanço, mas é um avanço ainda pequeno. Entendo que é preciso ter cuidado com as dinâmicas do jogo, mas é preciso fazer algo mais no sentido da protecção e defesa da verdade desportiva. 

São os agentes desportivos, em Portugal e não apenas no nosso país, mas com particularidades especialmente negativas aqui no torrão luso, que verbalizam a factualidade de o futebol ser um ‘jogo de gatunos’. Quando os responsáveis dos clubes têm esta visão do futebol e a amplificam e quando o presidente da Liga, em vez de sublinhar as suas preocupações, alivia o cenário, fazendo de conta que está tudo bem, a sensação colhida é a de que só a fingir o futebol português é governável. O regime do faz de conta.

JARDIM DAS ESTRELAS - Claques? Faz de conta que não existem…

Esta estória das claques (não) legalizadas e a intervenção (tardia) do IPDJ diz bem da consagração do país do faz de conta.
O Benfica, nesta matéria, ficou sempre a meio da ponte. Ou porque as claques assim o pretendiam ou porque o próprio Benfica nunca se sentiu totalmente à vontade para tomar uma posição inequívoca. De sim ou sopas.
Os No Name existem; não são ficção.
Os Diabos Vermelhos existem; também não são ficção.
O Benfica colocou-se na posição de dizer que sim e que não. E o IPDJ foi fechando os olhos até aparecer uma queixa formal (Sporting) de apoio a claques ilegais.
Esteve muito bem Luís Filipe Vieira na definição das prioridades desportivas e financeiras, na sua última intervenção pública, num discurso realista para os benfiquistas, e muito mal na negação de uma evidência. O IPDJ ‘salvou a pele’, in extremis. No regime do faz de conta (vide texto principal).

O CACTO - Neymar e a bolha



Foi a ‘bomba’ da pré-época: Neymar deixa o Barcelona para assinar pelo PSG, por números majestáticos (222M€). Dir-se-ia que é o mercado a funcionar. Não me parece. Já não me parece que seja o mercado a funcionar. É muito mais do que o mercado a funcionar. A indústria do futebol precisa de ser repensada. É necessário apertar a malha dos mecanismos do fair-play financeiro. O futebol não deve ser uma bolha, no tecido social. Uma bolha que tem tudo para rebentar. A ‘invisibilidade’ do dinheiro nas contas dos clubes é preocupante.»
(Rui Santos, Pressão Alta in Record)


Ainda que sem desvalorizar o importante papel desempenhado ao longo de muitos anos por Rui Santos na corajosa luta pela implementação das novas tecnologias no futebol, a que em nome da verdade e da justiça deveremos juntar a preciosa ajuda do actual presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, não me revejo na oportunidade desta sua crónica de hoje: julgo que não deveria ser a hora de chamar a contas os "vendilhões do templo", quando o vídeo-árbitro ainda se prepara para dar os primeiros passos e precisa, como de pão para a boca, que todos aqueles que tanto por ele lutaram, lhe ofereçam a sua protecção  e lhe estendam as mãos e o ajudem a caminhar. Depois de todos assistirmos ao seu caminhar firme e irreversível, então poderia pensar-se em "tratar da vida" aos vendilhões.

Por outro lado, parece-me intrigante apreciar Rui Santos a passar pela questão das claques como cão por vinha vindimada, ficando-se - simpaticamente? - por um confrangedor "o IPDJ 'salvou a pele'. Todos temos direito a "dias cinzentos". Rui Santos, como qualquer de nós, nunca será excepção. Mas o que seria expectável da "pressão alta" a que nos habituou, exercendo sobre todos os processos de "podridão acelerada" que inundam os tristes bastidores do nosso futebol, seria o desafio a Augusto Baganha para publicar os regulamentos do Benfica que o levaram a ameaçar com a interdição do estádio da Luz, em contraponto com a nova redacção que terá merecido o obviamente presumível "frete da aprovação" da instituição que lidera e a concomitante queda da anterior intenção de interdição. Tudo muito bem explicadinho, tim-tim, por tim-tim, para que todos tivéssemos a oportunidade de concluir segundo o nosso próprio juízo, em vez de continuarmos a remoer o poder sem limites e a inimputabilidade  do "polvo vermelho"!...

À mulher de César, não lhe basta ser séria!...

Leoninamente,
Até à próxima

8 comentários:

  1. Fiquei sem perceber se Rui Santos passou a mão pelo pêlo do IPDJ, se pelas penas dos sócios organizados.
    Vamos esperar para ver o que faz a polícia em relação aos GOA lampiânicos, isto é, se continua a tratá-los como claques ilegais.
    Não sou jurista, longe disso, mas a legalização passa pela identificação, com foto, morada e CCidadão dos elementos que as compõem e, ao que parece, é na identificação dos elementos que reside todo o problema, pois, segundo dizem, há elementos dos NN que recusam fazê-lo e têm (detêm?) poder suficiente para afrontar LFV, forçando-o a não cumprir a lei.

    Mas Rui Santos por alguma razão terá sido... macio.

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    1. Partilho a estranheza do amigo Liondamaia. Mas refreei a minha acutilância em relação a RS, pelo facto de admitir que ele saberá muito mais do que nós e do que deixa transparecer na sua crónica e terá pretendido dar mais tempo de actuação ao IPDJ...

      Recuso-me a admitir que o argumento que o amigo Liondamaia apresenta no último parágrafo do seu comentário, não seja partilhado pelo IPDJ. E nessa condição, talvez seja de todo conveniente esperar que o tempo acabe por fazer emergir neste asqueroso episódio das claques a sujidade que o algodão jamais esconderá...

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  2. Rui Santos ainda é dos poucos que podemos chamar de jornalistas.O grosso da coluna são cartilheiros.

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    1. Sim, concordarei com o caro TW, se a RS somarmos mais uma boa meia-dúzia de jornalistas íntegros que felizmente o acompanham. Mas que "o grosso da coluna são 'cartilheiros', não me sobra a mais pequena réstia de dúvida!...

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  3. O sr rui santos tem um grande defice de coragem, quando se trata de denunciar as malfeitorias do clube dos vouchers, sobrando-lhe coragem, quando se trata de atacar o leao.

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    1. Perdoar-me-à o caro Leão da alameda, que não partilhe a ideia de a RS ter "um grande défice de coragem" para com matérias ligadas ao nosso vizinho do outro lado da rua e um estranho "superavit" para atacar o leão...

      E permita-me o caro Leão da alameda que defina a minha opinião pessoalíssima sobre ele, como jornalista desportivo: "Não foi capaz de obrigar os seus 'calos' a calçar a 'bota' do jornal A Bola, que abandonou; julgo-o incapaz de algum dia calçar a 'bota' do Correio da Manhã e com extrema dificuldade de O Jogo; a sua colaboração no Record e na SIC obriga-lo-ão porventura a uma atitude cuidada em relação aos temas mais escaldantes desta 'nossa república das bananas'! Tenho a certeza de que qualquer jornalista inteligente percorreria o mesmo caminho que ele escolheu fazer: ele sabe mais do que deixa transparecer nos seus textos, mas também sabe e conhece bem o país onde vive e granjeia o seu sustento...

      Tenho muito poucas dúvidas sobre os afectos clubísticos de RS. Mas tenho uma quase certeza: benfiquista não será e portista ainda menos! Porém, resguarda e bem a meu ver, a sua face de adepto e mostra sem pruridos e tergiversações, a única face que verdadeiramente lhe interessa e bem, de novo a meu ver: a de jornalista!...

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  4. Qual a diferença entre umas claques legalizadas e que cometem crimes, umas das quais tem a lata de escrever em livro, e uma claque não legalizada que também comete crimes. Falo isto pelo que sai na comunicação social.
    Só posso deduzir que vocês são cheios de tretas, para não dizer pior.
    Já sei que não vai ser publicado porque não sou da vossa cor.

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    1. Enganou-se o Adepto! O comentário aqui está, pelo simples motivo de que não me considerei ofendido com a sua dedução de "vocês são cheios de tretas, para não dizer pior"! "Cheios de tretas" andará muita gente, com o Adepto à cabeça. E como não disse pior...

      Quanto aos argumentos com que abre o seu comentário, de tão ridículos, foram empurrão suficiente para ter optado pela sua publicação, animado pela esperança de que depois de ler os dois pontos fundamentais seguintes, deixe de ser ridículo:

      1 - Nenhum crime algum dia recairá sobre determinada claque, antes sobre determinados elementos da mesma - qualquer que seja -, que competirá aos tribunais julgar e condenar, sem que a sua filiação alguma vez deva ser tomada em conta nesse julgamento e eventual condenação.
      2 - A lei estabelece que todas as claques deverão estar legalizadas. Pois então cumpra-se a lei. Vivemos num estado de direito!...

      Oxalá não tenha perdido o meu tempo...

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