sábado, 12 de outubro de 2019

No Sporting está na moda dizer mal de tudo e com tudo!...


Sporting boicotado

«Não sei sinceramente quanto tempo demorará no Sporting esta sensação de fragmentação e colapso, mas sei que deve ser um inferno governar um clube na actual conjuntura, como se percebeu através da Assembleia Geral (AG) de quinta-feira.

Há muito que tenho sérias reservas sobre o funcionamento e verdadeiro significado deste tipo de Assembleias. Frederico Varandas dizia, no final, que "no Sporting, a democracia vai sempre imperar", percebemos o alcance do presidente dos ‘leões’ segundo o qual os resultados das votações serão sempre respeitados, mesmo que eles traduzam sensações menos positivas para o actual elenco directivo, mas convenhamos… o futebol vive numa ‘democracia’ muito peculiar, por um vasto conjunto de razões. E não é só no Sporting.

É uma ‘democracia’ do 8 ou do 80. Ou se criam condições para os clubes não serem discutidos, ou se criam estatutos de protecção dos líderes ou permite-se que ‘minorias desqualificadas’ se transformem, pontualmente, em maiorias. Esta é a ‘democracia’ do futebol português.

Repare-se: o FC Porto de Pinto da Costa, que fez milhões com vendas de jogadores ao longo de décadas, foi intervencionado pela UEFA e é hoje obrigado a seguir um regime de emagrecimento, sem que os sócios se sentissem impelidos a discutir as razões através das quais o clube que endeusou o seu líder chegou a uma situação desta natureza; o Benfica, a ganhar no plano interno, mas a comprometer rotundamente no domínio europeu, convocou recentemente uma AG durante a qual o presidente Luís Filipe Vieira ‘apertou o pescoço’ a um sócio mais crítico; no Sporting, é o que se vê: qualquer coisa, desde uma mosca (com licença do PAN) a um alfinete, é suficiente para a instalação da algazarra. É esta a ‘democracia’ associada à realidade dos clubes mais representativos em Portugal. É esta a ‘democracia’ no futebol lusitano.

Uma ‘democracia’ que está longe de espelhar a justa dimensão da realidade. A ‘realidade’ que nos entra pelos cinco sentidos é aquela que hoje resulta das publicações nas redes sociais e as manifestações, às vezes de meia dúzia de agitadores com cartazes, veiculadas pela comunicação social, tantas vezes passadas em ‘loop’, a conferir importância a uma erupção localizada que, afinal, não tem importância nenhuma. Mas esta é a ‘realidade’ que vale e sobre a qual é preciso saber agir e reagir.

O caso do Sporting é manifestamente patológico.

Houve um tempo, durante anos a fio, em que o Sporting discutiu mais o património não desportivo e a sua alienação do que o objecto para o qual os fundadores haviam norteado os seus ideais: criar um clube vencedor na sua génese competitiva. Nessa discussão, as elites mostraram o seu lado de impreparação para a gestão desportiva. Era um complemento e uma espécie de acessório, numa visão completamente distorcida. Seguiu-se um pequeno período de esperança, mas Bruno de Carvalho deslumbrou-se, perdeu-se numa visão obsessiva, monolítica, destruidora — e veio o caos. A fragmentação vem de longe.

Muita gente se esquece agora quem era o ex-líder dos ‘leões’. O que moveu, o que provocou, dentro e fora, no balneário e fora dele. Nunca quis unir. Dividiu, dividiu, dividiu. Quando agora se ouve, no pavilhão, chamarem ‘ditador’ a Frederico Varandas, percebe-se ao estado de impotência a que o clube chegou. Ditador? Em que filme?… Mas onde é que estava a democracia em Alvalade, antes do último acto eleitoral? Fiéis ao Sporting?… Ao… Sporting?! Haja vergonha!

Pode até chegar-se à conclusão que Frederico Varandas não consegue passar as mensagens e que as suas skills de liderança são reduzidas. O problema maior do Sporting não se chama Varandas. O problema maior do Sporting foi ter-se chegado a uma situação em que nada, mas mesmo NADA, é meritório. Veja-se o caso de Sousa Cintra. Foi à AG, não o deixaram falar, foi assobiado e enxovalhado e, no final, perante os jornalistas, visivelmente perturbado, malhou no presidente. Há alguma dúvida de que, no actual contexto, tivessem as eleições sido ganhas por Benedito, Ricciardi, Dias Ferreira ou outro qualquer, chamado António, José ou Joaquim, o ruído e a contestação seriam exactamente os mesmos? No Sporting, tudo se discute. O que merece discussão e o que faz parte de uma agenda absolutamente patológica. O presidente, o treinador, os jogadores, mas também o tapete de entrada, a gravilha da calçada ou os fungos nas unhas dos pés. Principalmente estes, os fungos.

O Sporting são160 000 sócios (90 000 pagantes) e milhões de adeptos. A maioria não quer boicotar o Sporting. Mas aqueles que teimam em boicotar o Sporting são aqueles que teimam em aparecer na fotografia e a passar a imagem de que o rei vai nu. Os boicotadores não são apenas os ‘fiéis ao Sporting’. São também os infiéis. Em regime de boicote, o Sporting não será governável...»

(Rui Santos, Pressão Alta, in Record, hoje às 22:31)

É 'fino'. Dá 'estatuto'. Será um indicador seguro de que do meio das 'minhocas' de tão confrangedora prenhez cerebral, decerto hão-de emergir triunfantes e ufanistas alguns raquiticos neurónios capazes de ordenar, tanto ondas de geniais, insuspeitas e orais eloquências, quanto colossais vagas de penetrantes e argutas tiradas paridas de furiosos assaltos às teclas das redes sociais...

Há uma nova vaga de sportinguistas que recusa a concepção daqueles milhões de adeptos que foram capazes de fazer do Sporting o que ele foi até há uma dezena de anos a  esta parte e que estará em vias de reclamar, à boa maneira dos 'bolsonaros de porto seguro', o 'achamento' de um 'novo sporting'!...

No Sporting está na moda dizer mal de tudo e com tudo!...

Leoninamente,
Até à próxima

1 comentário:

  1. "apertou o pescoço" mas sem aspas... Ora aí está um dos, senão O problema do futebol português... mandar a boca e depois fugir para longe... Uma questão de princípios...

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