segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Ainda bem que há quem não seja tolo!!!...


A carta aberta e o resto

«A carta aberta que Filipe Soares Franco endereçou a Frederico Varandas não mereceu ontem, tanto quanto me apercebi, grande destaque na imprensa (Record foi excepção), o que talvez se possa explicar por não conter nenhum tipo de controvérsia ou querela. Serve apenas para o ex-presidente do Sporting sufragar uma liderança do clube que – é ele próprio que faz questão de o confessar logo a abrir – não ajudou a eleger. Mas o que torna a sucinta epístola deveras substancial e genuína é o facto de Soares Franco deixar claro, tanto quanto alcancei, que o Sporting já ganhou, mesmo que não ganhe a Liga. Porque, independente do desfecho do campeonato, o ex-dirigente considera que a actual administração deve ser aplaudida por ter devolvido “os princípios e os valores” a um Sporting que voltou a ser “disciplinado e disciplinador”. E por, sublinha ainda Soares Franco, já ter ganho a aposta na formação e um rumo de “gestão assertivo”.

Ora, sabendo-se que uma carta aberta é sempre um veículo de comunicação que se pretende comunitário e o máximo possível abrangente, este é provavelmente o primeiro grande sinal de que Varandas está a conseguir dobrar o seu cabo das Tormentas.

A carta aberta surge, de resto, numa altura em que emudeceram os cada vez mais raros escudeiros da destrambelhada anterior liderança. Há ainda um ou outro que, aqui e ali, emerge para tentar que os seus elogios (tardios e, provavelmente, apócrifos) a Rúben Amorim ajudem a descartar a quota-parte de responsabilidade que a actual gestão possa ter no momento desportivo inolvidável que o futebol leonino está a viver. São tão subtis como um comboio de mercadorias e, tal como os capatazes das claques a quem foi enfraquecido o nababo negócio, nunca serão sequer capazes de perceber que o diabo paga sempre mal àqueles que lhe servem…

Claro que Rúben Amorim ajudou a retirar o Sporting do atoleiro. Dos seus méritos, até na resolução das falhas de comunicabilidade, já aqui falámos várias vezes. E também não restam dúvidas de que a crise pandémica e a consequente ausência de público nas bancadas esvaziaram ainda mais os cofres, mas também garantiram o sossego no início da empreitada e nos momentos mais difíceis, como foi o prematuro afastamento europeu – mas hoje, quando a liderança na Liga reflecte uma vantagem pontual histórica e cada vez mais inacreditável, o apoio já seria incondicional e benfazejo.

Mas quem escolheu e lutou por Amorim foram Varandas e Hugo Viana. A opção esteve longe de ser consensual no reino do leão e junto dos analistas. Relevando a qualidade indubitável do trabalho de Amorim em Braga, eu próprio questionei se seria realista pagar 10 milhões (mais os acrescentos pelos atrasos no embolso) por um treinador. Mais a mais num clube que havia ficado com as finanças carcomidas depois de o ex-presidente ter desviado Jorge Jesus e triplicado os gastos anuais (aposta que continua a reflectir-se até hoje na gestão do vice-presidente financeiro, Francisco Salgado Zenha, como se confirmou há semanas, aquando do despedimento colectivo de dezenas de funcionários). A verdade é que nem isso impediu que se renovasse a Academia de Alcochete e se melhorassem as condições de trabalho da formação. E regressou a equipa B.

A Varandas e, principalmente, a Viana têm ainda de ser tributados os méritos da construção de um plantel que tem mais qualidade, soluções e até experiência do que muitos lhe atribuíram. É bom recordar que o FC Porto lutou imenso por Pedro Gonçalves e Nuno Santos. O primeiro vai à frente na lista de melhores marcadores e tem sido o melhor jogador da Liga. E o segundo também tem sido de enorme utilidade. E se, no passado, fizeram sentido as críticas pelas vindas de Bolasie, Fernando e Jesé, há também que dar mérito a quem agora descobriu o jovem Porro (o melhor lateral-direito da Liga), garantiu o empréstimo de João Mário ou havia percebido que pagar 750 mil euros por Matheus Nunes era uma enorme pechincha.

Na carta aberta de Soares Franco percebe-se o deleite por uma equipa em que voltaram a ser importantes jovens como Tiago Tomás, Nuno Mendes, Gonçalo Inácio, Joelson Fernandes e Eduardo Quaresma, que ainda não haviam nascido quando o Sporting foi campeão pela última vez...

Paulinho e Hugo Viana

Paulinho, aos 28 anos, foi o jogador mais caro na história do Sporting e pagar 16 milhões (mais os ordenados de Sporar e Borja) foi uma opção em contraciclo com o que fez a maioria dos ‘grandes’ europeus. Mas Hugo Viana sabe que para rentabilizar o investimento basta terminar num dos dois primeiros da Liga e, assim, garantir a Champions. Mais do uma demonstração de pujança, contratar o goleador ao arquirrival de Braga é oferecer mais qualidade a Amorim. Paulinho garante mais capacidade de ligar o jogo, mais presença na área (e no jogo aéreo) e mais capacidade pressionante em zonas altas.

CINCO ESTRELAS - O André dos golos

O pós-Covid transformou André Silva numa máquina de marcar golos: desde Maio, somou 25 tentos em 29 jogos. Na Bundesliga, vai com 17 golos (5 bis) em 20 jogos, fundamentais para que o Eintracht saltasse para o quarto posto. Fernando Santos vai ter de contar com ele…

QUATRO ESTRELAS - Pepa não engana

A carreira extraordinária e o futebol de autor do Paços de Ferreira reflectem um clube organizado e um plantel mais valioso que o orçamento, mas principalmente um treinador que mostra trabalho de qualidade desde os tempos no Feirense. Pepa há muito que está na órbitra dos mais soberanos…

TRÊS ESTRELAS - Não aos "sacos de porrada"

É legítimo que o FC Porto não aceite que Corona se transforme num "saco de porrada". Mas a discussão deve ser mais transversal: os árbitros devem ser instruídos para agirem disciplinarmente sempre que se abuse da dureza para travar o talento adversário. Porque há mais vítimas.

DUAS ESTRELAS - "Champions" não é clube privado

A UEFA apresentou às federações o projecto da nova Champions, a vigorar a partir de 2024. Tudo para abortar a inenarrável ideia da Superliga. Haverá mais clubes, grupos, jogos e dinheiro, como já aqui dei conta. Mas agora surgiu a hipótese de alguns clubes "históricos" serem protegidos e terem sempre o apuramento garantido. Ora, é precisamente isso que torna a Superliga inaceitável.

UMA ESTRELA - Tolice à porta fechada

Dizer que o Braga cumpriu o castigo de jogo à porta fechada (frente ao Portimonense), numa altura em que já é proibida a entrada de público nos estádios, prova que não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito…»

Uma crónica que os mais distraídos não deveriam perder. Com grande parte da matéria que nos diz respeito, a nós sportinguistas, mas com algumas pinceladas mais a reter e a constituirem motivo de reflexão, nomeadamente por aqueles a quem são dirigidas, como por exemplo, a "tolice à porta fechada", a somar ao prolongamento da tolice da "novela Palhinha", não é doutora Cláudia?!...

O futebol português é um manancial de tolice!...

Ainda bem que há quem não seja tolo!!!...

Leoninamente,
Até à próxima

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